Escola gratuita para surdos pode fechar após 50 anos

Escola gratuita para surdos pode fechar após 50 anos

Colégio Ulbra Concórdia, em Porto Alegre, tem 88 alunos, educados em língua portuguesa e Libras desde a formação infantil até a conclusão do ensino médio. Provedor da instituição informou em agosto que vai encerrar as atividades letivas. Ação nas redes sociais com a hashtag #SomosTodosConcordia chama atenção para o caso.

Luiz Alexandre Souza Ventura

04 de setembro de 2020 | 15h47



Ouça essa reportagem com Audima no player acima, acione a tradução do texto em Libras com Hand Talk no botão azul à esquerda ou acompanhe o vídeo no final da matéria produzido pela Helpvox com a interpretação na Língua Brasileira de Sinais.


Descrição da imagem #pracegover: Grupo formado por crianças e adultos está reunido em uma sala de aula da Escola Ulbra Concórdia. Crédito: Divulgação.


A Escola Ulbra Concórdia, em Porto Alegre (RS), que atua há mais de 50 anos na educação bilíngue de surdos – em Língua Portuguesa e Libras – pode fechar as portas em dezembro por falta de recursos. Em agosto, a Associação Educacional Luterana do Brasil (AELBRA), única mantenedora do colégio, informou à direção que não pode mais bancar a escola.

“Todos os nossos alunos são de famílias de baixa renda e estudam gratuitamente. Essa bomba caiu sobre nós no dia 22 de agosto”, diz Katherine Halberstadt, professora de História, intérprete de Libras e integrante da comissão de assuntos externos da escola.

“Em 2019, a mantenedora deixou de ser filantrópica e entrou em recuperação judicial. Agora anunciou a descontinuidade das atividades letivas a partir do ano de 2021”, conta a professora.

“Temos 88 alunos. São nove na educação infantil, 48 no ensino fundamental e 31 no ensino médio. A escola tem um perfil acolhedor, atendendo às dificuldades das famílias e dos alunos para a formação e o bom desenvolvimento”, afima a educadora.

A direção do Ulbra Concórdia conseguiu se reunir com representantes do Ministério da Educação (MEC) e da Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul para expor a situação e, por meio da mãe de um aluno, deve participar de uma audiência pública com o governo estadual na próxima semana.

“Estamos em busca de empresas ou instituições que tenham interesse em prover nosso projeto. A Escola Concórdia esteve presente nos grandes momentos da história dos surdos em Porto Alegre, seus professores e alunos lutaram por espaços de direito e de visibilidade na sociedade. A escola sempre abriu espaços para encontros, painéis, seminários e congressos. Em muitas oportunidades, órgãos públicos encaminharam seus representantes para debaterem com os nossos alunos sobre os direitos do surdo na sociedade”, ressalta Katherine Halberstadt.

“Não fazemos oposição à escola inclusiva, mas oferecemos um espaço diferenciado para que os alunos possam conviver com seus pares, onde tenham uma aprendizagem qualificada na formação de uma identidade e cultura surda. Quando falamos sobre a inclusão, ressaltamos que as pessoas surdas têm uma cultura distinta dos ouvintes, participam de uma comunidade específica e devem fazer parte dela ativamente, vivendo e modificando, como qualquer sociedade faz”, esclarece a professora.

“A Escola Concórdia sempre acolheu surdos com diferentes diagnósticos, como surdos profundos, severos, moderados, surdos progressivos, oralizados, implantados, com outros comprometimentos sensoriais, intelectuais ou físicos. A escola esteve, por todos esses anos, de portas abertas, atendeu, acolheu e orientou alunos e famílias na direção de uma qualidade de vida melhor e queremos atender mais surdos, auxiliar no processo escolar e no social, como fizemos até agora”, completou a professora.

Quem tiver interesse em conversar com o colégio pode procurar os representantes da Comissão de Assuntos Externos da Escola Concórdia (CAEEC) nos contatos abaixo.

Professora Juliane Nunes, (51) 99363-1779 ou julianeaanunes@gmail.com

Professora Carol Halberstadt, (51) 99127-2091 ou katherinettils@gmail.com.



Vídeo produzido pela Helpvox com a versão da reportagem na Língua Brasileira de Sinais gravada pelo intérprete e tradutor Gabriel Finamore.

Para receber as reportagens do #blogVencerLimites no Whatsapp, mande ‘VENCER LIMITES’ para +5511976116558 e inclua o número nos seus contatos. Se quiser receber no Telegram, acesse t.me/blogVencerLimites.

VencerLimites.com.br é um espaço de notícias sobre o universo das pessoas com deficiência integrado ao portal Estadão.
Nosso conteúdo também está acessível em áudio, com a ferramenta Audima, e em Libras, com a solução Hand Talk para tradução do texto e vídeo gravado pela Helpvox com interpretação da matéria completa.

Todas as informações publicadas no blog, nas nossas redes sociais, enviadas pelo Whatsapp ou Telegram são produzidas e publicadas após checagem e comprovação. Compartilhe apenas informação de qualidade e jamais fortaleça as ‘fake news’. Se tiver dúvidas, verifique.

Mande mensagem, crítica ou sugestão para blogVencerLimites@gmail.com. E acompanhe o #blogVencerLimites nas redes sociais:
Facebook.com/VencerLimites
Twitter.com/VencerLimitesBR
Instagram.com/blogVencerLimites


Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: