“Essa paralimpíada vai mudar a mentalidade do País”

“Essa paralimpíada vai mudar a mentalidade do País”

Jane Karla, atleta do tiro com arco, acredita que os Jogos Paralímpicos do Rio serão um estímulo para as novas gerações do esporte. E celebra a possibilidade de competir em casa. "Aqui vamos contar com a nossa torcida".

Luiz Alexandre Souza Ventura

03 de setembro de 2016 | 10h00

Jane Karla é atualmente atleta do Tiro com Arco Paralímpico e já competiu no Tênis de Mesa. Nasceu em 6 de julho de 1975, em Goiânia/GO. Ganhou a medalha de ouro no Parapan de Toronto 2015 (Tiro com Arco Composto) e a medalha de ouro (Tênis de Mesa) no Parapan de Guadalajara 2011, no Parapan da Venezuela 2009 e no Rio de Janeiro 2007. Recebeu o troféu de melhor atleta da América em 2007, 2009 e 2011. Tem 11 títulos brasileiros no tênis de mesa. Foto: Divulgação/Nissan

Jane Karla tem 11 títulos brasileiros no tênis de mesa, esporte que praticou durante 11 anos. Com alterações na regras das competições, precisou mudar de cidade e abandonou a modalidade.

“Foi quando conheci o tiro com arco. Na primeira vez que atirei, o técnico disse que eu tinha jeito e me convidou para ir ao Parapan. Em janeiro de 2015, entrei para a confederação. Consegui a vaga para Toronto em uma seletiva e acabei trazendo o ouro para o Brasil. Treino oito horas por dia. Concilio com a rotina de casa, meus filhos e minha família”, diz.

Além da medalha de ouro no Parapan de Toronto 2015 (Tiro com Arco Composto), ela levou a medalha de ouro (Tênis de Mesa) no Parapan de Guadalajara 2011, no Parapan da Venezuela 2009 e no Rio de Janeiro 2007. E ainda recebeu o troféu de melhor atleta da América em 2007, 2009 e 2011.


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A principal meta para os Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, segundo Jane, é a concentração. “Venho me preparando para fazer o melhor. Já participei de duas paralimpíadas com o Tênis de Mesa, Pequim e Londres. É muito bom competir no meu País. Já vivi as competições, mas em outros países, com as torcidas para os adversários. Aqui, vamos contar com nossa torcida”, comemora a atleta.

O legado dos Jogos, em sua avaliação, será uma mudança de mentalidade. “A apresentação dos atletas, no Brasil, vai estimular outras crianças e pessoas à pratica do esporte”.

E o tal ‘exemplo de superação’, o retrato do ‘herói’, abordagem habitualmente usada pela mídia em geral quando um atleta com deficiência se torna conhecido, diminuindo todo o treinamento, empenho, fibra e qualidades desse atleta?

“Todos os atletas olímpicos e paralímpicos superam os próprios limites. Você treina muito. E isso vale para vida também. Temos que superar para chegar onde queremos. Existe a superação, mas também o alto rendimento. Acredito que a questão da superação não é apenas social. O atleta paralímpico se prepara e tem que superar limites, vencer barreiras”.

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