Estudantes criam conversor digital de texto para braile

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Estudantes criam conversor digital de texto para braile

Equipamento codifica palavras e transfere conteúdo para um sistema de pinos que se movimentam. Dispositivo também faz uma versão em áudio do que está escrito. Alunos têm 12 anos, foram premiados em uma feira escolar de inovação e vão participar de um programa internacional de empreendedorismo.

Luiz Alexandre Souza Ventura

11 de novembro de 2019 | 16h30


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Descrição da imagem #pracegover: Foto de Matheus Souza Orofino, Rafael Gomes de Souza Aranha e Lucas Eiki Yamada, todos com 12 anos, criadores do leitor digital que converte textos em língua portuguesa para braile. Crédito: Divulgação.


Três alunos do sétimo ano do Colégio Vital Brazil, em São Paulo, desenvolveram um leitor digital que converte textos em língua portuguesa para braile, principal sistema de alfabetização e de leitura para pessoas com deficiência visual.

Os estudantes Matheus Souza Orofino, Rafael Gomes de Souza Aranha e Lucas Eiki Yamada, todos com 12 anos, apresentaram o projeto na competição ‘InovaVital’ e foram premiados na categoria ensino fundamental. Os três vão participar de uma imersão de empreendedorismo no programa Young Entrepreneurs, promovido pela Volunteer Vacations.

“Uma amiga da minha família é cega e meu pai costumava ler os livros para ela, mas essa moça reclamava da falta de expressão sobre os personagens e de não conseguir interpretar as obras de maneira própria”, explica Matheus Orofino. “Quando surgiu o prêmio na escola, conversei com os meus dois amigos para tocarmos a ideia, porque gostamos de assuntos ligados a invenção e tecnologia”, conta o adolescente.

Apesar dessa experiência pessoal, nenhum dos três meninos tem uma relação direta com pessoas com deficiência visual. “Vamos mostrar o projeto para outra amiga que adora literatura e mora em Portugal, mas é brasileira. Ela é cega e precisa da ajuda da filha para ler as obras. Em dezembro, quando ela vier ao Brasil, faremos um teste com o nosso protótipo para ver como ela interage com a plataforma”, comenta o estudante.


Descrição da imagem #pracegover: Foto em zoom do leitor digital que converte textos em língua portuguesa para braile. Crédito: Reprodução.


ENSINAMENTO – Uma prima de Matheus tem nanismo e, segundo ele, é comum perguntarem como ela se adapta aos ambientes, além dos olhares indiscretos, algo que sempre incomoda.

“Quem não entende, acredita que é algo diferente, exótico ou simplesmente demonstram pena. Por isso, com esse trabalho, queremos mostrar que todos podem ter autonomia, fazer as próprias escolhas e que uma deficiência não é sinônimo de ineficiência”, afirma o menino.

“Desde que ganhamos o prêmio, muitos pais vieram nos procurar para conhecer o projeto. Estamos divulgando nas nossas redes sociais, acreditamos que isso nos trará mais possibilidades de testar em outros locais que atendam pessoas com deficiência visual. Também tentamos contato com algumas ONGs, mas sem respostas”, diz Matheus.



COMO FUNCIONA – Por meio de uma placa de arduino, o leitor digital recebe comandos em Código Morse. A codificação das palavras é registrada por 12 nano solenoides – pinos que se levantam simultaneamente, regulados por potenciômetros -, que formam as letras em braile e podem ser tocados. Também emitem sons em uma determinada sequência, representando cada letra do braile e criando a versão em áudio do documento.

“Vamos participar do Young Entrepreneurs e iremos aprimorar nossa ideia. Queremos montar um sistema de acessibilidade para pessoas com deficiência visual em aplicativos e nas páginas da internet”, diz Rafael Aranha.

“Nosso maior desejo é criar uma plataforma de alfabetização para crianças com deficiência visual. O Brasil tem poucas obras. Materiais em braile são raros e caros. Queremos o projeto acessível para quem usa e para quem quiser aplicá-lo em uma sala de aula ou até mesmo em casa”, completa Lucas Yamada.

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