Evento em oito cidades destaca a Esclerose Múltipla

Evento em oito cidades destaca a Esclerose Múltipla

Terceira edição do 'Pedale por uma Causa', organizado neste domingo, 27 de agosto, pela associação Amigos Múltiplos pela Esclerose (AME), é aberto ao público. Criado para ampliar o conhecimento sobre a doença, passeio ciclístico é promovido em São Paulo, Santo André, Pirassununga, Rio de Janeiro, Alfenas, Florianópolis, João Pessoa e Porto Alegre.

Luiz Alexandre Souza Ventura

22 Agosto 2017 | 09h00

Evento será simultâneo em oito cidades. Imagem: Reprodução

Evento será simultâneo em oito cidades. Imagem: Reprodução


A terceira edição do ‘Pedale por uma Causa’, passeio ciclístico criado pela associação Amigos Múltiplos pela Esclerose (AME), é promovido neste domingo, 27, de forma simultânea, em oito cidades de três regiões brasileiras (São Paulo, Santo André, Pirassununga, Rio de Janeiro, Alfenas, Florianópolis, João Pessoa e Porto Alegre). A meta é conscientizar sobre a Esclerose Múltipla, doença crônica e autoimune que atinge o sistema nervoso central. No Brasil, mais de 40 mil pessoas têm a doença. Em todo o planeta são 2.5 milhões de pessoas que enfrentam a EM.

As inscrições feitas na página do #AgostoLaranja (www.agostolaranja.org.br) estão esgotadas, mas o evento é aberto ao público, sem restrição de idade. Para participar, basta comparecer com sua bike. Haverá coleta de alimentos não perecíveis, que serão doados às entidades assistenciais. O percurso tem 2,5 quilômetros.

Amigos Múltiplos pela Esclerose trabalha para ampliar o conhecimento sobre a doença, que atinge jovens adultos no mundo inteiro. Imagem: Reprodução

A associação Amigos Múltiplos pela Esclerose (AME) trabalha para ampliar o conhecimento sobre a doença, que atinge jovens adultos no mundo inteiro. Imagem: Reprodução


“Desenvolver essa ação coloca em foco um tema sensível de forma leve e divertida. É uma oportunidade de dar voz à comunidade afetada pela doença e, ao mesmo tempo, conscientizar a população sobre os seus sinais, lembrando a importância do diagnóstico precoce”, afirma Gustavo San Martin, fundador da AME. “Este ano, com a campanha ampliada para oito cidades, a expectativa é reunir mais de 800 pessoas”.

No ano passado, o evento promovido em São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis e Porto Alegre reuniu aproximadamente 500 participantes e arrecadou mais de 500 quilos de alimentos.

Confira a lista de cidades e horários.

ALFENAS
Praça Getúlio Vargas
9h às 13h

FLORIANÓPOLIS
Parque de Coqueiros
Rua Capitão Euclídes de Castro, nº 188
9h às 13h

JOÃO PESSOA
Avenida Cabo Branco, nº 5160 (em frente estátua de Iemanjá)
7h às 11h

PIRASSUNUNGA
Clube Pirassununga
Rua Siqueira Campos, nº 2003, no Centro
9h às 13h

PORTO ALEGRE
Velódromo da Avenida Ipiranga, nº 1, na Praia de Belas
9h às 13h

RIO DE JANEIRO
Clube Israelita
Rua Barata Ribeiro, nº 489, em Copacabana
9h às 13h

SÃO PAULO
Club Athletico Paulistano
Rua Honduras, nº 1400, Jardim Paulista
9h às 13h

SANTO ANDRÉ
EMEIEF Luiz Gonzaga
Rua Ipanema, nº 253, Parque Erasmo Assunção
9h às 13h

Acesse a página AgostoLaranja.org.br (clique aqui). Imagem: Reprodução

Acesse a página AgostoLaranja.org.br. Imagem: Reprodução


A campanha AgostoLaranja.org.br foi criada para falar sobre diagnósticos, tratamentos e como conviver com doença neurológica que mais atinge jovens adultos no mundo inteiro. Para participar, use a hashtag #AgostoLaranja em selfies publicadas nas redes sociais usando roupas ou pintura de cor laranja, iluminação em prédios públicos ou qualquer outra imagem.

VACINAS – A discussão sobre distúrbios neurológicos provocados por vacinas é antiga. Entre as possibilidades reais, a tríplice viral (difteria, coqueluche e tétano) pode causar crises convulsivas em algumas crianças. E a primeira versão da vacina contra o H1N1, usada em 2009, desencadeou um surto da Síndrome de Guillain-Barré, doença aguda que afeta o sistema nervoso periférico.

Mais recentemente, surgiu a dúvida de que vacinas em geral poderiam causar Esclerose Múltipla. “Qualquer vacina provoca uma ativação do sistema imunológico. Se a pessoa já tem uma doença autoimune, em teoria, a presença da vacina pode ativar a imunidade contra a vacina e também contra a doença”, explica o neurologista Denis Bernardi Bichuetti em entrevista à AME – Amigos Múltiplos pela Esclerose.

“No caso específico da Esclerose Múltipla, a vacina não provoca a doença. A pessoa pode descobrir que tem a EM após tomar a vacina porque o medicamento ativou o sistema imunológico”, ressalta o médico. “O paciente com EM pode tomar todas as vacinas do calendário básico. Não há risco aumentado para essa pessoa”.

Denis Bernardi Bichuetti é neurologista e professor adjunto de neurologia na UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo). Imagem: Divulgação

Denis Bernardi Bichuetti é neurologista e professor adjunto de neurologia na UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo). Imagem: Divulgação


Entre as exceções, explica Bichuetti, está a vacina da Febre Amarela, porque o vírus da doença “adora cérebro” e existem casos raros nos quais essa vacina pode gerar lesão cerebral pela febre. “É a única com risco aumentado para um surto em pessoas que têm Esclerose Múltipla. Não se trata de uma contraindicação absoluta, mas ao paciente que vai viajar para uma área com risco de Febre Amarela, eu peço para não tomar a vacina, usar blusa com mangas compridas e passar repelente”.

Outra restrição apontada pelo neurologista para o paciente com EM, apesar da atual segurança das vacinas, considerando que elas ativam o sistema imunológico, é evitar a aplicação nos primeiros seis meses após uma crise. “Se o surto é recente, vale evitar para evitar outro surto”.

O terceiro ponto, destaca Denis Bichuetti, é que se o paciente faz uso de qualquer remédio imunossupressor, ele não pode receber vacinas com organismos vivos, entre as quais estão Febre Amarela, BCG (para Tuberculose), MMR (Sarampo/Caxumba/Rubéola), Herpes Zoster, Varicella Zoster e Cólera.

No que diz respeito à Esclerose Múltipla, os remédios são Teriflunomida, Fumarato, Fingolimode, Alentuzumabe e, talvez, Natalizumabe.

“Esses medicamentos baixam a imunidade. Se a pessoa toma a vacina que contém um vírus vivo, mesmo atenuado, mas o sistema imunológico desse paciente já está enfraquecido, ele pode ter a manifestação da doença”, finaliza Bichuetti.

Tabela orienta pessoas com Esclerose Múltipla sobre o uso de vacinas. Imagem: Reprodução

SAIBA MAIS – Uma vacina é uma preparação biológica que fornece imunidade para uma doença particular. Contém um agente que se assemelha ao microrganismo causador da doenças e, muitas vezes, é compostor de formas enfraquecidas ou mortas do micróbio, suas toxinas ou proteínas de superfície.

O agente estimula o sistema imunológico do corpo para reconhecê-lo como uma ameaça, destruí-lo e a manter um registro dele para ser reconhecido e destruído quando for novamente encontrado e identificado.

A eficácia da vacinação tem sido amplamente estudada e verificada. A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que as vacinas licenciadas estão atualmente disponíveis para prevenir ou contribuir para a prevenção e controle de 25 infecções.

Os termos ‘vacina’ e ‘vacinação’ são derivados de Variolae vacinae (varíola da vaca), nomenclatura inventada por Edward Jenner – naturalista e médico britânico (1749/1823) – para destacar a varíola bovina. Em 1881, para homenagear Jenner, o cientista francês Louis Pasteur (1822/1895) propôs que os termos fossem estendidos para cobrir as proteções em desenvolvimento na época.

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