Evolução da acessibilidade na Alexa

Evolução da acessibilidade na Alexa

Novos fones de ouvido com inteligência artificial ampliam mobilidade e privacidade da assistente virtual da Amazon, mas é bom ter cuidado em áreas externas.

Luiz Alexandre Souza Ventura

04 de maio de 2022 | 13h26

Foto de Sara Bentes com a mão sobre o dispositivo Echo com Alexa. Sara é uma mulher branca, com cabelos longos e cacheados, veste casaco colorido sobre camisa branca, está sentada e sorri.

Sara Bentes, cantora, compositora, escritora e atriz, que é cega, contou detalhes de seu dia a dia com a Alexa e falou sobre as skills que mais usa. Foto: Reprodução.


A Alexa, assistente virtual da Amazon, tem mais de duas mil funcionalidades, ou skills. É uma lista bem grande de possibilidades e recursos para executar tarefas que podem trazer acessibilidade à rotina, se você quiser que seja assim, e agilizar ações comuns, como ligar a luz, ouvir notícias ou música em uma emissora de rádio, acionar equipamentos, obter informações, pesquisar ou estudar.

Isso pode ser feito diretamente em dispositivos específicos ou por meio do aplicativo instalado no notebook, computador desktop e também no smartphone.

No caso das pessoas com deficiência, é uma parceira muito útil, em casa ou na rua, mesmo se você não usar os recursos de acessibilidade específicos. Com a chegada dos Echo Buds, os fones de ouvido sem fio, com inteligência artificial, que permitem acionar a Alexa e todas as suas skills sem colocar as mãos em qualquer equipamento, mobilidade e privacidade foram ampliadas.

A pedido do blog Vencer Limites, a cantora, compositora, escritora e atriz Sara Bentes, que é cega, contou detalhes de seu dia a dia com a Alexa e falou sobre as skills que mais usa.

“Uso a Alexa há dois anos. Fui uma das embaixadoras do Prêmio Alexa de Acessibilidade e fiz uma pesquisa aprofundada para gravar vídeos que mostravam como ela ajuda no dia a dia, em relação à acessibilidade. E estou com os Echo Buds há um mês, aprendendo e explorando bastante. A inteligência artificial, com o comando de voz, torna tudo muito mais acessível. Não preciso pegar nenhum equipamento e ou usar a tela. Isso é muito bom para quem não enxerga e também para quem tem restrições de movimentos nas mãos, limitações, dificuldade de coordenação, o que é, por si só, uma grande solução”, diz Sara.

“Trabalho em casa e falo com a Alexa o dia inteiro. Ouço notícias, pergunto a hora, a temperatura, a previsão do tempo para o mesmo dia ou para o dia seguinte. Viajo muito e sempre pergunto a distância entre cidades e lugares. São coisas que eu poderia pesquisar no celular, mas usando apenas a voz é muito mais rápido. Uma pessoa com deficiência visual que faz isso no smartphone demora mais para obter a informação e ‘gasta mais dedo’ porque os comandos do leitor de tela no touch screen são diferentes, exigem mais toques, mais movimentos com dedos e mãos, o que acaba afetando minha tendinite. Falar ao invés de digitar é muito mais saudável e muito mais rápido”, conta.

Sara Bentes destaca “duas coisas maravilhosas” que faz com a Alexa. Uma é a leitura dos eBooks no Kindle. “Ela lê enquanto eu faço outras coisas, inclusive tarefas de casa (Sara vive sozinha)”, diz. A outra está relacionada ao trabalho de escritora. “Como muitas pessos cegas que não foram alfabetizadas em braile e tiveram, principalmente no período escolar, muito mais contato com o áudio do que com a ortotgrafia, tenho muitas dúvidas. Então, estou escrevendo no notebook e peço ‘Alexa, soletra tal palavra’. Adoro, porque agiliza muito o trabalho. Além de consultar o dicionário, pedindo o significado das palavras. Ainda que existam dicionários online, é muito mais simples usar a voz”.

A rotina de cantora também é facilitada, diz Sara. “Enquanto estou ensaiando ou dando aula online de canto e preciso de uma informação sobre determinada música, eu só preciso pedir para a Alexa tocar a música”, comenta.

Fones de ouvido – Sara explica que usa os Echo Buds em casa, ainda não testou na rua, para as mesmas funções que já relatou. “O cancelamento de ruído é maravilhoso e preciso até manter atenção para não usar o tempo todo porque a audição é meu principal canal de comunicação com o mundo e preciso saber o que acontece ao redor”, esclarece.

O blog Vencer Limites já testou os Echo Buds (2ª Geração) em ambientes internos e externos, acionando a Alexa pelo app no smartphone. É ótimo e funciona bem. Você pode até ter a sensação de estar em um filme de ficção científica.

A qualidade do som é um destaque. E, conforme o relato de Sara Bentes, o cancelamento de ruído é realmente um diferencial que permite fazer gravações em áudio ou vídeo, ouvir músicas ou assistir filmes em praticamente qualquer lugar, independentemente do sons no ambiente.

Para encaixar na orelha, o dispositivo tem quatro pares de ponteiras com tamanhos variados. E os ganchos de fixação, uma espécie de capa de borracha com uma pequena trava, ajudam a manter o equipamento parado. Apesar disso, é prudente ajustar bem essa fixação e, antes de sair de casa, sacudir a cabeça para verificar se os fones estão bem encaixados. Quase perdemos um dos fones, que se despendeu da orelha e quicou pela calçada até bem perto de um bueiro.

Recursos de acessibilidade – Todas as skills da Alexa que Sara Bentes destacou até agora não fazem parte dos recursos de acessibilidade específicos para pessoas com deficiência, o que comprova a importância do desenho universal e reforça a defesa da usabilidade para qualquer indivíduo, mas a atriz destaca uma funcionalidade que faz toda a diferença para quem não enxerga.

“Eu ativei o som quando chamo o nome Alexa. Não tenho como saber se ela foi realmente acionada porque não vejo a iluminação que confirma o acionamento. Antes, eu não sabia se ela me ouvia e ficava falando sozinha. Então, pelo aplicativo, eu configurei o som para confirmar que ela me escutou. Uso também, com menos frequência, as skills para pessoas com deficiência visual, como a descrição de quadros e o jogo do braile”, explica Sara.

Dispositivos – A Alexa pode ser acionada por meio do app (Android, iOS e Windows) ou pelos dispositivos específicos Echo Dot 3ª e 4ª gerações, Echo Dot 4ª Geração com relógio, Echo Show 5 (1ª Geração), Echo Show 5 (2ª Geração), Echo Show 8 (1ª Geração), Echo Show 8 (2ª Geração), Echo Studio, Echo Show 10, Echo Buds (com estojo de recarga com fio), Echo Buds (com estojo de recarga sem fio), Fire TV Stick Lite, Fire TV Stick, Fire TV Stick 4k e controle remoto por voz com Alexa.



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