Exercícios de movimento ajudam crianças autistas

Exercícios de movimento ajudam crianças autistas

Atividades físicas e fisioterapêuticas específicas melhoram habilidades para conquista de independência. Universidade faz atendimento gratuito, dá apoio às famílias e orientação à distância. "Há mais chances de terem respostas assertivas e diminuição de comportamentos como as agressões", explica a coordenadora do projeto.

Luiz Alexandre Souza Ventura

10 de junho de 2021 | 15h15

Criança faz desenho em quadro branco com caneta azul.

As atividades desenvolvidas pelo projeto ‘TEA em Movimento’ têm base em evidência e em exercícios de movimento. Foto: Divulgação / Raiane Baltar (descrição da imagem em texto alternativo).


“Os efeitos dos exercícios de movimento nas crianças e nos adolescentes autistas ajudam a melhorar o comportamento, que é um problema central e preocupante. Com isso, há mais chances de terem respostas assertivas e diminuição de comportamentos como agressões”, explica a fisioterapeuta Carolina Quedas, coordenadora dos cursos de Fisioterapia e Educação Física da Faculdade Anhanguera

A professora é idealizadora do projeto TEA em Movimento, que funciona há um ano na unidade de Osasco (SP) e atende gratuitamente crianças e adolescentes autista para promover o desenvolvimento motor, avaliativo e de intervenção, voltados a atividades físicas e fisioterapêuticas.


Criança faz exercício com os braços em aparelho cicloergômetro.

Objetivo das atividades é que a criança tenha o maior tipo de vivência motora possível. Foto: Divulgação / Raiane Baltar (descrição da imagem em texto alternativo).


“As atividades desenvolvidas pelo projeto ‘TEA em Movimento’ têm base em evidência e em exercícios de movimento. Usamos documentos publicados pelo Centro Nacional de Desenvolvimento Profissional sobre Transtorno do Espectro Autista (National Professional Development Center on Autism Spectrum – NPDC), que trazem as práticas de movimento”, diz Carolina.

O NPDC é um programa do Instituto Frank Porter Graham de Desenvolvimento Infantil, da Universidade da Carolina do Norte, na cidade de Chapel Hill, no Estados Unidos.

“Desta forma, temos base cientifica nos exercícios em movimento e atividades de correr, saltar, manejar objetos, como também o desenvolvimento da coordenação motora global e fina, equilíbrio, agilidade, destreza e atividades aeróbicas”, esclarece a professora, que é mestre e doutora em distúrbios do desenvolvimento, com ênfase em avaliação e intervenção em habilidades motoras em crianças autistas.


Grupo de crianças e fisioterapeutas está em uma área externa. Crianças estão sentadas em cadeiras de plástico, manuseando objetos sobre uma mesa. Adultos estão agachados. Ao fundo, um menina pula em uma cama elástica.

Atendimento presencial é feito exclusivamente em Osasco, mas quem não consegue ir até a faculdade, mora em outras cidades ou estados, pode buscar orientação à distância. Foto: Divulgação / Raiane Baltar (descrição da imagem em texto alternativo).


Carolina Quedas comenta que o objetivo das atividades é que a criança tenha o maior tipo de vivência motora possível. “Além disso, elas passam por uma avaliação, verificação do atraso do desenvolvimento motor de atraso, tanto global, quanto fino, em que podemos verificar o tônus muscular e alterações motoras e posturais. Mais de 60% dos autistas entre 2 e 6 anos apresentam atraso na hipotonia muscular. A hipotonia muscular, ou tônus muscular, é a base do nosso corpo, estando diretamente ligado ao movimento. Então, trabalhamos muito o tônus em atividades que auxiliam o fortalecimento e que automaticamente tem relação com o equilíbrio e melhora da atenção das crianças”, diz a fisioterapeuta.

Resultados – O resultado, afirma Carolina, é uma melhora no comportamento das crianças e adolescentes. “Temos relatos sobre a melhora em relação a atividades que não eram realizadas anteriormente. Por exemplo, crianças menores de 3 anos que não tinham o movimento de pinça para pegar uma colher e comer, hoje estão conseguindo. Então, os resultados estão tanto no movimento, quanto na melhora das aquisições de habilidades diárias para que se tornem futuramente mais independentes”.

Tempo – De acordo com a coordenadora, o tempo de tratamento necessário depende da criança ou adolescente, e também do que a família continua fazendo em casa. “Orientamos a família a estimular a área motora fora do espaço do projeto. Nenhum autista é igual ou tem uma evolução semelhante ao outro. Sabemos que a intervenção modifica, então buscamos intervir, principalmente na área motora, para poder ter resultados futuros”.


Criança está deitada de bruços sobre uma bola, com os braços e as pernas esticados, segurados por duas fisioterapeutas.

Tempo de tratamento necessário depende da criança ou adolescente, e também do que a família continua fazendo em casa. Foto: Divulgação / Raiane Baltar (descrição da imagem em texto alternativo).


Orientação à distância – O atendimento presencial é feito exclusivamente em Osasco, mas quem não consegue ir até a faculdade, mora em outras cidades ou estados, pode buscar orientação à distância pelos telefones (11) 3699-9046 / 49.

“É sempre bom que as famílias busquem profissionais especializados na área motora, tanto como fisioterapeutas e profissionais de Educação Física e psicomotricistas, para que possam obter um aporte maior de intervenção, a fim de que os resultados sejam melhores e assertivos com o apoio dos profissionais fora do ambiente do projeto. Uma coisa importante é a supervisão dentro do mundo do espectro autista. Normalmente, o profissional da área motora busca um colega para orientar o trabalho, qual caminho seguir, trocar informações”, completa Carolina Quedas, que compartilha informações sobre o tema no Instagram @draCarolinaQuedas e também no canal TEA em Movimento por Dra Carolina Quedas no YouTube.


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