Friday, a prótese campeã

Friday, a prótese campeã

Inspirado em filmes e mangás de Cyberpunk, como Ghost in the shell e Neuromancer, estudante de escola pública do Ceará vence competição de ciências em São Paulo com projeto de baixo custo para pessoas com deficiência. Dispositivo premiado na FeNaDante tem peças produzidas em impressora 3D, pode ser controlado por bluetooth, Wifi, luva ou sensores de voz e movimentos. Jovem foi certificado para participar de olimpíada científica internacional.

Luiz Alexandre Souza Ventura

05 de outubro de 2019 | 12h25


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Descrição da imagem #pracegover: Foto dupla. No lado direito, duas próteses de antebraço e mão. No lado esquerdo, o estudante Thiago Costa Moreira, que tem 18 anos, usa óculos, tem pele branca, cabelos curtos e escuros, veste uma camisa azul com as mangas dobradas. Está sentado, sorrindo e olhando para a câmera, segura um certificado com a mão direita e um troféu com a mão esquerda, ambos referentes à sua vitória na FeNaDante. Crédito: Arquivo Pessoal.


O estudante Thiago Costa Moreira, de 18 anos, que cursa o terceiro ano do ensino médio na Escola Estadual de Educação Profissional (EEEP) Avelino Magalhães, em Tabuleiro do Norte, região leste do Ceará, a 211 quilômetros de Fortaleza, foi um dos vencedores da 1ª FeNaDante, a Feira Nacional de Ciência e Tecnologia Dante Alighieri, organizada em setembro pelo Colégio Dante Alighieri, em São Paulo.

O jovem apresentou na competição o projeto ‘Friday’, uma prótese de baixo custo, microcontrolada por bluetooth, Wifi, sensor de voz, luva espelho e ou sensor EMG (eletromiográfico), que usa linguagem C++ e funciona como um equipamento de proteção individual (E.P.I) para evitar acidentes de trabalho. É produzida com materiais resistentes, tem variações para membros superiores com limitações de movimentos (Friday EXO) e para membros inferiores (Tuesday), além de uma impressora 3D (Batou) para fabricar as próteses.

“Vencer na FeNaDante foi uma surpresa, principalmente por engenharia ser uma categoria tão concorrida e com ótimos e diversos projetos”, diz Thiago. Além de troféu e medalha, ele foi certificado para participar, em 2020, da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE), uma das principais olimpíadas científicas internacionais realizadas no Brasil.



“A ideia surgiu a partir de algumas referências pessoais de filmes e mangás, principalmente aqueles que abordava o cenário Cyberpunk, como Ghost in the shell e Neuromancer. Neles, eu percebi muito essa visão da evolução da tecnologia e, em contrapartida, a desigualdade existente na sua distribuição”, conta o estudante.

“Me aprofundei em pesquisas envolvendo a biomecânica e a robótica, encontrando uma videopalestra do Hugh Herr na qual ele apresentava sua história de vida e o desenvolvimento de próteses”, relata Thiago.

Hugh Herr é o fundador da primeira instituição que tenta criar interação entre tecnologia neural e biomecânica, fazendo com que ele se tornasse uma das principais inspirações para o meu interesse pela área e pela tentativa de criação de métodos viáveis para construção de próteses”, comenta o jovem cientista.



O PROJETO – Friday é uma prótese microcontrolada de baixo custo permite ao usuário desempenhar atividades manuais por meio de diversos módulos de controle, como Bluetooth, Wifi, filtro de ruído muscular, sensor de voz e uma luva que espelha os movimentos do usuário. Funciona também como um equipamento de proteção individual para prevenir possíveis acidentes de trabalho.

Foi construída a partir de materiais como poliácido láctico e policloreto de vinila. E a programação foi feita a partir da linguagem C++, aplicada para o controle dos nervos motores e seus ângulos, de acordo com alguns dos possíveis comandos escolhidos.

Com base nos materiais e processos de construção, testes com indivíduos com deficiências em membros superiores estão em andamento para avaliar pontos positivos já alcançados e determinar limitações que ainda precisam ser reformuladas no protótipo, priorizando a opinião e análise desses usuários.



#blogVencerLimites – Você já mantinha alguma relação com o universo das pessoas com deficiência?

Thiago Costa Moreira – Na teoria, sim. Ao ver minha mãe, como educadora física, estudando sobre as funções musculares, acabei me interessando sobre como ocorria o processo de amputações e seus efeitos nos indícios físicos ou psicológicos. Porém, na prática, só tive acesso durante a realização da pesquisa, na qual acabei conhecendo alguns indivíduos que viviam essa realidade e que colaboraram para o desenvolvimento da pesquisa.

#blogVencerLimites – Qual é a lição mais valiosa que você aprendeu ao criar esse projeto?

Thiago Costa Moreira – A lição mais valiosa que aprendi foi a importância de tentar ajudar algum grupo minoritário que enfrente qualquer tipo de desigualdade através de uma ideia, por mais simples que ela seja. Se houver paixão e determinação para ajudar o próximo, é possível se surpreender com o resultado alcançado.

Hoje, sinto muito orgulho ao ver um indivíduo que não tinha um membro superior e que possuia certas dificuldades em algumas tarefas do dia a dia utilizando um protótipo de prótese feito por nossa equipe, criando a expectativa de, no futuro, conseguir criar um produto já pronto para o uso de forma a melhorar a qualidade de vida daquele sujeito.

#blogVencerLimites – Você tem outras ideais de tecnologia assistiva para colocar em prática? Quais são?

Thiago Costa Moreira – Atualmente, nossa equipe tem alguns trabalhos em andamento.

BATOU – Impressora 3D de baixo custo feita a partir de materiais simples e baratos e que ajuda na construção de próteses de baixo custo.

TUESDAY – Ferramenta que ajuda na reabilitação de indivíduos que necessitam de fisioterapia por limitação de algum movimento, mas têm pouco acesso ao serviço.

QUIZ MATEMÁTICO – Aplicativo que nossa equipe desenvolveu, um banco de dados com questões relacionados a avaliações externas que a nossa escola participa, com o objetivo de ajudar os alunos a terem uma maior variedade de questões para o estudo e o acompanhamento e suporte do aplicativo.

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