Ganhar dinheiro com a inclusão de pessoas com deficiência no lazer e na cultura

Ganhar dinheiro com a inclusão de pessoas com deficiência no lazer e na cultura

Está constatado que a inclusão neste dois setores amplia o público pagante e garante aumento nos ganhos do empreendimento. É um grande equívoco considerar que o cidadão com deficiência busca vantagens a partir de sua condição e quer tudo de graça.

Luiz Alexandre Souza Ventura

10 de março de 2016 | 15h30

Lazer e transporte acessíveis precisam evoluir juntos. Imagem: Reprodução

Lazer e transporte acessíveis precisam evoluir juntos. Imagem: Reprodução

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Está errado quem imagina que apostar na inclusão de pessoas com deficiência é um gasto extra que não traz nenhum retorno financeiro. Assim como é um grande equívoco considerar que o cidadão com deficiência busca vantagens a partir de sua condição e quer tudo de graça.

A meta principal da pessoa com deficiência é a inclusão, com independência e autonomia, em educação, trabalho, saúde, entretenimento, esporte, cultura, lazer, etc.

Apesar de todos os esforços de instituições públicas e privadas, de pessoas de todos os níveis sociais, de ações que buscam aumentar o conhecimento, ainda há quem pense que acessibilidade é uma ‘vantagem desleal’, um benefício para poucos, que usam características físicas, cognitivas e sensoriais para obter exclusividade.

Tratando especificamente de lazer e cultura, está constatado que a inclusão neste dois setores amplia o público pagante e garante aumento nos ganhos do empreendimento.

“Trazer esse público para os espaços de lazer melhora a autoestima das pessoas, a qualidade de vida e a saúde. Não podemos deixar de tocar num tabú: ganhar dinheiro com os estabelecimentos adequados para pessoas com deficiência. Nas minhas viagens pelo Brasil e fora do País, pessoas me falam que não querem gratuidades, mas sim acessibilidade arquitetônica, atitudinal e comunicacional, na cultura, no esporte e no lazer”, afirma Rotechild Prestes, presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência de Porto Alegre, que participou nesta quarta-feira, 9, de um debate online promovido pelo projeto ‘Diversidade na Rua’, da Mercur.

Um exemplo dos resultados dessa inclusão, já citado algumas vezes aqui no blog Vencer Limites, é a peça de teatro ‘Tribos’, em cartaz no TUCA (Teatro da Universidade Católica), da PUC/SP.

Produzido e estrelado pelo ator Antônio Fagundes, o espetáculo tem, desde a estreia do espetáculo em 2013, sessões com Libras (Língua Brasileira de Sinais), audiodescrição e legendas, ao menos uma vez por mês em São Paulo, e no mínimo uma vez por semana durante a turnê por outras cidades.

Fagundes e seu filho Bruno, que também está na produção da peça, investiram dinheiro próprio nesse trabalho e afirma que, no primeiro mês com o espetáculo em cartaz, esse investimento já estava pago. É uma comprovação que os recursos de acessibilidade garantem mais público ao teatro.

Para Rotechild Prestes, nada pode ser concebido sem inclusão de fato no teatro, cinema, clubes e praças de acessibilidade. “Isso vale principalmente para onde tem recurso público. O lazer é um direito nosso. E, cada vez mais, precisamos cobrar e ajudar os empresários e o governo a compreenderem que acessibilidade é bom para tudo’, diz.

Prestes ressalta que o lazer inclusive também é ofertar atividades que promovam a integração das pessoas com e sem deficiência, por meio de atividades sociais, recreativas, culturais e esportivas, estimulando a adoção de um estilo de vida mais ativo e saudável.

“Um dos fatores que impedem mais acesso pessoas com deficiência ao lazer é o transporte urbano. Já temos bons exemplos de ônibus em Curitiba com lugares para dez cadeirantes. Quanto mais acessível são os espaços, mais todos participam. Na Arena Porto Alegre, por exemplo, o lazer esportivo é respeitado”, comenta.

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