“Grito no travesseiro e parece que o planeta inteiro treme com meu desamparo”

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Famílias de pessoas com deficiência que permanecem na Ucrânia contam como sobrevivem após um mês de guerra. Documento da instituição internacional Inclusion Europe tem dezenas de relatos enviados por email, mensagens e telefonemas.

Luiz Alexandre Souza Ventura

25 de março de 2022 | 17h36

Foto de uma pessoa com deficiência intelectual em um porão, rodeada de itens amontoados, casacos e colchões.

Aproximadamente 2,7 milhões de pessoas com deficiência vivem na Ucrânia. Após um mês de guerra, não há informação sobre quantas foram resgatadas ou quantas pereceram. Foto: Inclusion Europe.


Um documento publicado pela instituição internacional Inclusion Europe reúne dezenas de relatos de famílias de pessoas com deficiência da Ucrânia que permanecem no país. As mensagens foram enviadas por email, aplicativos e telefonemas.

O relatório de 24 páginas, em inglês, está organizado por região e apresentado em ordem cronológica para mostrar como a situação evoluiu.

Aproximadamente 2,7 milhões de pessoas com deficiência vivem na Ucrânia. Um mês após a invasão da Rússia e começo da guerra, não há nenhuma informação sobre quantas foram resgatadas ou pereceram.

Leia trechos:

“As crianças estão trancadas entre quatro paredes, não têm comunicação adequada. Após as explosões, muitas pessoas têm medo de sair às ruas. Todas as nossas conquistas deram em nada”.

“O maior problema que temos é uma de nossas famílias com duas crianças com deficiência intelectual. Eles agora estão desabrigados após a explosão de um foguete. Essa família partiu para a aldeia da região. Não há para onde voltar, a casa está destruída.”

“As famílias têm medo de deixar crianças e idosos sair para comprar comida e medicamentos necessários. A situação é alarmante. Crianças autistas tornam-se agressivas. Crianças com síndrome de Down caíram em uma depressão profunda.”

“Falta comida, remédios e combustível. Organizações voluntárias tentam organizar a assistência. Alarmes aéreos são constantemente ouvidos, greves são realizadas. Muitas pessoas ficaram desabrigadas (casas destruídas, sem aquecimento, luz, água). Muitas famílias com crianças com deficiência permanecem”.

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