Hand Talk inverte acessibilidade e cria tecnologia que transforma Libras em áudio

Hand Talk inverte acessibilidade e cria tecnologia que transforma Libras em áudio

Novo sistema, chamado de 'Motion', será usado em smartphones e tablets, foi desenvolvido ao longo de dois anos e deve entrar na lista de produtos da startup até dezembro. Empresa também abriu sua plataforma para contribuição coletiva.

Luiz Alexandre Souza Ventura

01 de setembro de 2021 | 10h40

Foto de uma mulher fazendo sinais de Libras. Imagem tem riscos sobre o corpo da mulher, demostrando o sistema que reconhece movimentos.

Sistema ‘Motion’ já tem 1 milhão de contribuições. Crédito: Divulgação.


Um novo sistema que transforma em áudio os movimentos da Língua Brasileira de Sinais e da American Sign Language (ASL) deve entrar para a lista de produtos da startup Hand Talk até o final deste ano.

“Acredito que o ‘Motion’ será a nossa tecnologia mais disruptiva até hoje”, afirma Ronaldo Tenório, CEO da Hand Talk. “O surdo quer ser compreendido”, diz o executivo.

A ferramenta foi desenvolvida ao longo dos últimos dois anos e se tornou possível porque os recursos atuais são mais robustos. “A tecnologia de Inteligência Artificial está muito melhor, as câmeras estão melhores e os processadores estão mais fortes”, explica Tenório.

“Ter qualidade e ser escalável é fundamental”, destaca o especialista. “Muita tecnologia para reconhecer movimentos está surgindo em todo o mundo, mas a maioria é simplista e não atende de fato às necessidades de acessibilidade”, ressalta Tenório. “Precisamos observar a complexidade da tradução de uma ou várias línguas”, afirma o CEO da Hand Talk.

A startup vai atingir em breve a marca de 2 bilhões de palavras traduzidas por seus sistemas – o plugin para websites e o aplicativo para dispositivos mobile. São 50 milhões de palavras por mês e 600 websites no Brasil.

“Para o Motion, já temos um milhão de contribuições, que são transformadas em informações no app, inclusive com tradução de sentenças. E o próprio usuário vai conseguir incluir sinais”, esclarece Tenório.

Outra novidade da startup é a abertura para contribuição coletiva da plataforma Community. “É o cérebro da Hand Talk”, diz Ronaldo Tenório. “São dezenas de voluntários inserindo informações”.

O CEO da Hand Talk chama atenção para o momento da Inteligência Artificial. “É o presente, algo magnífico, mas nós somos os guias. Precisa ter empatia e conhecimento sobre o universo da pessoa com deficiência”, defende.

“Acessibilidade é uma jornada. O que você faz é acessível para quem? Está acessível em língua de sinais? Então, é mais acessível. É essencial pensa em acessibilidade no momento zero, na concepção do projeto”, completa Ronaldo Tenório.


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