Homem luta por diagnóstico e tratamento de doença rara que acelera envelhecimento

Homem luta por diagnóstico e tratamento de doença rara que acelera envelhecimento

"Fui acusado de tentar dar golpe para me aposentar, mas o que busco é ajuda para não morrer", diz André Borges das Neves, de 37 anos, morador de Valparaíso de Goiás. Ele enfrenta problemas graves no coração, pulmões e rins, não consegue trabalhar e aguarda atendimento na rede municipal de saúde. Prefeitura não dá nenhuma informação.

Luiz Alexandre Souza Ventura

27 de dezembro de 2021 | 11h14

Montagem com dias fotos. Na imagem maior, um homem jovem, de cabelos pretos e óculos escuros. Na imagem menor, o mesmo homem, envelhecido. Imagens foram feitas em 2015 e 2021.

Imagem maior, feita em 2015, mostra André aos 31 anos, antes do início do processo de envelhecimento. Imagem menor, feita em novembro de 2021, mostra André aos 37 anos. Crédito: Arquivo Pessoal – André Borges das Neves / Montagem: blog Vencer Limites.


André Borges das Neves, de 37 anos, morador de Valparaíso de Goiás (GO), enfrenta desde 2015 as sequelas de um envelhecimento precoce que já compromete sua mobilidade e causa problemas graves no coração, pulmões e rins. Sem condições de trabalhar, ele não conseguiu mais pagar o plano de saúde e procurou a rede pública municipal, mas está em uma lista de espera, sem previsão de data para atendimento.

Com a ajuda das irmãs, André passou neste mês pela avaliação de um médico nefrologista, que confirmou o quadro e indicou um exame de DNA. A principal suspeita é de síndrome de Werner.

“A partir de 2015, comecei a envelhecer e adoecer de forma inexplicável. Em 2019, aos 34 anos, fui internado às pressas por causa de uma infecção pulmonar generalizada. Na época, o médico disse que não era comum uma pessoa da minha idade ter esse problema com tanta intensidade. Nunca fumei ou usei entorpecentes”, afirma André.

“Fiz vários exames e passei por diversas consultas até receber o diagnóstico de miocardiopatia dilatada, sopro no coração e insuficiência cardíaca. Eu ainda tinha plano de saúde e estava sendo atendido, mas não conseguia mais trabalhar e pagar. Então, comecei a luta no sistema público de Valparaíso de Goiás”, diz.

No dia 6 de agosto de 2020, às 23h, em processo de infarto, André foi internado no hospital municipal de Valparaíso de Goiás.

“Fiquei um ano me consultando com o único cardiologista da rede pública da cidade, até que ele disse não ter mais gabarito para continuar me atendendo e mandou que eu procurasse um arritmologista na rede particular”, relata.

A avaliação particular, somando os exames, custou R$ 5 mil, que foi bancada pelas irmãs de André. E o médico o encaminhou de volta à rede pública. “Ele explicou que os valores dos tratamentos seriam exorbitantes, que preciso de um marca-passo ou até de um transplante cardíaco”, conta.

Em 16 de setembro de 2020, André foi novamente para o hospital, atendido na emergência com diabetes e insuficiência renal crônica.

“Fui à secretaria da Saúde e quase acionei a Justiça, por meio do Ministério Público e da Defensoria Pública. Me colocaram em uma fila de espera para mandar o caso a Goiânia, mas até hoje não obtive retorno. E o cardiologista que me atende em Valparaíso de Goiás disse para a assessora jurídica da secretaria que eu queria apenas um papel para me aposentar. O que eu preciso é de ajuda para não morrer”, diz.

André tem 1,60m de altura, pesa atualmente 46kg e já usa uma bengala para ajudar na mobilidade. A família solicitou orçamentos em quatro laboratórios para fazer o exame de DNA. Os preços variam entre R$ 8.500 a R$ 15.900.

“Moro a 30 quilômetros de Brasília, mas lá ninguém me atende porque minha cidade faz parte do Estado de Goiás. Dizem que preciso ir para Goiânia, que fica há 200 quilômetros. Estou em desespero para poder ter o acompanhamento correto e tratar meus problemas. Tenho 37 anos, mas estou mais velho do que meu pai, de 72”, desabafa.

Resposta – O blog Vencer Limites pediu explicações à Prefeitura de Valparaíso de Goiás há mais de um mês. A assessoria de comunicação informou que a secretaria de Saúde não respondeu.


Laudo emitido por médico nefrologista atesta problemas cardíacos, pulmonares e renais.

Laudo emitido por médico nefrologista atesta problemas cardíacos, pulmonares e renais. Crédito: Arquivo Pessoal / André Borges das Neves.


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