Inclusão do Brasil para o mundo

Inclusão do Brasil para o mundo

Egalitê, empresa de Porto Alegre especializada na colocação de profissionais com deficiência no mercado de trabalho, primeira do País a ganhar o prêmio internacional Zero Project, leva sua experiência para Chile, Nigéria e Bangladesh.

Luiz Alexandre Souza Ventura

10 de dezembro de 2020 | 12h17

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Foto de Guilherme Braga, diretor da Egalitê, homem branco, de 34 anos, que tem cabelos curtos, lisos e castanhos, e barba serrada castanha. Ele veste calça jeans e camisa xadrez azul e branca. Está em pé, sorrindo e olhando para a câmera, com o braço esquerdo apoiado sobre um banner vertical com a logomarca da Egalitê. Ao fundo, um escritório com pessoas trabalhando. Crédito: Reprodução.

Descrição da imagem #pracegover: Foto de Guilherme Braga, diretor da Egalité, homem branco, de 34 anos, que tem cabelos curtos, lisos e castanhos, e barba serrada castanha. Ele veste calça jeans e camisa xadrez azul e branca. Está em pé, sorrindo e olhando para a câmera, com o braço esquerdo apoiado sobre um banner vertical com a logomarca da Egalitê. Ao fundo, um escritório com pessoas trabalhando. Crédito: Reprodução.


“O ano de 2020 foi extremamente desafiador e o primeiro trimestre de 2021 deve ser complicado, mas acredito em uma retomada, no aumento da inclusão e num saldo positivo”, afirma Gulherme Braga, de 34 anos, fundador e diretor da Egalitê, empresa de Porto Alegre criada há dez anos, especializada na inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, que acaba de ganhar o prêmio internacional Zero Project, iniciativa da Austrian Essl Foundation, em conjunto com o World Future Council e o European Foundation Center, com foco nos direitos das pessoas com deficiência em todo o mundo.

Entre os frutos desse reconhecimento estão convites para atuar no Chile, país que tem uma lei de cotas semelhante à legislação brasileira, por meio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID e da Fundación Descubreme, além de projetos na Nigéria, país na África Ocidental na região do Golfo da Guiné, e em Bangladesh, nação do sul da Ásia, a leste da Índia, no Golfo de Bengala.

A Egalitê é uma HRtech, usa a tecnologia para aumentar eficiência e inteligência do setor de recursos humanos com automatização e digitalização dos processos. Ganhou o prêmio Zero Project por sua plataforma de recrutamento online – egalite.com.br -, que possibilita uma avaliação técnica e comportamental dos candidatos.

“Nossa plataforma tem cinco anos, com foco no potencial do candidato. Temos 65 mil inscritos e 300 empresas apresentando vagas. Nos últimos três anos, conseguimos ampliar a oferta de cargos mais estratégicos, de liderança”, diz Gulherme Braga.

“Um exemplo desse avanço foi o processo de uma indústria química que buscava um profissional com pelo menos cinco anos de experiência e formação específica na área. Nossa candidata foi contratada e ainda conseguimos incluir nessa empresa, para outra vaga, de liderança, uma profissional que havia abandonado a carreira de executiva por falta oportunidades com qualidade”, conta o diretor.

Em 2013, a Egalitê abriu um escritório em São Paulo para ampliar sua participação no mercado nacional. Segundo Braga, a empresa atua em três bases – recrutamento, cultura inclusiva e acessibilidade -, faz o acompanhamento do profissional com deficiência para vencer as barreiras que ainda são muito fortes no ambiente corporativo e fortalecer a cultura interna das companhias.

Neste ano, a partir da chegada da pandemia, houve uma queda de 80% na oferta de vagas. De acordo com Guilherme Braga, o mercado já mostra sinais de reaquecimento, mas com variações por setor.

“Em setembro fizemos a primeira Feira de Empregabilidade para Pessoas com Deficiência Online do Brasil, com 8 mil inscritos e aproximadamente 5.200 vagas abertas”, celebra o executivo.

Desigualdades – O diretor da Egalitê afirma que a constante avaliação das empresas sobre a falta de capacitação e formação entre os profissionais com deficiência é um retrato da falta de acessibilidade e das desigualdades no Brasil.

“Há muitas barreiras na educação. Um de nossos candidatos, um homem cego, que cursava faculdade de tecnologia da informação, precisou trocar de universidade duas vezes porque as instituições, mesmo no curso de TI, não ofereciam acessibilidade digital em suas plataformas”, comenta Braga.

Outro ponto importante para ampliar a inclusão no mercado de trabalho, diz Guilherme Braga, é uma flexibilização nos critérios para a contratação. “As empresas precisam considerar as barreiras de oportunidades que ainda existem no Brasil e modificar suas estratégias, muitas vezes centralizadas em determinadas faculdades ou cursos”, defende o executivo.

Salários – Dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2020 mostram que profissionais com deficiência ainda recebem, em média, 15% a menos do que trabalhadores sem deficiência.

“No caso das deficiências mais severas, as vagas oferecidas são principalmente operacionais, com pouca possibilidade de progressão na empresa e menor acesso a promoções, o que leva o trabalhador com deficiência a mudar constantemente de emprego. Muitas vezes, essa mudança não é motivada por um salário maior, mas pelos acessos que o profissional com deficiência encontra para evoluir”, explica o diretor da Egalitê.

“Temos também o desafio da inclusão de pessoas com deficiência intelectual porque esse processo passa por barreiras que estão no ambiente das empresas, são dificuldades que precisam ser avaliadas internamente e derrubadas”, completa Guilherme Braga.

Outros prêmios – A Egalitê venceu o World Summit Awards (WSA), promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2019, foi acelerada pelo Facebook e pela Artemisia na Estação Hack em 2018.

Em 2017, foi a primeira empresa do Brasil premiada no Global Grand Challenges Awards e considerada uma das dez startups mais atrativas do Brasil no 100 Open Startups.




Vídeos produzidos por Helpvox com a versão da reportagem na Língua Brasileira de Sinais pela tradutora e intérprete Milena Silva.

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