“Inclusão racial com resultado precisa estar no planejamento estratégico da empresa”

“Inclusão racial com resultado precisa estar no planejamento estratégico da empresa”

Coordenador da Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial afirma que o movimento tem, pela primeira vez, informações concretas para transformar o mercado de trabalho.

Luiz Alexandre Souza Ventura

22 de janeiro de 2021 | 11h17

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Foto de Raphael Vicente, homem negro, de 34 anos, com cabelos curtos. Veste terno preto, camisa azul clara e gravata preta. Está sentado, falando ao microfone. Crédito: Divulgação.

Descrição da imagem #pracegover: Foto de Raphael Vicente, homem negro, de 34 anos, com cabelos curtos. Veste terno preto, camisa azul clara e gravata preta. Está sentado, falando ao microfone. Crédito: Divulgação.


O enfrentamento real do racismo no mercado de trabalho exige ações que transformem o núcleo das empresas. Não basta apenas contratar profissionais negros e promover eventos de conscientização dos funcionários. “A inclusão racial, com resultado, precisa fazer parte do core, tem de estar no planejamento estratégico da empresa”, afirma o coordenador da Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial, Raphael Vicente, de 34 anos.

O movimento criado em 2015 atua em grandes empresas, com uma estratégia estruturada para o crescimento profissional do negro. Age em três pilares – desenvolvimento de pessoas, cultura e governança, cadeia de valor – para haver de fato uma transformação.

“No Brasil, as iniciativas das empresas contra o racismo têm um atraso de 80 anos”, diz Raphael. “O que Florestan Fernandes e Roger Bastide escreveram em 1940 no livro ‘Brancos e Negros em São Paulo’ poderia ser escrito hoje. Nossas políticas públicas de enfrentamento do racismo e ações afirmativas começaram a ganhar corpo somente na década de 2000, em decorrência Conferência de Durban”, comenta.

A Terceira Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Formas Correlatas de Intolerância, conhecida como Conferência de Durban, foi patrocinada pela Organização das Nações Unidas (ONU) entre 31 de agosto e 8 de setembro de 2001 na cidade de Durban, na África do Sul. Resultaram desse evento uma declaração e um programa de ação, dos quais o Brasil é signatário.

Expectativas para 2021 – “Pela primeira vez, temos informações concretas, que revelam o cenário real, reunidas nos últimos três anos no ‘Índice de Igualdade Racial na Empresas’, lançado no ano passado”, afirma o coordenador da Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial.

“É a nossa principal ferramenta porque dá base para mexer na estrutura, mostra onde está o negro, quais são as áreas de ações prioritárias e o que a empresa precisa fazer”, explica Raphael Vicente, que também é coordenador acadêmico da Faculdade Zumbi dos Palmares.

O Índice de Inclusão Racial Empresarial (IIRE), estudo da Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial com o Instituto Data Zumbi da Universidade Zumbi dos Palmares, mapeou ações afirmativas de 23 grandes empresas nacionais e multinacionais.

Informações concretas – A pesquisa revelou que apenas 29% dos profissionais negros ocupam cargos de gerência, 18,7% participam de conselhos de administração e 6,6% estão nas diretorias.

O estudo também faz uma comparação entre dois cenários e atribui nota para cada. Na Conscientização, que destaca ações afirmativas mais fáceis e menos custosas de serem implementadas, como palestras e debates, a nota das empresas chegou a 7. Na Ascensão, que reúne medidas mais ambiciosas e resulta no crescimento profissional do negro na corporação, a nota foi 3.


REPORTAGEM COMPLETA EM LIBRAS (EM GRAVAÇÃO)
Vídeo produzido pela Helpvox com a versão da reportagem na Língua Brasileira de Sinais.


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