Irmãs com síndrome rara são atacadas na internet

Irmãs com síndrome rara são atacadas na internet

Laryssa a Tamyres Marcondes compartilharam vídeo que visualizou nas redes sociais. Publicação foi alvo de ofensas, piadas, memes e xingamentos. Família denunciou cyberbullying, mas não conseguiu derrubar posts e busca apoio.

Luiz Alexandre Souza Ventura

11 de agosto de 2020 | 17h32


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Descrição da imagem #pracegover: Laryssa Marcondes, de 20 anos, tem cabelos pretos, longos e cacheados, pele morena, tem o rosto alonga e um semblante sério, veste camiseta branca, usa óculos e segura um smartphone com a mão esquerda, em frente a um espelho. Ao lado está Tamyres Marcondes, de 18 anos, que também tem cabelos longos e cacheados, pele morena e rosto alongado. Está sorrindo e olhando para a câmera. Veste uma camisa preta. Crédito: Arquivo pessoal / Laryssa Marcondes.


Um vídeo compartilhado nas redes sociais pelas irmãs Laryssa a Tamyres Marcondes, de 20 e 18 anos, que moram em Caieiras, na Grande SP, se tornou alvo de ofensas e xingamentos.

O vídeo foi publicado no sábado, 8, no TikTok e no Instagram. “No domingo descobrimos que havia viralizado em todas as redes sociais de forma negativa. Elas receberam milhares de comentários e compartilhamentos, zoando com a condição física delas”, conta Gabriela Marcondes, prima das meninas.

As irmãs apagaram a publicação no TikTok, mas Tamyres mantém no Instagram, onde o vídeo já ultrapassou 80 mil visualizações, 15 mil curtidas e mais de 3 mil comentários.

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Segundo médicos consultados pela família das jovens, Laryssa e Tamyres têm sequelas causadas pela Síndrome de Freeman Sheldon, mas ainda não há laudo.

“Por ser uma síndrome extremamente rara, os médicos afirmaram que não são capazes de confirmar com absoluta certeza. As meninas têm todos os traços dessa síndrome. Laryssa usou bota ortopédica para endireitar os pés, que nasceram virados para dentro. Os ossos das mãos têm deformações. Também há problemas na fala”, explica a prima.

“O vídeo acabou tomando uma proporção gigante, elas foram parar em milhares de páginas que fazem memes de futebol porque, no início do vídeo, a Laryssa estava com a camisa do Corinthians, mas também tiveram apoio de artistas como Tati Zaqui, Naiara Azevedo (Tamyres faz parte do fã clube dela) e o DJ Menor MPC, que gravou a música usada no vídeo. Ele publicou vários stories em apoio a elas”, comenta Gabriela.



“Minhas primas são meninas que nunca diminuíram ou fizeram mal a ninguém, são muito talentosas, educadas e humildes. Elas não merecem que isso tenha ocorrido e, por isso, eu vou lutar para que esse caso possa conscientizar outras pessoas”, afirma.

“Minhas primas deletaram suas contas no Facebook porque estavam sendo muito atacadas por lá. Denunciamos várias publicações, mas o Facebook entendeu que não fere a política deles e, por isso, não conseguimos derrubar”, afirma Gabriela.

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