“O esforço é tão importante quanto o talento”

“O esforço é tão importante quanto o talento”

João Victor Teixeira treina forte para representar o Brasil nos Jogos Paralímpicos de 2016 e defende o investimento de longo prazo no esporte, mas não apenas em atletas vitoriosos. Para ele, o incentivo constante pode trazer muitos resultados.

Luiz Alexandre Souza Ventura

21 Maio 2015 | 11h21

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O que você precisa saber sobre pessoas com deficiência

João Victor Teixeira treina para os Jogos Paralímpicos de 2016. Foto: Divulgação

João Victor Teixeira treina para os Jogos Paralímpicos de 2016. Foto: Divulgação

Criança adora brincar de correr. E foi nessa fase da vida, aos 8 anos, que João Victor Teixeira de Souza Silva decidiu ir até a praça em frente à casa de sua família, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, onde alguns jovens praticavam esportes, para saber o que acontecia por lá. “Fiquei curioso”, diz o atleta, que começou nas corridas e, aos 12 anos, partiu para o pentatlo.

João teve três convulsões aos 14 anos, após a cirurgia para remover um coágulo em seu cérebro, e os movimentos do lado esquerdo do corpo foram afetados. O retorno ao esporte, 18 meses depois, foi possível depois de muita fisioterapia, mas ele afirma que demorou para aceitar a nova situação. “Foi tudo de repente, mas não me considero uma pessoa com deficiência porque, para mim, a ‘pessoa com deficiência’ é aquela que pode agir, pode ajudar, mas não faz nada”.

Atualmente com 21 anos, João Victor é especialista no arremesso de peso e no lançamento de disco, modalidades que abraçou por incentivo da técnica Walquíria Campello, do Instituto Superar. Logo após começar os treinamentos, ele ganhou uma medalha de ouro e dua de prata na etapa regional Rio/Sul do Circuito Paralímpico, em 2012, ano no qual conquistou vaga para outras competições nacionais.

O foco atual é a participação no Jogos Paralímpicos de 2016. Por isso, a rotina diária, que é puxada, começa às 6h30. São duas sessões de treinos. De manhã, no arremesso e lançamento. À tarde, na musculação. Entre um e outro, a viagem é feita de ônibus. “Isso realmente me deixa um pouco mais cansado”, diz.

João Victor, que é patrocinado pela Seguros Unimed, está totalmente dedicado ao esporte e defende a necessidade do investimento constante no atleta, mas não apenas nos vitoriosos. “A demora não impede as conquistas, mas precisa haver incentivo constante porque o esforço é tão importante quanto o talento. E tudo precisa começar muito antes das competições. É um trabalho que demora até dez anos. Os atletas de outros países recebem esse incentivo. E eles não são muito melhores do que nós”, afirma.

Quando questionado sobre a situação das pessoas com deficiência no País, é categórico. “É fácil de notar a falta de acessibilidade de forma geral”.

“Os atletas de fora não são tão melhores”, diz João Victor Teixeira. Foto: Divulgação