‘Junho Lilás’ reforça a importância do Teste do Pezinho

‘Junho Lilás’ reforça a importância do Teste do Pezinho

Gratuito e obrigatório por lei, procedimento identifica doenças antes dos sintomas aparecerem. Cor representa tranquilidade e transformação. Apae de SP e Unisert fazem campanha para destacar a relevância do teste. No Brasil, exame é celebrado em 6 de junho.

Luiz Alexandre Souza Ventura

03 de junho de 2017 | 11h00

Dia Nacional do Teste do Pezinho é celebrado em 6 de junho. Campanha usa a hashtag #testedopezinho. Imagem: Reprodução

Dia Nacional do Teste do Pezinho é celebrado em 6 de junho. Campanha usa a hashtag #testedopezinho. Imagem: Reprodução


Identificar doenças antes dos sintomas aparecerem e, desta forma, aplicar tratamentos que pode ser fundamentais para garantir qualidade de vida são as principais funções do ‘Teste do Pezinho’. O procedimento é feito com a coleta de sangue no calcanhar do bebê, no período a partir de 48 horas após o parto até o quinto dia depois do nascimento.

Gratuito e exigido por lei, o exame detecta fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, fibrose cística, anemia falciforme e demais femoglobinopatias, hiperplasia adrenal congênita e deficiência de biotinidase.

No Brasil, o Dia Nacional do Teste do Pezinho é celebrado em 6 de junho. E uma campanha da Unisert (União Nacional dos Serviços de Referência em Triagem Neonatal) com a Apae de São Paulo, batizada de ‘Junho Lilás’ (cor representa tranquilidade e transformação), destaca a importância do teste.

A meta é conscientizar sobre a relevância desse primeiro passo que pode definir o futuro do bebê, despertando a atenção de futuros pais e de profissionais da saúde para o período correto do exame.

A Apae de São Paulo foi a primeira a fazer o exame no País, em 1976, e seu Serviço de Referência em Triagem Neonatal (SRTN) está credenciado pelo Ministério da Saúde desde 2001. A instituição faz 77% dos testes em bebês nascidos na capital paulista, 64% dos recém-nascidos do Estado de SP e 16% de todas as crianças triadas no Brasil por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), maternidades e hospitais privados.

O sistema de Busca Ativa da organização promove convocação imediata de todos os recém-nascidos que apresentam alteração no Teste do Pezinho, quando solicitada a recoleta, é fundamental que seja feita imediatamente.

Além do teste tradicional, a Apae de São Paulo realiza o ‘Mais’, que inclui diagnósticos para deficiência de G-6-PD, galactosemia, eucinose e toxoplasmose congênita. E o ‘Super’, único a triar 48 doenças, incluíndo 38 diagnósticos da Espectrometria de Massas em Tandem – MS/MS.

Em 2016, foi incorporada a triagem para Imunodeficiências Combinadas Graves (SCID) e Agamaglobulinemia (AGAMA), que detecta um grupo de doenças genéticas graves nas quais não há produção de células de defesa T e/ou B nem de anticorpos protetores.

Participam da campanha Karina Bacchi, Naiumi Goldoni e Maria Cecília. E um filme com Tiago Abravanel e o grupo Palavra Cantada destaca a importância do teste. As ações têm o apoio da pediatra Ana Escobar, embaixadora da área da Saúde da Organização, da Prefeitura de São Paulo, da In Loco Media e da Agência Plug.


O médico pediatra Benjamin José Schmidt (1931-2009), formado pela USP (Universidade de São Paulo) em 1955, aprimorou e introduziu o Teste do Pezinho do Brasil. “Entre 15% e 20% dos nascidos vivos não fazem o teste. Infelizmente, a lei não funciona no País”, afirma Beny Schmidt, chefe do laboratório de patologia neuromuscular da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e filho do pediatra.