Livro conta histórias de crianças com microcefalia causada pelo vírus zika

Livro conta histórias de crianças com microcefalia causada pelo vírus zika

Publicação organizada pela antropóloga Soraya Fleischer e a jornalista Flávia Lima é resultado de quatro anos de pesquisa com famílias de Recife. Ebook coletivo tem 13 autores e foi financiado pelo CNPq. Faça download gratuito no #blogVencerLimites. "É o testemunho de uma epidemia e de suas consequências. E o compromisso para que as histórias dessas pessoas não sejam esquecidas", diz o grupo.

Luiz Alexandre Souza Ventura

05 de agosto de 2020 | 11h05


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Descrição da imagem #pracegover: Na tela de um smartphone, a capa do livro ‘Micro: contribuições da antropologia’, que tem foto em preto e branco da mão de um recém-nascido segurando a ponta do dedo da mãe. Crédito: Divulgação.


“Agora que estamos vivendo uma pandemia do novo coronavírus, lembremo-nos daquelas pessoas que ainda sofrem as consequências de uma outra epidemia”, dizem os autores do livro ‘Micro: contribuições da antropologia’, que conta histórias de crianças com a síndrome congênita do vírus zika.

A obra coletiva, com participação de 13 pessoas, é organizada por Soraya Fleischer, antropóloga e professora do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília (UnB), e Flávia Lima, jornalista e especialista em Saude Coletiva pela Fiocruz Brasilia, resultado de uma pesquisa que começou em 2016 com mães e crianças de Recife (Pernambuco). “Acreditamos que seja o testemunho de uma epidemia e de suas consequências”, comenta o grupo.

Soraya Fleischer coordenou o estudo e acompanhou as famílias em visitas periódicas durante quatro anos, com alunos de graduação e mestrado em Antropologia da UnB. O livro tem 11 capítulos – Mulheres, Homens, Crianças, Doutores, Medicamentos, Escolas, Transportes, Dinheiros, Benefícios, Mídias e Ciências -, definidos a partir das histórias mais frequentes contadas pelas mães das crianças. Os textos são curtos, com linguagem “menos acadêmica”, para ser lido e usado pelas mães e famílias.

“Mesmo com esse nomão oficial, ‘microcefalia’ continuou sendo a palavra mais usada para resumir o quadro dessas crianças. E, logo, o termo micro se tornou um apelido mais rápido e fácil de falar. E micro virou substantivo e adjetivo, a depender do contexto, ‘a criança tem micro’ ou ‘essa é uma mãe de micro’, por exemplo. Micro foi sendo usado para tudo, para descrever um bebê, um diagnóstico, uma família, uma casa, uma médica, um ambulatório específico, uma clínica de reabilitação, um processo de judicialização de medicamento, uma van da prefeitura etc. Usar o termo micro serve também para colocar a ênfase na experiência da criança e não unicamente na explicação do fenômeno epidemiológico”, destaca um trecho da introdução, escrita pela professora.

Para Soraya Fleischer e Flávia Lima, o livro é um compromisso para que as histórias dessas pessoas não sejam esquecidas. “Acreditamos que seja um testemunho de uma epidemia e de suas consequências”.

O eBook tem 189 páginas, é gratuito e foi financiado pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

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