Livro resgata história da população surda no Brasil

Livro resgata história da população surda no Brasil

Publicação em quadrinhos narra desafios e conquistas. Empresa financiou 500 exemplares e autores buscam recursos para ampliar projeto. Movimentos pedem respeito à diversidade da surdez.

Luiz Alexandre Souza Ventura

21 de janeiro de 2021 | 18h57

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Imagem em tons de cobre do livro 'A Chave Destra' mostra as personagens Sam e Sofia, um de frente para o outro. Ele segura uma chave. Ao fundo, uma porta, uma luz branca e fumaça. Crédito: Divulgação.

Descrição da imagem #pracegover: Imagem em tons de cobre do livro ‘A Chave Destra’ mostra as personagens Sam e Sofia, um de frente para o outro. Ele segura uma chave. Ao fundo, uma porta, uma luz branca e fumaça. Crédito: Divulgação.


Chamar a atenção para a diversidade da surdez é uma exigência cada vez mais frequente. Pessoas surdas se comunicam de muitas maneiras, absorvem informações de formas distintas, produzem o conteúdo que consideram mais apropriado e têm múltiplas preferências.

Há surdos que usam somente a Lingua Brasileira de Sinais, outros não sabem Libras e têm fluência em língua portuguesa, existem surdos oralizados, ou não, porque preferem ser assim (impor ou proibir essa escolha é inaceitável), além daqueles que escutam por meio de implantes cocleares ou aparelhos auditivos.

Essas diferenças devem ser incluídas na lista de conquistas da população surda ao longo da história. E uma parte dessa caminhada é narrada no livro ‘Sam e Sofia – A Chave Destra – Uma aventura através da história dos surdos no Brasil’, publicação em quadrinhos criada por Gabriel Isaac e Arial Xavier.

“Dois amigos encontram uma chave e uma porta misteriosas na loja em que trabalham.  Ao atravessar, ficam perdidos na linha do tempo. Agora eles precisam encontrar o caminho de volta para a sua época, enquanto viajam por marcos históricos importantes para as comunidades surdas do Brasil, e ainda lidar com a perseguição de um homem misterioso através do espaço-tempo”, diz a sinopse.

Gabriel Isaac conta que gosta e acompanha histórias desde criança. “Eu amava contos como Cinderela, Chapeuzinho Vermelho e Os Três Porquinhos, mas havia pouquíssimos lugares onde uma criança surda teria acesso a esse tipo de conteúdo”, relata o autor, que se comunica principalmente na Língua Brasileira de Sinais. “Tendo a Libras como minha língua materna, os livrinhos infantis pouco me atraíam, pois eram escritos em português, uma língua oral e auditiva”, lembra.

“Eu não entendia a história por trás daquelas ilustrações, não havia alguém para contar de uma forma que eu pudesse compreender. Na época, os materiais que existiam para crianças como eu não tinham qualidade, não recebiam a atenção adequada. Infelizmente, é uma realidade comum entre muitas famílias no Brasil que têm filhos surdos e nenhuma referência para ensinar como educar essas crianças”, avalia Gabriel.

“Nosso objetivo é oferecer protagonismo e representatividade para adultos e crianças surdas, celebrar a luta das pessoas surdas pelos seus direitos ao longo da história. Os personagens testemunham acontecimentos reais e muito importantes para a formação das comunidades surdas no Brasil, como o Congresso de Milão, em 1880, quando educadores decidiram que era proibido o uso e o ensino das línguas de sinais. E também a criação, em 1857, do Imperial Instituto de Educação de Surdos, Insituto Nacional de Educação de Surdos (INES)”, afirma o escritor.

Apoio – O Grupo Qualicorp, de planos de saúde, financiou a produção de 500 exemplares para gerar compreensão e identificação por adultos e crianças surdas. E agora, os autores buscam recursos para ampliar a tiragem e o projeto.


REPORTAGEM COMPLETA EM LIBRAS (EM GRAVAÇÃO)
Vídeo produzido pela Helpvox com a versão da reportagem na Língua Brasileira de Sinais.


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