Luciana

Luciana

Luiz Alexandre Souza Ventura

12 de março de 2014 | 14h35

Curta Facebook.com/VencerLimites
Siga @LexVentura
Mande mensagem para blogvencerlimites@gmail.com
O que você precisa saber sobre pessoas com deficiência

Durante 24 anos, Virgínia Andrade da Cruz transportou a filha Luciana, que tem paralisia cerebral e usa uma cadeira de rodas, em carros convencionais, sem qualquer adaptação. O processo para fazer isso era sempre o mesmo. Retirar Luciana da cadeira e transferi-la, nos braços, para dentro do veículo. E o carro precisava sempre ter espaço para levar a cadeira. Por motivos óbvios, os veículos escolhidos pela família eram vans ou utilitários. Em determinados casos, os bancos traseiros eram retirados para aumentar o espaço. Virgínia começou a sentir o peso da idade e já não conseguia mais erguer a filha. Diabética e com pressão alta, ela perdeu 90% da visão e não podia mais dirigir.

“Nesta época, conhecemos a Rota da Vida (empresa que transportava pessoas com deficiência). Eu pagava R$ 900 por mês. Minha filha ía para a escola, para a terapia e outras atividades, diariamente. Não há como ir andando, por causa da distância e também pela situação das calçadas e do transporte público em São Vicente”.

Seis anos atrás, surgiu a oportunidade de comprar o carro com a adaptação necessária: o elevador. Instalar este equipamento tem custo aproximado de R$ 10 mil, mas a Cavenaghi, empresa especializada em equipamentos de acessibilidade, colocou à venda um de seus veículos usados em test-drive e demonstrações: um Fiat Doblô.

“Meu marido faleceu em 2007 e recebemos uma pequena quantia do seguro de vida. E nosso sonho sempre foi ter um carro com o elevador. Com o que sobrou desse seguro, paguei a entrada. Financiei o restante em 48 vezes. Não houve nenhuma facilidade. Paguei o preço de mercado”.

Dona Virgínia conta que a Rota da Vida não conseguia atender a todos os pedidos e o dono da empresa, Valetim, ofereceu alguns clientes. Na época, o carro que transporta Luciana já era guiado por um motorista contratado. Ele recebe um salário, mais 30% do que é ganho nas corridas. Da mesma forma que motoristas de táxi. Adilson trabalha com dona Virgínia há 4 anos.

Com a renda obtida no transporte de pessoas com deficiência, mais a pensão recebida após a morte do marido, Virgínia consegue bancar R$ 2.500 gastos mensalmente com Luciana. “O dinheiro que ganhamos com o carro paga o salário do motorista, combustível e todas as outras despesas que o próprio veículo gera”.

Desta forma, o carro é fundamental para Virgínia e Luciana. Se fosse possível, ela diz que compraria mais um ou dois carros adaptados. Porque a demanda é grande, mas precisa ter o elevador, porque entre seus clientes estão passageiros com até 150 kg e não há como empurrar para dentro do carro por uma rampa”.

“Quem paga este carro não são as pessoas com deficiência. Quem banca são idosos que sofreram acidentes. Porque são muito poucas as pessoas com deficiência que têm condições de pagar pelo serviço”.

Virgínia já tentou obter uma pensão para a filha e entrou com a solicitação no INSS, mas não conseguiu, porque o salário de seu marido superava o máximo exigido por lei para concessão do benefício. “O que me preocupa é quando eu não estiver mais aqui para cuidar dela. Como será?”.

AMANHÃ: Menos para a máquina e mais para o homem.

LEIA TAMBÉM – Alexei.

Tudo o que sabemos sobre:

Carros Adaptados

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: