“Maya me faz sentir realmente incluída nos papéis que vivencio”

“Maya me faz sentir realmente incluída nos papéis que vivencio”

Em artigos exclusivos para o #blogVencerLimites, mulheres surdas e negras que se comunicam em Libras avaliam o novo avatar da Hand Talk, empresa de tecnologia para tradução de textos em línguas de sinais. Startup liberou plugin para organizações que trabalham com causas de gênero e raça.

Luiz Alexandre Souza Ventura

08 de outubro de 2020 | 16h00

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Foto de Nayara Silva, mulher negra de 30 anos. Ela está sorrindo e olhando para a câmera. Veste camiseta pteta. Tem cabelos enrolados e curtos. No canto inferior direito da imagem está Maya, avatar da Hand Talk. Crédito: Reprodução.

Descrição da imagem #pracegover: Foto de Nayara Silva, mulher negra de 30 anos. Ela está sorrindo e olhando para a câmera. Veste camiseta pteta. Tem cabelos enrolados e curtos. No canto inferior direito da imagem está Maya, avatar da Hand Talk. Crédito: Reprodução.


Maya, uma mulher negra, é o novo avatar da Hand Talk, startup de tecnologia para tradução de textos em Libras, a Língua Brasileira de Sinais, e também em ASL (American Sign Language), a língua americana de sinais.

“É fruto de uma longa pesquisa e conversas que a gente veio realizando para que o aplicativo ficasse mais diverso. Já que nós trabalhamos tanto com diversidade no quesito da acessibilidade, ela foi pensada com esse propósito e é a representação final de tudo isso”, diz Ronaldo Tenório, diretor da Hand Talk.

Para marcar o lançamento, a startup liberou licenças do plugin para 20 organizações que trabalham com causas de gênero e raça. Na lista estão Plan International Brasil, Instituto Maria da Penha, Projeto Afro, StartUp Women, Diaspora.Black, Programaria, Instituto Glória, EmpregueAfro, Guardei no Armário, Rede Mulher Empreendedora, Janela 8, Afeto de Perto, Mapa do Acolhimento, Mulher em Construção e Think Olga.

Em artigos exclusivos para o #blogVencerLimites, mulheres surdas e negras que se comunicam em Libras avaliam o novo avatar da Hand Talk. O segundo texto foi escrito por Nayara Silva*.

Representatividade importa

“Sou mulher, surda, mãe, negra. Sou brasiliense e me mudei há seis anos para São Paulo. Na comunidade surda, acabei me tornando representante da mulher negra surda. Então, para mim e para minha comunidade, representatividade importa sim.

Quando eu soube da Maya, mulher negra que dá mais visibilidade à Língua Brasileira de Sinais, achei a ação incrível e, com certeza, muito importante.

Mesmo com o avatar do Hugo já bastante conhecido, é claro que me sinto muito mais representada pela Maya, que me faz sentir realmente incluída em todos os papéis que vivencio. Eu olho para ela e sinto até vontade de utilizar o avatar. Como tradutora e intérprete, acredito que o avatar pode ajudar na comunicação entre surdes e pessoas que não conhecem Libras.

Por mim, a Hand Talk poderia ampliar esse projeto e criar diversos avatares, de várias raças e cor de pele, dar a opção para as pessoas escolherem seu próprio avatar. Não seria incrível?

Para concluir, um último ponto que penso ser muito importante é a participação de pessoas surdas no processo de criação dos avatares. Essa presença na construção do trabalho não apenas legitima e fortalece nossa representatividade, mas também traz melhorias para o app, humaniza a comunicação cada vez mais. Assim, as pessoas podem usar a ferramenta com a certeza de que surdes validaram o trabalho técnico realizado.

Em um momento sem precedentes como esse que estamos vivendo, a tecnologia tem sido essencial e, para nós surdes, ela tem feito muita diferença e nos possibilitado novas oportunidades de sermos vistos e compreendidos pela sociedade, muito mais do que antes da pandemia.

Nos comunicar com as pessoas, sermos compreendidos e compreendermos o outro importa. Sendo representadas enquanto mulheres surdas negras, importa muito mais”.

•Nayara Silva é poeta, performer e educadora brincante em Libras.



Vídeo gravado por Nayara Silva, tradutora e intérprete da Língua Brasileira de Sinais.

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