“Me discriminam pela deficiência e não por eu ter sido prostituta”

“Me discriminam pela deficiência e não por eu ter sido prostituta”

Em 'A Pequena Notável Dafne Anãzinha', Lia Regina conta como a prostituição a ajudou a enfrentar o preconceito, até da própria família, por ter nanismo. "Acham inadmissível uma pessoa ser diferente e ter vida sexual ativa", diz a autora. Livro tem versão digital acessível.

Luiz Alexandre Souza Ventura

13 de setembro de 2020 | 12h36

Ouça essa reportagem com Audima no player acima, acione a tradução do texto em Libras com Hand Talk no botão azul à esquerda ou acompanhe o vídeo no final da matéria produzido pela Helpvox com a interpretação na Língua Brasileira de Sinais.


Descrição da imagem #pracegover: Lia Regina está sentada em uma charrete, olhando para a câmera e sorrindo. Usa um chapéu escuro, tem pele morena, cabelos lisos e curtos. Crédito: Arquivo pessoal / LiaRegina.


“Há quatro anos não faço mais programas. Atualmente, eu estou casada. Então, há quatro anos quero contar minha história e tudo o que eu passei. Escrevi esse livro em uma semana e foi um show de emoções”, diz Lia Regina, autora de ‘A Pequena Notável Dafne Anãzinha’, lançamento em versão digital acessível da Amazon.

Lia tem nanismo, conta que foi negligenciada e nunca assumida pelos homens com quem se relacionou antes de tomar a decisão de se tornar prostituta. “Todos os 59 homens com quem eu sai antes da prostituição, como eu conto no livro, eram muito preconceituosos com a minha deficiência e não me aceitavam do jeito que eu era. Não me assumiam”, comenta a autora.

“Foi o carinho dos meus clientes que me ajudou a enfrentar o preconceito, ajudou muito na minha autoestima, porque eu era extremamente depressiva. Isso mudou quando me tornei garota de programa porque os homens pagavam justamente pela minha deficiência. E os caras que me esnobaram antes da prostituição me procuraram depois. A situação se inverteu”, diz Lia.



A escritora afirma ter sofrido preconceito até mesmo da própria família. “Hoje sou uma pessoa bem melhor do que eu era antes da prostituição. Me sinto mais feliz. É como se a prostituição tivesse me dado a guinada que eu precisava. É claro que a pessoa tem de vencer o preconceito sozinha, mas a prostituição me ajudou em 99% disso. Sou grata e não me arrependo de nada”, garante.

“Me sinto muito mais bonita do que antes, me amo de verdade, amo meu corpo e me aceito. As pessoas me discriminam pela minha deficiência e não pelo fato de eu ter sido prostituta, mas esse ódio todo, no fundo, é só o medo do desconhecido. Acham inadmissível uma pessoa ter algo que lhe diferencia das outras e ter vida sexual ativa. Transei em um dia mais do que uma mulher comum transa na vida toda”, diz Lia Regina.

Serviço:
Livro: A Pequena Notável Dafne Anãzinha
Autora: Lia Regina
Editor: Mário Monteiro
Formato: eBook Kindle – 123 páginas
1ª Edição (8 setembro 2020)
Clique aqui para comprar na Amazon



Vídeo produzido pela Helpvox com a versão da reportagem na Língua Brasileira de Sinais gravada pelo intérprete e tradutor Gabriel Finamore.

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