Meu escritório é na quadra

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"Apesar do Brasil ter avançado significativamente nessa discussão, as políticas públicas ainda não estão alinhadas com o mercado e com a expectativa de quem precisa ser incluído", diz o presidente da DB1 Global Software, empresa do Paraná que apostou na contratação de paratletas para atender às exigências da Lei de Cotas. Funcionários serão capacitados e integrados à companhia. Em entrevista ao #blogVencerLimites, Ilson Rezende fala sobre a parceria com a União Metropolitana Paradesportiva de Maringá e os caminhos para a verdadeira inclusão de pessoas com deficiência no trabalho.

Luiz Alexandre Souza Ventura

06 de setembro de 2017 | 09h00

Paulo Roberto Barcelos Dauinheimer, Derik Luis Burbella, Guilherme Alves Lourenço e Claudio José Pereira são funcionários da DB1 Global Software. Imagem: Divulgação

Paulo Roberto Barcelos Dauinheimer, Derik Luis Burbella, Guilherme Alves Lourenço e Claudio José Pereira são funcionários da DB1 Global Software. Imagem: Divulgação


A jornada para garantir a todas pessoas com deficiência a inclusão genuína em todos os setores no Brasil, especialmente no trabalho, ainda está repleta de obstáculos, desde a simples ausência de acessibilidade, apesar da contratação de profissionais por suas capacidades, até o foco nas exigências da Lei nº 8.213/1991, a chamada Lei de Cotas, e a falta de interesse em criar oportunidades verdadeiras.

O País escancara suas desigualdades diariamente e impõe ao mercado corporativo funções obrigatórias do Estado, como acesso à educação e ao emprego, impondo a empresas a formação de profissionais para manter essas pessoas no quadro de funcionários e potencializar sua participação no dia a dia da companhia.

Quando não há recursos humanos disponíveis, mesmo com a oferta de salários e benefícios acima do habitual, e a meta é incluir realmente, gestores precisam construir o caminho desde o começo.


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Publicado por UMPM – União Metropolitana Paradesportiva de Maringá em Quinta-feira, 22 de junho de 2017


Em Maringá, terceira maior cidade do Paraná e a sétima mais populosa da região sul do Brasil, uma empresa encontrou no esporte a possibilidade concreta de inclusão de pessoas com deficiência, com aproveitamento do potencial dessas pessoas em suas maiores habilidades.

“O Brasil tem avançado significativamente na discussão sobre acessibilidade e inclusão, mas as políticas públicas não estão alinhadas com o mercado e com a expectativa de quem precisa ser incluído”, analisa Ilson Rezende, presidente da DB1 Global Software, companhia que formou uma parceria com a União Metropolitana Paradesportiva de Maringá (UMPM) e incluiu em seu quadro de funcionários quatro paratletas, contratados para trabalhar fora do escritório, mantendo dedicação total à atividade esportiva.

“Sabemos que o ideal para um verdadeiro processo de inclusão está no desenvolvimento do funcionário, mas faltam pessoas, o que gera um efeito contrário, porque a contratação é usada somente para cumprir a legislação, e isso provoca discriminação por parte dos demais colaboradores”, analisa Rezende. “Cumpre-se a lei, mas não se cumpre o propósito”, diz o executivo.


“Atletas são inseridos na empresa, participando de cursos e treinamentos, integrados no dia a dia corporativo, para abrir portas a oportunidades quando a carreira de esportista acabar”, diz o presidente da DB1. Imagem: Divulgação


Foram contratados pela DB1 os paratletas do Basquete em Cadeira de Rodas Derik Luis Burbella (também esgrimista), Cláudio José Pereira e Guilherme Alves Lourenço, que jogaram em equipes de Curitiba e de Santa Catarina, e Paulo Roberto Barcelos Dauinheimer, que integrou a Seleção Brasileira nos Jogos de 2016.

O presidente da DB1 afirma que as paralimpíadas do Rio de Janeiro aceleraram a propagação da cultura de acessibilidade e inclusão. “Várias pautas entraram na discussão e houve muita oportunidade de reflexão, mas a sociedade precisa aproveitar essa onda”.

Questionado pelo #blogVencerLimites sobre a forma como o Estado transfere suas funções para a iniciativa privada, Ilson Rezende confirma que essa realidade está presente. “É um equívoco com efeitos colaterais terríveis para o processo de inclusão. Como empresa e parte da sociedade, entendemos que temos responsabilidades e estamos tentando fazer a nossa parte, minimizando esses efeitos, mas não devemos assumir a parcela que é do Estado”, diz.

“O projeto UMPM faz a inclusão por meio do esporte. Sabemos que o tempo de carreira de um esportista, com e sem deficiência, é curto. Assim, os atletas são inseridos no contexto da empresa, participando de cursos e treinamentos, integrados no dia a dia corporativo, para abrir portas a oportunidades quando a carreira de esportista acabar”, conclui o presidente da DB1.

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