Minha inutilidade

Minha inutilidade

Uma nova lição aprendida.

Luiz Alexandre Souza Ventura

02 Outubro 2014 | 17h31

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O que você precisa saber sobre pessoas com deficiência

Além de jornalista, sou comerciante. A segunda função exerço há um ano. Tenho uma pequena loja de cosméticos em Santos, no litoral de São Paulo, onde voltei a morar em setembro do ano passado, após 13 anos de vida e trabalho na capital.

Hoje, uma senhora entrou na loja e foi direto para a prateleira de coloração de cabelo. Como sempre faço, me aproximei, disse ‘boa tarde’ e perguntei se ela precisava de ajuda. A cliente manteve o olhar nas caixas e tive de tocar em seu braço.

Ela sorriu e disse: ‘Estou olhando as tintas’.

Perguntei novamente: ‘Posso ajudar?’.

Nenhuma resposta.

Deixei a senhora escolher tranquilamente e voltei ao caixa, para aguardá-la.

Quando ela foi pagar, perguntei: ‘A senhora tem deficiência auditiva?’.

Ela disse que sim, que seu aparelho estava sem bateria, mas que conseguia ‘ler’ meus lábios.

Não sei me comunicar em Libras, mas perguntei se ela sabia. Disse que também não sabe.

Na sequência, perguntou os preços de alguns produtos, disse que ficaria somente com a tintura, pagou e sorriu mais uma vez. Foi embora em silêncio.

Percebi que minha falta de habilidade limitou a comunicação com aquela cliente.

Me chamou a atenção o fato de minha inutilidade neste caso ser totalmente irrelevante para a autonomia e independência daquela senhora, que não precisou de minha ajuda para nada.

Uma nova lição aprendida.

 

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