Ministro da Educação explica ao Senado declarações capacitistas

Ministro da Educação explica ao Senado declarações capacitistas

Milton Ribeiro não apresentou nenhuma informação nova ou diferente do que já havia dito. Ele pediu desculpas novamente, citou investimentos do MEC e voltou a defender a política de educação especial proposta no ano passado e que foi suspensa pelo STF, destacando que o decreto não foi compreendido. "Não sou essa pessoa do mal", disse o ministro. Íntegra da sessão está no canal do Senado no YouTube.

Luiz Alexandre Souza Ventura

17 de setembro de 2021 | 10h30

Foto do ministro da Educação, Milton Ribeiro, durante pronunciamento na sessão da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado. Ribeiro é um homem branco de 63 anos, careca, de óculo e máscara de proteção facial. Veste paletó cinza, camisa branca e gravata azul.

Ministro pediu desculpas e defendeu a PNEE 2020. Crédito: Reprodução.


O ministro da Educação, Milton Ribeiro, participou nesta quinta-feira, 16, de uma sessão da Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Senado para explicar recentes declarações capacitistas sobre estudantes com deficiência e também sobre o acesso ao ensino superior.

Recentemente, para defender o Decreto Federal nº 10.502, de 30 de setembro de 2020, que institui a Política Nacional de Educação Especial: Equitativa, Inclusiva e com Aprendizado ao Longo da Vida, mas está suspenso pelo STF (Supremo Tribunal Federal) após reação imediata da sociedade, de especialistas em educação e de instituições que defendem os direitos das pessoas com deficiência, Ribeiro disse que o “inclusivismo” prejudica os alunos e que estudantes com deficiência atrapalham o aprendizado dos colegas sem deficiência.

O ministro pediu desculpas pelas declarações, ressaltou sua formação na Universidade Mackenzie, chamou a atenção para a característica inclusiva da instituição, listou investimentos do MEC e voltou a defender a PNEE 2020, destacando que essa proposta não foi compreendida. Em resumo, não apresentou nenhuma informação nova ou diferente do que já havia dito.

Uma das falas mais contundentes entre os senadores presentes foi de Fabiano Contarato (REDE/ES). “O senhor tem de pedir desculpas a todas as pessoas, mas com ação, com medidas de inclusão. O senhor falou que gays vêm de famílias desajustadas. Orientação não define caráter”, afirmou o senador. Ribeiro respondeu com um convite para conversar com o senador em reunião no MEC.

Na sessão, chamou a atenção a fala do senador Esperidião Amin (PP-SC), que fez uma analogia entre autistas e pessoas em um restaurante que não conversam, usando o autismo como referência de comportamento social individualista, uma análise equivocada e que mostra desconhecimento a respeito do transtorno, como o próprio senador declarou. “Não sou cientista, vu fazer um charlatanismo”, disse Amin antes do comentário.

Questionado pelo blog Vencer Limites sobre a analogia, Esperidião Amin se explicou. “Como disse, é uma analogia que passa pela sociologia e urbanização. Aceitarei qualquer crítica”, reforçou o senador.

A senadora Mara Gabrilli (PSDB/SP) não participou da sessão com Milton Ribeiro porque estava na reunião da Comissão da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, mas a parlamentar havia se posicionado anteriormente sobre as declarações do ministro. “Já que o senhor não reconhece o valor da diversidade na sociedade, torna-se impossível reconhecê-lo como Ministro da Educação”, publicou a senadora das redes sociais.

Gabrilli também enviou requerimento pedindo esclarecimentos de Milton Ribeiro à Comissão de Direitos Humanos do Senado, que ainda não foi pautado, e convidou o Ministro da Educação para falar no plenário.



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