Ministro interino da Educação defendeu política que segrega estudantes com deficiência

Ministro interino da Educação defendeu política que segrega estudantes com deficiência

Victor Godoy falou em evento do MEC sobre a PNEE 2020. "Escolas contratam profissionais para a criança com deficiência não atrapalhar os demais alunos".

Luiz Alexandre Souza Ventura

30 de março de 2022 | 12h57

Foto de Victor Godoy durante apresentação em evento do MEC.

Victor Godoy desobedeceu STF e fez apresentação sobre a PNEE em evento do MEC. Foto: Reprodução.


O ministro interino da Educação, Victor Godoy, que assumiu o cargo oficialmente nesta quarta-feira, 30, afirmou em evento do MEC no ano passado que “as escolas estão tendo que contratar profissionais especializados para ficar cuidando daquela criança com deficiência para ela não atrapalhar a aula dos demais alunos”.

Godoy também reproduziu uma fala do presidente Jair Bolsonaro sobre educação inclusiva. “Então, a PNEE de 2008 ela traz um cenário que, talvez, a gente consiga alcançar lá em 2080, 2070, 2060, mas hoje a realidade que nós temos é que nós estamos colocando dentro da sala de aula alunos no ensino regular, né, alunos que não têm um único benefício de aprendizado”, declarou.

As falas fazem parte da apresentação de Godoy, que era o secretário executivo do MEC, sobre a ‘Política Nacional de Educação Especial: Equitativa, Inclusiva e com Aprendizado ao Longo da Vida’, em um seminário do Ministério da Educação organizado em fevereiro de 2021 para técnicos e gestores. Naquela data, a PNEE 2020, instituída por meio do Decreto Federal nº 10.502, de 30 de setembro de 2020, já havia sido suspensa pelo STF.

O evento teve participação do então ministro Milton Ribeiro, que foi exonerado na segunda-feira, 28, após denúncias de corrupção envolvendo favorecimento a pastores, que faziam parte de um gabinete paralelo, reveladas pelo Estadão. Nos últimos 10 dias, uma série de reportagens mostrou o lobby feito pelos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura no MEC, que passaram a facilitar o acesso ao então ministro. Os religiosos foram acusados por prefeitos de cobrar propina em dinheiro, em compras de bíblias e até em ouro.



Quinto nome a ocupar o MEC no governo Bolsonaro, Godoy atuou como auditor federal de finanças e controle da Controladoria-Geral da União (CGU), onde trabalhou de 2004 a 2020. Foi auditor federal de finanças e controle, chefe de divisão, coordenador-geral e diretor-substituto de auditoria e diretor de auditoria da área social e de acordos de leniência.

Passou a integrar a equipe do MEC como secretário executivo em julho de 2020, mesmo período em que Milton Ribeiro assumiu o comando da pasta.

Conforme informações do MEC, Victor Godoy Veiga é formado em Engenharia de Redes de Comunicação de Dados pela Universidade de Brasília e tem pós-graduação em Altos Estudos em Defesa Nacional pela Escola Superior de Guerra, e em Globalização, Justiça e Segurança Humana pela Escola Superior do Ministério Público em parceria com o Institut für Friedenssicherungsrecht und Humanitäres Völkerrecht der Ruhr – Universität Bochum (Alemanha) e a University of Johannesburg (África do Sul).



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