Muitos autistas

Muitos autistas

Psicanalista discute em livro as possibilidades de compreensão do autismo, os problemas dos diagnósticos genéricos e a importância de escutar as pessoas autistas.

Luiz Alexandre Souza Ventura

21 de maio de 2022 | 10h48

Montagem com duas imagens. À esquerda, a capa do livro Autismo.S - Olhares e Questões, que tem a foto em zoom de uma criança com olhar fixo. À direita, a foto da autora, Roberta Ecleide de Oliveira Gomes Kelly, uma mulher negra, de aproximadamete 50 anos, com cabelos curtos, que está sorrindo e olhando para a câmera. Atrás dela, uma estante com livros.

‘Autismo.S: Olhares e Questões’, livro da psicanalista Roberta Ecleide de Oliveira Gomes Kelly, lançado em 2022 pela Appris Editora. Fotos: Divulgação / Montagem: blog Vencer Limites.


“O autismo é uma condição em alguém que tem nome, que faz parte da história de sua comunidade e tem a própria história”, diz a psicóloga e psicanalista Roberta Ecleide de Oliveira Gomes Kelly no livro ‘Autismo.S – Olhares e Questões’ (2022, Appris Editora), que discute as possibilidades de compreensão dessa condição, apresenta aspectos históricos e teóricos, destaca a importância de dimensionar a pluralidade de possibilidades e defende a necessidade fundamental de se ouvir a pessoa autista para evitar diagnósticos vagos e genéricos.

“A neurodiversidade está longe de uma doença a ser curada, precisa ser bem conduzida no processo educativo e respeitada com a delicadeza das diferenças”, afirma a autora.

Para a psicanalista, o principal desafio da inclusão escolar de alunos autistas é a dificuldade para unir saúde à educação. “O diagnóstico do autismo pode permitir a segregação”.

O livro também reflete a respeito do autismo depois da pandemia de covid-19, que limitou a convivência. “Comportamentos já estabelecidos sumiram. E as crianças começaram a ter dificuldade com sons, aprendizados, alimentação e autocuidado. A pandemia manteve as crianças em casa, um ambiente controlado, com poucos desafios, que não permite os erros fundamentais para aprender”.

A escritora explica que não há aumento dos casos de autismo, mas sim um crescimento no número de diagnósticos, situação que pode ter sido afetada pelas medidas emergenciais durante a crise de saúde no mundo, uma vez que a indicação precoce, a partir da observação em escolas e espaços coletivos, foi prejudicada.

Roberta Ecleide de Oliveira Gomes Kelly é psicóloga, psicanalista e professora de graduação e pós-graduação, supervisora de serviços públicos de saúde e assistência social, uma das fundadoras do Núcleo de Estudos em Psicanálise e Educação (Nepe), em Poços de Caldas (MG).


Capa do livro 'Autismo.S - Olhares e Questões' tem a foto em zoom de uma criança com olhar fixo, o nome da publicação, o nome da autora e da editora.

Clique na imagem para acessar a página oficial do livro. Foto: Divulgação.


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