Na essência da acessibilidade digital

Na essência da acessibilidade digital

Em entrevista exclusiva ao #blogVencerLimites, Simone Freire (web para todos) e Henri Fontana (Google) falam sobre o cenário atual da acessibilidade digital e destacam o que é fundamental para ampliar o conhecimento sobre um ambiente realmente inclusivo na internet. Palestrantes confirmados no 'Inventiv', primeiro evento da América Latina voltado à qualidade de produtos e serviços em tecnologia, eles explicam a diferença, para desenvolvedores e usuários, entre projetos que nascem acessíveis e produtos que encaram a acessibilidade como uma mera funcionalidade.

Luiz Alexandre Souza Ventura

05 de novembro de 2019 | 11h00


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Descrição da imagem #pracegover: Uma pessoa usa fone de ouvido e um equipamento de acessibilidade para operar um notebook. Está de costas para a câmera, tem cabelos e pele clara. Crédito: Reprodução.


“Acessibilidade não é encarada como direito básico no Brasil e, infelizmente, a acessibilidade digital ainda está no segundo plano em todos os setores privados e públicos”, afirma Henri Fontana, gerente de programas e acessibilidade do Google. “O cenário é de total exclusão digital para as pessoas com deficiência severa. Isso acontece porque as leis não funcionam”, diz Simone Freire, idealizadora do movimento web para todos.

Palestrantes confirmados no ‘Inventiv’, primeiro evento de Quality Engineering da América Latina, organizado pela Inmetrics no dia 13 de novembro, no Cubo Itaú, em São Paulo, os dois especialistas falam com exclusividade ao #blogVencerLimites.

CONSCIÊNCIA – Para ampliar o conhecimento sobre a importância da acessibilidade digital, na avaliação de Simone Freire, é fundamental conscientizar, fazer a informação sair da bolha que envolve as pessoas com deficiência e se espalhar para toda a sociedade, principalmente para as empresas e profissionais que trabalham com projetos digitais.

“Durmo e acordo pensando em como convencer as empresas, profissionais e a sociedade de que praticar a acessibilidade digital é bom pra todo mundo”, comenta Simone.

QUEM GANHA – A idealizadora do web para todos explica que, com uma internet realmente inclusiva, só haverá ganhadores.

“As pessoas com deficiência querem estudar, se relacionar, comprar e se divertir na web. As empresas têm a chance de interagir com uma parcela gigantesca da população ainda não impactada pelas suas marcas no digital. E os profissionais que se tornarem especialistas em uma área praticamente inexplorada, com a oportunidade de trazer mais propósito para os projetos que desenvolvem”, diz.

“O conhecimento técnico está aí e uma breve busca encontra milhares de artigos sobre implementação de acessibilidade em software. Falta agora a vontade para implementá-la”, destaca Henri Fontana.



ESFORÇO E CUSTO – O gerente de programas e acessibilidade do Google observa que a criação de conteúdos digitais e de softwares acessíveis compatíveis com as tecnologias assistivas exige esforço, mas equipes de desenvolvimento que incluem acessibilidade desde o princípio do produto conseguem incorporar as especificações técnicas necessárias de maneira natural e consistente.

“Há um benefício adicional. Na maioria dos casos, designers que levam em conta a acessibilidade acabam por criar experiências mais simples e intuitivas que beneficiam todos os usuários”, salienta Fontana.

No outro lado, alerta o especialista, produtos que encaram acessibilidade como uma funcionalidade adicional, que pode ser adicionada posteriormente, nunca serão satisfatoriamente acessíveis.

“Além disso, aumentam o risco de retrabalho e custos, quando tenta-se tornar um software ou conteúdo digital acessível ao final de um projeto. Infelizmente, é o mais comum na indústria como um todo, não somente no Brasil”, analisa.

“Imaginar que acessibilizar um site ou um aplicativo vai encarecer demais o projeto é um mito”, garante Simone Freire”. “A falta de conhecimento é o grande inimigo de quem pensa dessa forma. Quando a acessibilidade é pensada desde o início do projeto, não há investimento adicional significativo. É exatamente como no mundo físico. Se uma empresa, por exemplo, está construindo sua nova sede, vai contemplar rampa de acesso, sinalização em braile e piso tátil, isso estará embutido no orçamento da obra. No digital, é a mesma coisa”, assegura.

“É essencial incluir a ‘persona com deficiência’ no momento da idealização do projeto digital, para que os profissionais de design, desenvolvimento e conteúdo já tenham conhecimento do que precisam contemplar para eliminar eventuais barreiras de navegação deste público”, orienta Simone Freire.

“Há uma falsa impressão de que a acessibilidade é opcional, que é possível cortar custos e tempo ignorando as necessidades dos seus usuários e clientes”, completa Henri Fontana.

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