Não há ação coletiva para salvar pessoas com deficiência na Ucrânia

Não há ação coletiva para salvar pessoas com deficiência na Ucrânia

Ativistas descrevem tentativa de fuga "assustadora" e alertam para uma "crise dentro da crise", que condena a população ucraniana com deficiência à morte.

Luiz Alexandre Souza Ventura

12 de março de 2022 | 13h58

Mulher em cadeira de rodas, com cachorro branco preso a uma coleira e cachorro preto no colo, é empurrada por homem em pé, em meio a uma multidão.

“Os mais vulneráveis ​​são pessoas em cadeiras de rodas, com deficiência visual e deficiência auditiva”, diz chefe da Assembleia Nacional das Pessoas com Deficiência da Ucrânia. Foto: Stoyan Nenov / Reuters.


“Esta é uma crise dentro de uma crise. A resposta humanitária precisa reunir esforços específicos para identificar as pessoas com deficiência da Ucrânia”, disse Yannis Vardakastanis, presidente do European Disability Forum (EDF), em entrevista coletiva à imprensa internacional.

Na mesma conferência, Valery Sushkevych, chefe da Assembleia Nacional das Pessoas com Deficiência da Ucrânia (Національна Асамблея людей з інвалідністю України – HAIY), alertou para a impossibilidade de defesa na guerra. “Os mais vulneráveis ​​são pessoas em cadeiras de rodas, com deficiência visual e deficiência auditiva”.

Sushkevych descreveu como “assustadoras” as tentativas de fuga de pessoas com deficiência, que duraram vários dias, em meio às multidões nas estações de trem. “Quem não consegue deixar a Ucrânia enfrenta também a dificuldade em obter medicamentos”.

Raisa Kravchenko, integrante da VGO Coalition (All-Ukrainian NGO Coalition for Persons with Intellectual Disability), contou na reunião virtual feita nesta quinta-feira, 10, que ataques aéreos da Rússia à região de Kiev mataram um jovem com paralisia cerebral. Ela permanece na Ucrânia com o filho de 37 anos, que têm transtornos neurológicos.

A International Disability Alliance (IDA) reafirmou que não há ação para resgatar a população com deficiência. E quando essas pessoas chegam aos centros de refugiados ou abrigos, dentro ou fora da Ucrânia, surgem diversos obstáculos, desde degraus a informações inacessíveis.

Os ativistas reforçaram o temor de que as 2,7 milhões de pessoas com deficiência da Ucrânia sejam mortas ou fiquem gravemente feridas durante ataques das tropas russas ou em tentativas de fuga.

Com informações da Reuters.


Foto de uma mulher em cadeira de rodas ao lado de um trem.

“A resposta humanitária precisa reunir esforços específicos para identificar as pessoas com deficiência da Ucrânia”, disse Yannis Vardakastanis, presidente do European Disability Forum (EDF). Foto: Stoyan Nenov / Reuters.


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