Negligência no tratamento de ferimentos crônicos traz mais riscos às pessoas com deficiência

Negligência no tratamento de ferimentos crônicos traz mais riscos às pessoas com deficiência

"Há uma negligência sobre esse setor no Brasil", afirma coordenadora de clínica internacional, com método atualizado para recuperação e cicatrização de úlceras e lesões, que abriu a primeira unidade no Brasil. Acompanhamento evita infecções e problemas agudos. Alimentação equilibrada e hidratação são fundamentais.

Luiz Alexandre Souza Ventura

02 de julho de 2021 | 11h18

Foto de uma profissional de saúde tratando a ferida no pé de um paciente. A profissional veste roupa azul e itens de proteção. O rosto do homem está desfocado.

“É necessário agir de acordo com o estágio da ferida e o perfil da pessoa, considerar os fatores de risco e aplicar protocolos específicos, observando a complexidade das lesões e as fases de cicatrização”, diz especialista (descrição da imagem em texto alternativo).


Pessoas com deficiência que convivem com úlceras venosas e lesões por pressão podem ter muitas dificuldades para tratar e curar esses ferimentos, seja pela falta de acompanhamento profissional adequado ou até por puro desleixo. Há também uma carência de profissionais especializados e métodos atualizados, inclusive em unidades de atendimento de emergência, o que pode aumentar o tempo de cicatrização e recuperação. O resultado é o agravamento desse quadro, que se torna crônico ou agudo e traz mais riscos à saúde, além de ter reflexo direto na qualidade de vida.

“Há uma negligência sobre esse setor no Brasil. O SUS tem protocolo para tratamento, mas falta formação e informação”, afirma Michele Brajão Rocha, coordenadora de serviços clínicos da ConvaTec no Brasil e responsável pela operação da ConvaCare, primeira clínica do grupo no Brasil, que começou a funcionar na semana passada em São Paulo e oferece tecnologias e produtos médicos para tratamento de feridas, cuidados em estomia, continência e cuidado intensivo para prevenção de infecções, proteção da pele em risco, melhora dos pacientes e redução dos custos de tratamento.

“É necessário agir de acordo com o estágio da ferida e o perfil da pessoa, considerar os fatores de risco e aplicar protocolos específicos, observando a complexidade das lesões e as fases de cicatrização. Alimentação saudável e equilibrada, assim como hidratação são fundamentais”, diz a especialista, que integra o conselho fiscal da Sociedade Brasileira de Estomaterapia e do grupo de pesquisa em estomaterapia da EEUSP (Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo).

Michele explica que existem diversos tipos de lesões. “Pessoas acamadas, cadeirantes (ativos ou inativos) ou que não têm sensibilidade em algumas partes do corpo podem ter lesões por pressão nos pés, causadas por calçados, e também na região sacral, na base da coluna vertebral, porque ficam muito tempo sentadas ou deitadas”, diz. “Também há lesões por fricção, que podem ser causadas até por adesivos usados em curativos”, esclarece. “Há ainda lesões por diabetes, principalmente nos pés, queimaduras, as úlceras vasculogênicas – venosas, arteriais ou mistas -, provocadas pela má circulação, com 80% de incidência, acima de 60 anos na maiorira dos casos. E também as lesões tumorais”, comenta.


Montagem com duas imagens. À esquerda, foto de Michele Brajão Rocha, mulher branca, de cabelos loiros e compridos, veste camisa e casaco azul, está em pé, com os braços cruzados, sorrindo e olhando para a câmera. Ao fundo, desfocado, uma parte da recepção da clínica ConvaCare. À direita, imagem noturna da entrada da clínica e da fachada, uma casa branca, com térreo e primeiro andar, de janelas quadradas.

“O SUS tem protocolo para tratamento, mas falta formação e informação”, observa Michele Brajão Rocha (descrição da imagem em texto alternativo).


Escaras – É muito comum dar o nome de escara às lesões, mas a especialista ressalta que isso é um erro. “As escaras são os tecidos mortos, que ficaram sem circulação sanguínea por causa da pressão”.

O tempo de tratamento das lesões depende dos estágios em que se encontram. A coordenadora destaca que o método da ConvaTec, aplicado há uma década em países como Colômbia, Chile, México, África do Sul e Singapura, garantiu recuperação em nove meses para 92% dos pacientes, sendo que menos de 1% ficou mais de 15 meses internado e somente 1,5% desenvolveu novas infecções durante o tratamento.

A clínica é particular e, segundo a coordenadora, está em conversa com operadoras de planos de saúde para oferecer os serviços aos conveniados. A consulta custa R$ 400. “É feita uma avaliação completa e o preço do tratamento é determinado após essa análise”, diz Michele Brajão Rocha.


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