Neste mundo com acessibilidade e empatia (ou não)

Neste mundo com acessibilidade e empatia (ou não)

Em texto exclusivo para o blogVencerLimites, o empresário Jaques Haber, dono da iSocial, consultoria especializada na inclusão de trabalhadores com deficiência, conta o que viu, ouviu, sentiu e teve de fazer durante uma viagem com sua esposa e sócia Andrea Schwarz, que usa uma cadeira de rodas desde 1998, e os dois filhos do casal. Passando por destinos como Estados Unidos, Canadá, Japão, Itália, Croácia e Grécia, na inevitável comparação com a realidade brasileira, ele comenta os perrengues enfrentados pela família, os momentos de surpresa com a ajuda de estranhos e a falta de empatia em muitas situações.

Luiz Alexandre Souza Ventura

02 Agosto 2018 | 17h34

IMAGEM 02: Em texto exclusivo para o blogVencerLimites, o empresário Jaques Haber, dono da iSocial, consultoria especializada na inclusão de trabalhadores com deficiência, conta o que viu, ouviu, sentiu e teve de fazer durante uma viagem com sua esposa e sócia Andrea Schwarz, que usa uma cadeira de rodas desde 1998, e os dois filhos do casal. Passando por destinos como Estados Unidos, Canadá, Japão, Itália, Croácia e Grécia, na inevitável comparação com a realidade brasileira, ele comenta os perrengues enfrentados pela família, os momentos de surpresa com a ajuda de estranhos e a falta de empatia em muitas situações. Descrição #pracegover: Foto mostra duas pessoas - um homem, uma mulher em cadeira de rodas e dois meninos - olhando para a câmera e sorrindo. Todos estão à frente de uma mureta baixa. Ao fundo, o mar da cidade de Veneza, na Itália. Crédito: Arquivo pessoal / Jaques Haber

IMAGEM 02: Em texto exclusivo para o blogVencerLimites, o empresário Jaques Haber, dono da iSocial, consultoria especializada na inclusão de trabalhadores com deficiência, conta o que viu, ouviu, sentiu e teve de fazer durante uma viagem com sua esposa e sócia Andrea Schwarz, que usa uma cadeira de rodas desde 1998, e os dois filhos do casal. Passando por destinos como Estados Unidos, Canadá, Japão, Itália, Croácia e Grécia, na inevitável comparação com a realidade brasileira, ele comenta os perrengues enfrentados pela família, os momentos de surpresa com a ajuda de estranhos e a falta de empatia em muitas situações. Descrição #pracegover: Foto mostra quatro pessoas – um homem, uma mulher em cadeira de rodas e dois meninos – olhando para a câmera e sorrindo. Todos estão à frente de uma mureta baixa. Ao fundo, o mar da cidade de Veneza, na Itália. Crédito: Arquivo pessoal / Jaques Haber


Jaques Haber é casado com Andrea Schwarz. Juntos, criaram a i.Social, consultoria especializada na inclusão de trabalhadores com deficiência no mercado de trabalho que já ajudou mais de 15 mil pessoas com deficiência a conseguirem um emprego.

Em texto exclusivo para o blogVencerLimites, o empresário conta o que viu, ouviu, sentiu e teve de fazer durante uma recente viagem de férias com sua esposa, que usa uma cadeira de rodas desde 1998, e os dois filhos do casal.

Em destinos como Estados Unidos, Canadá, Japão, Itália, Croácia e Grécia, e na inevitável comparação com a realidade brasileira, Haber comenta os perrengues enfrentados pela família, os momentos de surpresa com a ajuda de estranhos e a falta de empatia em muitas situações.


IMAGEM 02: Jaques Haber é empresário. DESCRIÇÃO #pracegover: Homem segura uma roda e olha para a câmera com semblante sério. Ao fundo, uma grande loja de equipamentos para bicicletas em Veneza (Itália). Crédito da foto: Arquivo pessoal / Jaques Haber

IMAGEM 02: Jaques Haber é empresário. Descrição #pracegover: Homem segura uma roda e olha para a câmera com semblante sério. Ao fundo, uma grande loja de equipamentos para bicicletas em Veneza (Itália). Crédito da foto: Arquivo pessoal / Jaques Haber


“O Brasil é reconhecidamente um país sem acessibilidade. Experimente andar de cadeira de rodas pelas ruas de São Paulo. Pode ser em um bairro nobre, não precisa ser na periferia. Tente entrar em um restaurante ou em um bar na rua e pergunte se há um sanitário adaptado? E um cardápio em braile, então? Intérprete de Libras para atender um surdo?

Desde 1998, quando minha esposa Andrea Schwarz começou a usar a cadeira de rodas, temos experimentado as desventuras de circular pelo Brasil com sua total falta de estrutura acessível.

Em 1999, um ano após ela se tornar cadeirante, escrevemos o Guia São Paulo Adaptada, o primeiro que retratava a capital paulista sob a óptica da acessibilidade e dos serviços disponíveis para pessoas com deficiência. Havia total falta de informações e resolvemos mapear a cidade para abastecer outras pessoas em situações semelhantes e contribuir para a conscientização sobre a importância dos recursos acessíveis.

De lá para cá, 20 anos depois, podemos observar avanços em nosso País e também tivemos a oportunidade de conhecer a estrutura de acessibilidade de outros que visitamos.

Os Estados Unidos, por exemplo, são referência em acessibilidade. Sempre que podemos, viajamos para lá. Orlando e a Disney parecem o paraíso para quem precisa de acessibilidade, Andrea é independente e sua limitação fica completamente minimizada, direito de ir e vir garantido. Canadá é muito parecido.

Na Europa é diferente. São países mais antigos que foram construídos e se desenvolveram em épocas onde a acessibilidade não era contemplada. É mais comum edificações terem adaptações, como no Brasil.

Países em desenvolvimento como o nosso também carecem de estrutura acessível. Não só nas calçadas, mas também no transporte público, nos prédios, hotéis e outros estabelecimentos.

Um país que nos surpreendeu positivamente foi o Japão, que oferece acessibilidade completa. Vimos coisas que não encontramos em nenhum outro lugar, como uma plataforma para escadas rolantes, onde era possível descer ou subir de cadeira de rodas, ou sanitários acessíveis super tecnológicos. Sem contar o respeito que os japoneses têm por todos, especialmente por alguém com deficiência.


IMAGEM 03: Ao chegar em Nova Iorque, o primeiro perrengue. Descrição #pracegover: Foto tripla. No lado esquerdo, a empresária Andrea Schwarz sorri para a câmera. Ela está sentada na cadeira de rodas e segura um pneu. Ao centro, detalhe da cadeira parcialmente desmontada. No lado direito, Andrea está ao lado do mecânico Frederico, que tem pele morena, cabelos escuros e está agachado. Crédito da foto: Arquivo pessoal / Jaques Haber

IMAGEM 03: Ao chegar em Nova Iorque, o primeiro perrengue. Descrição #pracegover: Foto tripla. No lado esquerdo, a empresária Andrea Schwarz sorri para a câmera. Ela está sentada na cadeira de rodas e segura um pneu. Ao centro, detalhe da cadeira parcialmente desmontada. No lado direito, Andrea está ao lado do mecânico Frederico, que tem pele morena, cabelos escuros e está agachado. Crédito da foto: Arquivo pessoal / Jaques Haber


Escrevo esse texto no aeroporto de New Jersey (EUA), voltando de uma viagem que fizemos com nossos filhos em julho, na qual passamos por Nova Iorque, Veneza, Dubrovinik (Croácia) e Santorini (Grécia). Resolvi escrever justamente porque, dessa vez, as coisas não saíram exatamente como o planejado.

No primeiro dia de viagem, em NY, o pneu da cadeira de rodas da Andrea estourou. Estávamos na fila do check-in do hotel quando isso aconteceu. Nenhum funcionário foi capaz de nos ajudar. Fiquei pasmo. Tanta acessibilidade, mas nenhuma empatia, apenas frieza.

Uma mulher cadeirante, desesperada, cansada da viagem, com seu marido e seus dois filhos pedindo ajuda, e os funcionários do hotel só passavam o problema adiante.

Pedi que nos emprestasse uma cadeira de rodas para procurarmos por alguma bicicletaria. Recusaram. A segurança não permitiu sair do hotel com a cadeira porque não podiam correr o risco de não devolvermos.

Fiquei chocado.

Resolvi procurar sozinho para tentar consertar o pneu da cadeira. Encontramos o Frederico, latino, dono de uma loja de bikes na 9ª Avenida, que foi extremamente simpático, nos acalmou e ligou para metade de Nova Iorque até substituir o pneu danificado.


IMAGEM 04: Em Veneza, chão de pedra. Descrição #pracegover: Foto da empresária Andrea Schwarz sentada na cadeira de rodas e seus filhos. Todos olham para a câmera e estão sorrindo, unido no lado esquerdo da imagem, que destaca um grande corredor inclinado para cima, com o piso totalmente revestido de pedras. Crédito da foto: Arquivo pessoal / Jaques Haber

IMAGEM 04: Em Veneza, chão de pedra. Descrição #pracegover: Foto da empresária Andrea Schwarz sentada na cadeira de rodas e seus filhos. Todos olham para a câmera e estão sorrindo, unido no lado esquerdo da imagem, que destaca um grande corredor inclinado para cima, com o piso totalmente revestido de pedras. Crédito da foto: Arquivo pessoal / Jaques Haber


Quatro dias depois, voamos para Veneza. Fomos dar uma volta pela cidade e, no final da tarde, escutamos uma explosão. Outro pneu da cadeira da Andrea havia estourado. O segundo em menos de uma semana. Ficamos, de fato, desesperados.

Veneza, cidade entre as mais bonitas do mundo, é das menos acessíveis. Não somente por causa das pontes, mas principalmente pelo piso, feito de pedras irregulares e desniveladas. Com um pneu furado, simplesmente não era possível nos movimentar por lá. Estávamos ilhados.

A história, no entanto, foi diferente. Encontramos pessoas dispostas a nos ajudar.

Os operadores do ‘Water Táxi’ (pequenos barcos de madeira) nos levaram de lancha até Piazzalle Roma, onde pegamos um táxi para a cidade de Mestre, próxima à Veneza, para encontramos uma bicicletaria.

Estavam fechadas e passamos a noite por lá. No dia seguinte, logo cedo, os funcionários do hotel foram muito prestativos e nos ajudaram a encontrar uma loja que tivesse o pneu que precisávamos. Demorou, mas deu tudo certo.

Chamou nossa atenção o tratamento. Duas situações semelhantes em cidades e países distintos, mas resolvidas de formas completamente opostas. Uma diferença cultural muito grande.


IMAGEM 05: Azeite de oliva para lubrificar o equipamento travado. Descrição #pracegover: Foto tripla. No lado esquerdo e ao centro, destaque para a peça da cadeira de rodas que é ligada por um cabo de aço e faz a dobra do equipamento. No lado direito da imagem, um sachê de azeite de oliva sobre uma mão, com a cadeira de rodas ao fundo. Crédito da foto: Arquivo pessoal / Jaques Haber

IMAGEM 05: Azeite de oliva para lubrificar o equipamento travado. Descrição #pracegover: Foto tripla. No lado esquerdo e ao centro, destaque para a peça da cadeira de rodas que é ligada por um cabo de aço e faz a dobra do equipamento. No lado direito da imagem, um sachê de azeite de oliva sobre uma mão, com a cadeira de rodas ao fundo. Crédito da foto: Arquivo pessoal / Jaques Haber


Não bastasse isso, quando estávamos saindo de Veneza, voltando para Nova Iorque, onde pegaríamos o avião para o Brasil, ao sair do táxi para montar a cadeira de rodas da Andrea, e o mecanismo de destrave quebrou. Não conseguia desdobrar a cadeira de jeito nenhum. Até que tive a ideia de buscar azeite de oliva para lubrificar a engrenagem da trava e, finalmente, consegui consertar.

Mais uma vez pude contar com o apoio e solidariedade dos italianos.

Não é habitual tantos incidentes em nossas viagens, mas são experiências que mostram como a questão cultural é tão, ou mais importante, do que a estrutural quando o assunto é inclusão.

Acessibilidade quase total nos EUA, mas empatia praticamente zero. Em Veneza, o contrário.

Em cada lugar do mundo que passamos, percebemos muitas diferenças com relação à forma como somos encarados, de que maneira as pessoas se relacionam com alguém com deficiência. E esse ponto faz toda a diferença.

Penso que é comum reclamarmos da falta de acessibilidade no Brasil, o que é verdade e precisa ser melhorado.

No entanto, percebo que, na empatia, como latinos que somos, estamos bem à frente de povos e países mais desenvolvidos.

No mundo ideal, você pode contar com estrutura e cultura inclusivas, mas construir rampa, banheiro acessível ou plataforma elevatória ainda é mais fácil do que mudar comportamentos, atitudes e pensamentos”.

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