“No Brasil, só 19% das escolas públicas de ensino médio possuem acessibilidade”

“No Brasil, só 19% das escolas públicas de ensino médio possuem acessibilidade”

Reeleita deputada federal neste ano, Mara Gabrilli (PSDB/SP) falou ao blog Vencer Limites sobre as propostas para o próximo mandato, acessibilidade nas eleições e sobre a Lei Brasileira de Inclusão. "O tema acessibilidade passou a fazer parte da agenda da Câmara e conta com o apoio da maioria dos parlamentares", diz.

Luiz Alexandre Souza Ventura

31 Outubro 2014 | 12h10

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O que você precisa saber sobre pessoas com deficiência

“O tema acessibilidade passou a fazer parte da agenda da Câmara”, diz Mara Gabrilli. Foto: Divulgação

Mara Gabrilli (PSDB/SP) tem mais quatro anos de luta pela frente. E a batalha não é somente contra as dificuldades impostas pela falta de acessibilidade em espaços publicos e privados, ou para garantir respeito e cidadania a pessoas com deficiência. Tetraplégica há mais de 20 anos, a deputada federal, reeleita nas últimas eleições com 155.143 votos, está empenhada em conseguir a aprovação e implementação da LBI, a Lei Brasileira de Inclusão.

Vencer Limites – Qual a situação atual sobre o trâmite da LBI?
Mara Gabrilli – A Lei Brasileira da Inclusão está pronta para ser votada no plenário da Câmara. Estou negociando com o presidente da Casa, deputado Henrique Alves, para que seja colocada em votação o quanto antes. Depois de aprovada na Câmara, ela ainda precisará passar pelo Senado, antes de seguir para a sanção presidencial.

Vencer Limites – O que será prioridade? Quais são as propostas e projetos para o próximo mandato?
Mara Gabrilli – Quero continuar o trabalho que venho fazendo pelas pessoas com deficiência em todo o Brasil. Além de seguir fiscalizando o Governo, colocando o olhar para a pessoa com deficiência nos projetos que não as contemplarem, vamos trabalhar muito pela aprovação e implementação dos itens da LBI, que tentaremos votar ainda neste ano. É um trabalho intersetorial, com muitas novidades na educação, assistência social, comunicação, trabalho e nos próprios direitos da pessoa com deficiência.

Vencer Limites – A nova formação da Câmara (se houve essa renovação de forma substancial) pode ajudar no andamento de projetos voltados às pessoas com deficiência?
Mara Gabrilli – Durante as eleições tivemos um marco simbólico para as pessoas com deficiência, que foi a reforma de acessibilidade realizada no plenário da Câmara, proporcionando acesso de cadeirantes à mesa diretora através de duas rampas. Esse ano os deputados que estavam presentes me viram ser carregada até a mesa diretora. Essa reforma mostra na prática aos deputados que é o meio que precisa se adequar às pessoas com deficiência. Acho que o tema acessibilidade passou a fazer parte da agenda da Câmara e, de uma forma geral, conta com o apoio da maioria dos parlamentares, independente de partido. Por outro lado, infelizmente, os deputados cadeirantes que me acompanharam no atual mandato não foram reeleitos para a próxima legislatura e farão falta nessa luta. Mas continuamos com parlamentares que apoiam a causa, como o Otávio Leite (RJ) e o Eduardo Barbosa (MG). No Senado, ganhamos o apoio de peso do José Serra e do Romário, dois defensores das pessoas com deficiência. Estou otimista e bastante confiante para realizar um bom mandato.

Vencer Limites – Qual a sua avaliação sobre a acessibilidade nestas eleições, inclusive nas campanhas e no dia de votação? Houve algum avanço na comparação com 2010?
Mara Gabrili – Avançamos muito pouco. Infelizmente, por mais que tenhamos lutado para que fosse obrigatória a utilização da Libras durante o horário eleitoral dos partidos e dos candidatos, isso ainda não foi possível, impossibilitando que os surdos usuários da Libras tivessem acesso a todo o conteúdo das informações. A legislação eleitoral obrigada que seja utilizada a legenda ou a janela de Libras, quando as duas deveriam ser obrigatórias. Somente a legenda não é suficiente, uma vez que muitos surdos não são usuários da língua portuguesa, mas sim da Língua Brasileira de Sinais, que, por sinal, é reconhecida como Língua oficial do Brasil. Além disso, tem a questão da acessibilidade nos colégios eleitorais, que mais uma vez deixou a desejar. Recebi muitas denúncias de eleitores, pessoas com deficiência, idosos e mobilidade reduzida, que não conseguiram votar por conta de barreiras física como escadas. No Brasil, só 19% das escolas públicas de ensino médio possuem acessibilidade. E muitas dessas escolas são utilizadas como colégio eleitoral. Quero trabalhar junto ao TSE e ao Ministério da Saúde para que consigamos melhorar esse cenário já para as próximas eleições, em 2016.