“O braille é indispensável para a independência e a autonomia das pessoas cegas”

“O braille é indispensável para a independência e a autonomia das pessoas cegas”

Regina Oliveira, coordenadora de revisão braille da Fundação Dorina Nowill, explica a importância desse recurso de acessibilidade. "A verdadeira alfabetização de crianças cegas só é garantida por meio deste sistema".

Luiz Alexandre Souza Ventura

29 de fevereiro de 2016 | 16h40

Regina Oliveira é coordenadora de revisão braille da Fundação Dorina Nowill. Imagem: Reprodução

Regina Oliveira é coordenadora de revisão braille da Fundação Dorina Nowill. Imagem: Reprodução

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“É indispensável que as autoridades na área da educação se conscientizem de que o braille é o sistema natural de leitura das pessoas cegas e que, portanto, a verdadeira alfabetização de crianças cegas só é garantida por meio deste sistema”, diz Regina Oliveira, coordenadora de revisão braille da Fundação Dorina Nowill para Cegos e membro do Conselho Iberoamericano do Braille e do Conselho Mundial do Braille.

Cega desde os 7 anos, ela afirma que as publicações em braille representam apenas pouco mais de 1% das publicações sem braille, mas estudos comprovam o uso do sistema como imprescindível para o desenvolvimento cognitivo de crianças que nasceram cegas. “Para jovens e adultos cegos que preferem o braille como meio de leitura, deve ser garantida a oferta de textos neste formato assim como continuam sendo oferecidos textos impressos às pessoas que enxergam”, ressalta.

De acordo com a especialista, as novas tecnologias não devem substituir o braille, mas, sim, somar-se a ele. “Mesmo diante de um tablet, de um celular ou outro recurso tecnológico, as pessoas que enxergam continuam em contato direto com a escrita e as pessoas cegas que o desejem também devem ter este direito assegurado”.

Para isso, explica a coordenadora, já existem os chamados displays braille, que permitem a leitura de textos armazenados sem a necessidade da impressão em papel. “É indispensável, porém, que o custo de tais equipamentos seja compatível com a realidade das pessoas cegas brasileiras”, ressalta.

“O braille é um recurso indispensável para a independência e a autonomia das pessoas cegas. O uso desse recurso em embalagens de alimentos, cosméticos, medicamentos, em cardápios, extratos bancários, contas de consumo, elevadores e em muitos outros itens do dia a dia é amplamente aceito por esse grupo de pessoas. Quanto à leitura de textos, existem aqueles que preferem o braille e aqueles que preferem outros formatos acessíveis (falado ou digital). Já as pessoas com baixa visão, em geral, se utilizam de recursos ópticos que lhes permitem ler os textos produzidos em fontes ampliadas”, conclui.

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