“O Brasil ainda engatinha socialmente”

“O Brasil ainda engatinha socialmente”

O empresário e Embaixador Paralímpico, José Victor Oliva, fala ao podcast Vencer Limites sobre suas experiências no universo da pessoa com deficiência. E lamenta que o País precise de uma lei que obrigue empresas a contratar trabalhadores com deficiência. "E uma pena que tenha de ser assim".

Luiz Alexandre Souza Ventura

29 de agosto de 2016 | 14h24

José Victor Oliva conhece bem os detalhes que interferem, de forma positiva ou negativa, na vida de uma pessoa com deficiência. Em março de 2012, ele sofreu um acidente na rodovia SP-75, que liga Sorocaba e Campinas, no interior paulista. Seu carro bateu em um poste na altura do quilômetro 255, no trecho de Itu, por volta de 19h. Com isso, passou a conviver com restrições de movimento na mão e no braço esquerdo.

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“Eu nunca fiquei desesperado. No primeiro mês foi péssimo, mas em seis meses eu já sorria”, diz. “Ganhei muitas bolinhas para fazer exercícios, tinha um saco lotado. Joguei tudo fora. Fui em vários médicos e surgiu um monte de opiniões para tratamento, mas não adiantou”.

O embaixador afirma nem sequer lembrar que tem um deficiência. “Vou fazendo minhas coisas todos os dias. Passo muito tempo sem pensar no que não posso fazer ou que sou diferente. Já emendei”, brinca o empresário.

Atualmente, Oliva é presidente do conselho da Holding Clube, grupo que reúne oito empresas de comunicação e marketing promocional: Banco de Eventos, Rio360, Samba.pro, Lynx, Cross Networking, FanClub, Play Book e The Aubergine Panda. acumula décadas de trabalho na área de entretenimento. Nas décadas de 1980 e 1990 era chamado de o ‘Rei da Noite’, época na qual comandou casas noturnas como The Gallery, Banana Café, Moinho Santo Antônio e Resumo da Ópera.

“Fico incomodado quando nos chamam de heróis”

Oliva confessa que, antes do acidente, não sabia nada sobre o universo da pessoa com deficiência, nem mesmo como empresário. “Hoje, conheço pouca coisa. E foi uma boa surpresa ser escolhido como embaixador do Comitê Paralímpico Brasileiro. Nós já promovemos alguma ações, principalmente no hipismo paralímpico”.

Sobre o acesso ao mercado de trabalho, um dos maiores obstáculos enfrentados por pessoas com deficiência no País, o empresário afirma que a necessidade de uma lei de cotas confirma a segregação. “O Brasil ainda engatinha socialmente. A minha geração e, talvez, a sua, destacam as diferenças, mas meu filho não tem esse olhar, as crianças não têm esse olhar, o destaque para as diferenças tende a sumir”.

Em suas viagens pelo mundo, José Victor Oliva presenciou a forma que nações mais evoluídas política e socialmente tratam as diferenças e a pessoa com deficiência. “O Brasil precisa aprender tudo. Em eventos, na área de entretenimento, que é meu setor principal, a pessoa com deficiência nem precisa pensar se vai haver acessibilidade, porque o acesso está garantido, assim como o transporte acessível. As disparidades ainda são enormes”.


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