“O Brasil começa a entender a importância da inclusão na escola”

“O Brasil começa a entender a importância da inclusão na escola”

Em entrevista ao #blogVencerLimites, o presidente da Unimed do Brasil, Eudes de Freitas Aquino, fala sobre a importância do esporte para transformar vidas, cita os projetos da empresa para pessoas com deficiência, e avalia a Lei de Cotas e a LBI. "Precisamos de direitos regulamentados e fiscalizados".

Luiz Alexandre Souza Ventura

14 Outubro 2016 | 12h40

Eudes de Freitas Aquino, presidente da Unimed do Brasil. Foto: Divulgação (13/10/2016)

O acesso ao trabalho é o maior desafio da pessoa com deficiência no Brasil. Não apenas porque conseguir estudar a garantir capacitação são obstáculos gigantescos para quem precisa de acessibilidade e, sem esses recursos, não consegue sequer sair de casa. Mas também porque empresas e empresários, muitas vezes, observam a pessoa com deficiência de forma estigmatizada e, dessa forma, entendem investimento como gasto desnecessário.

Felizmente, o mundo corporativo brasileiro tem dado bons sinais de que investir no profissional com deficiência é uma prática de sucesso, desde que a compreensão sobre esse universo seja ampla e aprofundada.

A Unimed do Brasil é um dos bons exemplos. Para saber como a empresa atua e promove a inclusão, até mesmo de atletas paralímpicos, o #blogVencerLimites conversou com Eudes de Freitas Aquino, presidente da companhia.

Eudes de Freitas Aquino, presidente da Unimed do Brasil. Foto: Divulgação (13/10/2016)

blog Vencer Limites – Por que a Unimed decidiu atuar em defesa da pessoa com deficiência? Por que apoiar atletas? Há projeto para outro tipo de apoio, além de atletas?

Eudes de Freitas Aquino – A Unimed acredita que existe uma relação direta entre a saúde e o esporte. A prática do esporte gera movimento, energia e qualidade de vida, contribuindo diretamente para o bem-estar das pessoas. Assim, a prática esportiva é uma das principais ferramentas que temos para transformar vidas, seja por meio da melhora do condicionamento físico ou por questões psicológicas, como melhora do sono e diversão.

Acreditamos que é importante termos o esporte em evidência no nosso País. E, em sendo assim, os atletas desempenham um papel fundamental em despertar o interesse das pessoas pela prática esportiva. Por isso, investimos no preparo desses profissionais, contribuindo com o reconhecimento de novos campeões e valorizando os atletas com deficiência.

O esporte paralímpico está cada vez mais em evidência, ganhando mais integrantes, permitindo que a sociedade se aproxime das diferentes modalidades que a prática oferece e fomentando a inclusão social. Com apoio financeiro e oferecimento de plano de saúde para nove atletas de ponta, a Unimed do Brasil, a Central Nacional Unimed e a Seguros Unimed contribuíram para a conquista de três das 72 medalhas brasileiras nos Jogos Paralímpicos Rio 2016, sendo uma de ouro.

blog Vencer Limites – Quais são as ações mais importantes da Unimed neste universo?

Eudes de Freitas Aquino – Mais importante que apoiar o paradesporto junto à sociedade, é promover a inclusão social dentro de casa. A Unimed do Brasil incentiva fortemente a contratação de pessoas com deficiência pelas cooperativas que compõem o Sistema Unimed. Para isso, oferece consultoria para o preparo das instalações e das equipes que irão receber os novos colaboradores.

Anualmente, é realizado um ‘Encontro Nacional de Pessoas com Deficiência’, que tem como objetivo reunir as boas práticas sobre o tema e compartilhá-las com técnicos de Gestão de Pessoas, de Sustentabilidade e Responsabilidade Social e com profissionais com deficiência. Outra iniciativa importante é a campanha ‘Eu Ajudo na Lata’, que viabiliza a doação de cadeiras de rodas ou outros equipamentos que proporcionam acessibilidade a pessoas com deficiência, por meio de arrecadações realizadas com a venda de lacres de latinhas de alumínio.

blog Vencer Limites – Qual a sua avaliação sobre as políticas públicas atuais que contemplam pessoas com deficiência, principalmente no que diz respeito à saúde e ao trabalho?

Eudes de Freitas Aquino – Acredito que promover a igualdade de oportunidades para pessoas com deficiência é um dever da sociedade. Já caminhamos bastante neste sentido, contando com políticas públicas que garantem o direito à igualdade para as pessoas com deficiência. Entretanto, ainda há muito a avançarmos para superarmos uma história muito forte de preconceito e discriminação.

blog Vencer Limites – Qual a sua opinião sobre a Lei de Cotas, que exige a contratação de pessoas com deficiência pelas empresas?

Eudes de Freitas Aquino – Muito se discute sobre a diferenciação que pode levar à discriminação. Não acredito que este seja o caso. Infelizmente, ainda precisamos contar com garantias formais para disseminar a igualdade social para as pessoas com deficiência. As cotas exercem esse papel, buscando, por meio de medidas diferenciadas, equiparar as oportunidades de inclusão e trabalho igualitário.

blog Vencer Limites – Qual a sua opinião sobre a Lei Brasileira de Inclusão de Pessoas com Deficiência (13.146/2015), que entrou em vigor em janeiro deste ano?

Eudes de Freitas Aquino – Ainda estamos em uma fase de tratar com medidas paliativas e obrigatórias as ações que deveriam ser claras e oportunizadas independentemente de uma legislação. Por exemplo, a acessibilidade e a saúde são direitos de qualquer cidadão, e, portanto, também das pessoas com deficiência. No entanto, como ainda não vivenciamos esta realidade, precisamos que estes direitos sejam regulamentados e fiscalizados.

blog Vencer Limites – O Brasil tem algo a ensinar para outros países sobre acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência? O que podemos aprender com as outras nações?

Eudes de Freitas Aquino – Acredito que o Brasil esteja começando a entender a importância de se dedicar à inclusão de pessoas com deficiência na sociedade já no período escolar. Os indicadores que demonstram isso são crescentes, e os marcos regulatórios e as iniciativas trabalhadas neste segmento se destacam em âmbito internacional. Por outro lado, há ainda uma segregação latente observada em escolas especiais e uma dependência enorme dos fundos governamentais e de doações particulares para o investimento em iniciativas para pessoas com deficiência. Como comentei, temos muito a avançar.

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