“O corpo com deficiência ainda não é visto como possível”

“O corpo com deficiência ainda não é visto como possível”

Curta-metragem 'profanAÇÃO', de Estela Lapponi, tem cinco artistas com deficiência e insere recursos de acessibilidade como parte da narrativa para debater a exclusão e a invisibilidade da pessoa com deficiência. "Realizadores com deficiência enfrentam o preconceito das curadorias dos festivais. Percebi o quanto há que se lutar no meio artístico em geral", diz a diretora.

Luiz Alexandre Souza Ventura

15 de setembro de 2020 | 13h18


ABERTURA EM LIBRAS (EM GRAVAÇÃO)


Ouça essa reportagem com Audima no player acima, acione a tradução do texto em Libras com Hand Talk no botão azul à esquerda ou acompanhe o vídeo no final da matéria produzido pela Helpvox com a interpretação na Língua Brasileira de Sinais.


Descrição da imagem #pracegover: Foto a partir da parte de baixo de uma cadeira de rodas mostra as pernas de uma pessoa em movimento e duas mulheres sentadas no chão. Crédito: Divulgação.


“Mesmo com todas as leis afirmativas criadas com o intuito de garantir o direito
de existência em sociedade, o corpo com deficiência ainda não é visto como um corpo possível, continua a ser ignorado, mesmo nas
esferas excluídas da sociedade, corpo negro, corpo da mulher negra, corpo LGBTQ, corpo periférico. Trata-se de um corpo ainda invisível, que carrega em sua ancestralidade um peso histórico e cultural”, diz Estela Lapponi, diretora do curta-metragem ‘profanAÇÃO’, que percorre festivais de cinema do País desde o ano passado.

Os recursos de acessibilidade (audiodescrição, legendas em português e interpretação em Libras, a Língua Brasileira de Sinais) são incluídos como parte da narrativa para promover uma experiência estética de coexistência. A produção está disponível na plataforma Cardume Curtas, tem 25 minutos de duração e classificação a partir de 14 anos. Assista o trailer.

“Realizadores com deficiência sofrem bastante preconceito nas curadorias dos festivais. Quando estreei meu filme no Kinoforum 2018 (29° Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo), percebi o quanto há que se lutar no meio artístico em geral”, afirma Estela. “Problematizei sobre a categoria em que o meu filme e de outras realizadoras que não tinham deficiência, mas tratavam do tema, foram inseridos (Diferente como todo mundo). Em 2020, essa categoria finalmente foi extinguida e um realizador com deficiência foi premiado na Mostra Brasil”, conta a diretora.


Descrição da imagem #pracegover: Foto de quatro pessoas, duas mulheres e dois homens, sentadas em cadeiras lado a lado, todas nuas, de costas para a câmera, com os braços direitos virados, segurando recipientes de plástico cheios de pipoca. Crédito: Divulgação.


Para fazer do curta, Estela Lapponi abriu uma chamada pública com a proposta ‘Tudo aquilo que você sempre quis perguntar para uma pessoa com deficiência, mas nunca teve coragem’. As perguntas enviadas estão no filme.

O elenco do curta é composto por cinco artistas com deficiência Edu O, Leo Castilho, Natália Rocha, além da própria Estela Lapponi e da participação especial de Sarah Houbolt.

“Uma pessoa surda, duas pessoas com baixa visão, uma pessoa cadeirante e outra claudicante deparam-se com um monte de perguntas enviadas pelo público, que revelam todo um imaginário em torno de seus corpos. Juntos, realizam um ritual de respostas poéticas e artísticas que vão além daquilo que se quer ‘ouvir’. profanAÇÃO é performance em experimento cinematográfico”, explica a diretora.

“O corpo com deficiência desafia a normatividade existente em nossa sociedade e é visto como um corpo que precisa ser arrumado, ajustado, normatizado para poder, enfim, existir. Neste curta, profanamos o corpo com deficiência para que retorne à dimensão humana”, destaca Estela.


REPORTAGEM COMPLETA EM LIBRAS (EM GRAVAÇÃO)
Vídeo produzido pela Helpvox com a versão da reportagem na Língua Brasileira de Sinais gravada pelo intérprete e tradutor Gabriel Finamore.


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