“O esporte paralímpico me deu a alegria de viver”

“O esporte paralímpico me deu a alegria de viver”

Susana Schnarndorf leva para os Jogos do Rio as experiências de uma atleta vencedora, que precisou reaprender a vencer os limites do corpo. "A paralimpíada vai acabar com a imagem do coitadinho", diz a nadadora.

Luiz Alexandre Souza Ventura

31 de agosto de 2016 | 10h00

O movimento é uma rotina na vida de Susana Schnarndorf. O começo foi nas piscinas, ainda na infância. Aos 20 anos conheceu o triatlo e se tornou uma lenda na modalidade. Participou de 13 edições do Iron Man e tem cinco títulos brasileiros no currículo. Conhece bem as exigências impostas ao atleta de alto rendimento e, desde sempre, treina para vencer os limites do corpo.

Leia Também

Facebook

Em 1995, aos 28 anos, quando foi acometida pela Múltipla Atrofia dos Sistemas (MSA), precisou reaprender a ultrapassar esses limites. “Fiquei anos me tratando e descobri o esporte paralímpico, que me deu a alegria de viver”, diz. Ela chega à segunda paralimpíada com uma bagagem de respeito.

Susana é recordista brasileira dos 50, 100 e 400m livres, 100m peito e 200m medley, ganhou cinco medalhas de ouro no CAN AM (Canadá 2014) de natação, duas de ouro (50m livre e 4x50m livre) e três de prata (400m livre, 100m peito e 200m medley) no mundial do Estados Unidos 2014, e foi campeã mundial dos 100m peito e bronze nos 400m livre (Canadá 2013).

“A meta nessa paralimpíada é melhorar meu tempo. Estar 100% lá. E a medalha será consequência. Meu objetivo é nadar bem e ganhar medalha”, afirma a atleta. “Os Jogos Paralímpicos do Rio vão mostrar a todos o universo da pessoa com deficiência, como somos felizes, trabalhamos para nos tornamos atletas de alto rendimento. Somos pessoas que perseguem seus objetivos”, afirma Susana.

“Não somos vítimas”

E o tal ‘exemplo de superação’, o retrato do ‘herói’, abordagem habitualmente usada pela mídia em geral quando um atleta com deficiência se torna conhecido, diminuindo todo o treinamento, empenho, fibra e qualidades desse atleta? Susana acredita que a paralimpíada vai quebrar esse estigma.

“A maioria fala isso. Que somos exemplo de superação. Todos se superam todos os dias, tenham deficiência ou não. A paralimpíada vai acabar com a imagem do ‘coitadinho’. Todos caem na piscina e têm ótimos resultados. Todos têm suas dificuldades e seus problemas”.


Leia também: CNH de pessoa com deficiência e as isenções de IPVA, ICMS, IPI e IOF

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.