“O futuro da moda inclusiva é promissor”

“O futuro da moda inclusiva é promissor”

Em entrevista exclusiva ao #blogVencerLimites, a professora Andreia Miròn fala sobre as expectativas para o setor, o cenário atual, a inclusão nos eventos, características fundamentais das peças para o dia a dia, a abrangência do mercado e a presença de roupas acessíveis em lojas tradicionais. "A moda inclusiva tem quatro pontos fundamentais: cuidado, autonomia, conforto e emergência, mas está além das pessoas com deficiência, abrange quem está com excesso de peso, quem está envelhecendo. A sociedade brasileira não está preparada para lidar com essa população". Nesta segunda-feira, 17, ela ministra aula aberta em Santos, no litoral de SP, cidade referência em ações inclusivas.

Luiz Alexandre Souza Ventura

14 de fevereiro de 2020 | 17h14


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Descrição da imagem #pracegover: Foto no saguão principal do Memorial da Inclusão, em São Paulo, mostra diversos manequins de cor preta com roupas acessíveis. Crédito: Divulgação.


“A moda inclusiva, para o mercado, é muito mais um senso crítico do que uma prática”, afirma Andreia Miròn, professora, palestrante, especialista em moda, perfume, comportamento e mentora do curso de moda inclusiva da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD) de São Paulo.

“Poucas marcas e empreendedores atuam no setor, muitas vezes incentivados por questões pessoais, mas o mercado já percebe a necessidade, em um momento no qual a moda ultrapassa o sentido somente estético, apenas um lado funcional, e ganha uma característica humana, da empatia”, afirma a especialista.

“O futuro da moda inclusiva é bem promissor, com o risco do surgimento de oportunistas em volta da causa”, alerta Andreia. “É fundamental dar respaldo a quem precisa desses recursos, mas nunca foi ouvido e nunca teve voz, que começa a ser integrado ao mundo fashion, a uma cartela de cores, das questões de beleza, do design e do ambiente”, comenta a professora.


Descrição da imagem #pracegover: Foto de quatro peças de roupas acessíveis: calça de abertura frontal com botão, calça com abertura lateral, recorte traseiro para não sobrar tecido e bolso interno para sonda e colostomia. Crédito: Reprodução.


Nesta segunda-feira, 17, Andreia Miròn ministra uma aula aberta de moda inclusiva em Santos, no litoral de São Paulo, no auditório da Vila Criativa da Beleza, na Praça Iguatemi Martins s/nº, no bairro da Vila Nova. Além da aula, haverá exposição de manequins e roupas. As inscrições devem ser feitas pelo e-mail codep@santos.sp.gov.br ou pelo telefone (13) 3202-1911. O local tem 60 lugares.

“É importante incluir a estrutura do corpo da pessoa com deficiência nesse universo. Isso amplia a visão de oferta no mercado e garante autonomia e independência das pessoas com deficiência ao se vestirem e se sentirem pertencentes como consumidores e cidadãos’, ressalta Cristiane Zamari, que coordenadora de Políticas para a Pessoa com Deficiência de Santos (Codep).



Empatia – Andreia Mirón explica que o interesse de integrantes do setor da moda nas questões inclusivas começou a ser despertado por causas pessoais. “Alguém que tem um filho com deficiência ou conhecido próximo, o que alavancou a necessidade de dar uma grito, uma força maior para o movimento, eu existo e preciso de uma resposta”, diz.

“Isso é muito positivo. E a meta da secretaria com essa aula aberta, que é uma mentoria porque existe uma corresponsabilidade. Nós apresentamos uma realidade, mas precisa haver do outro lado pessoas que reajam ao nosso estímulo para promover uma mudança”, comenta a professora.

Provocações – A especialista ressalta que a aula não é um monólogo ou a apresentação de um fato. “Queremos chamar, provocar, instigar as pessoas, para que elas tenham um olhar para fora da própria realidade. Queremos quebrar o estigma de que, ‘se isso não faz parte do meu mundo hoje, nunca fará’. A moda inclusiva está além das pessoas com deficiência, abrange quem está com excesso de peso, quem está envelhecendo. E a sociedade brasileira não está preparada para lidar com essa população”, alerta.


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Publicado por Prefeitura de Santos em Terça-feira, 11 de fevereiro de 2020


Quarta dimensão – “Não se considera mais pessoas estáticas”, diz Andreia Miròn. “Trabalhamos todos em movimento e, nesse movimento, tenho que priorizar outros tipos de abertura. Quando se pensa em deficiência, é comum buscar o fechamento, mas a moda inclusiva compreende que a abertura é o principal canal de modificação das peças”, explica.

“Uma calça pode ser aberta pelas laterais, as camisas podem ser fechadas na região dos ombros. Essas características e a diversidade de materiais facilitam a execução e o manuseio. Nos pautamos em quatro pontos específicos: cuidado, autonomia, conforto e emergência”, completa.

Livro – Andreia Mirón é autora de ‘Dândi – Modo e Moda Masculina’, lançado em 2015 pela Scortecci Editora.

“No período da Regência Inglesa, o extremo esmero do traje masculino se torna sinônimo de uma postura ideológica e rejeição aos códigos de conduta e dos valores burgueses. Surge assim a figura do dândi, que se opõe com um sentimento de superioridade elitista, cultivando a irresponsabilidade no decurso de um dia a dia voltado ao ócio e enraizado na excentricidade de uma elegância impecável e transgressora; indissoluvelmente britânica.

George Bryan Brummell reforça a importância da moda masculina e integra-se numa atmosfera de sofisticação aristocrática que faz reviver o estilo da Regência. O homem refinado e hedonista das preocupações externas que se torna referencial em um estilo de vida interligado com os valores do esteticismo e decadência é a figura interdisciplinar que transita no universo da história da cultura, na moda e literatura nos séculos XIX e XX.

Sob o olhar de Jules Barbey d’Aurevilly, o dandismo ganha notoriedade, mas como força social perde peso e resigna-se a ser alvo dos ataques ferozes por parte dos gentlemen da época vitoriana. A partir desse momento, como mecanismo de sobrevivência, o dandismo necessita de novos vieses e cabe a um dândi francês, Charles Baudelaire, nos anos de 1860, esse papel de revitalização, orientada no sentido de aproximação à arte e de uma dimensão intelectual – que se apoia na doutrina da Arte pela Arte e no esteticismo”, diz o resumo do livro.

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