ONU cobra empenho mundial sobre os direitos da pessoa com deficiência

ONU cobra empenho mundial sobre os direitos da pessoa com deficiência

Fórum Social reuniu 80 países nesta semana em Genebra, inclusive o Brasil. "Diálogo, representação, participação e necessidades urgentes foram os pontos principais do evento", destaca a terapeuta ocupacional Vanessa Madaschi.

Luiz Alexandre Souza Ventura

06 Outubro 2016 | 14h07

Vanessa Madaschi é terapeuta ocupacional da Inclusão Eficiente. Imagem: Divulgação

Vanessa Madaschi é terapeuta ocupacional da Inclusão Eficiente. Imagem: Divulgação

O mundo precisa colocar em prática a Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, que completa dez anos em 2016 e já foi ratificada por 168 nações. Esse foi o principal apelo do Fórum Social realizado pela ONU (Organização das Nações Unidas) nesta semana em Genebra, na Suíça, com a participação de 80 países, inclusive o Brasil.

Reunidos entre os dias 3 e 5 de outubro, representantes do poder público, organizações filantrópicas, de ensino, empresas e outras instituições discutiram temas como o acesso à educação e à justiça, o papel da mídia e questões psicossociais, com ênfase na situação de grupos com maior vulnerabilidade, como mulheres, crianças com deficiência e pessoas em situação de miséria.

“Em todas as falas, a participação e a funcionalidade, o direito à autonomia e os esforços de cada país nesse sentido receberam destaque, mas o que fica é a nossa responsabilidade em fazer a diferença, promover essa mudança em todos os contextos de atuação, principalmente para quem trabalha com educação”, afirma a terapeuta ocupacional da Inclusão Eficiente, Vanessa Madaschi, que participou do evento.

Segundo Vanessa, apesar de ser um direito reconhecido na convenção, a educação inclusiva ainda não é realidade em muitos países, até mesmo na Suíça. “Abre portas para autonomia, cidadania e sobre todos os outros direitos. Trata-se de uma causa que precisa do empenho e da mobilização de todos os grupos para se tornar realidade, no Brasil e nos demais países”, diz a terapeuta.

A brasileira afirma ainda que o direito à escola inclusiva foi amplamente debatido, mas muitos países signatários da convenção ainda não colocam em prática. “A educação é fundamental para diminuir as diferenças sociais e econômicas que tanto prejudicam as pessoas com deficiência. É um exemplo de que estamos avançando nesse sentido, mas ainda há muito a ser feito”.

O papel de cada país e as suas responsabilidades ganharam destaque no último dia de debates, com atenção especial à ‘Agenda 2030’. Kate Gilmore, do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos, reforçou que só a participação da sociedade civil, cobrando os direitos já assegurados, pode garantir mudanças efetivas.

“Precisamos promover parcerias, estimular universidades e empresas, mas também reconhecer falhas do poder público e recorrer à legislação sempre que necessário. Com um diálogo robusto e medidas efetivas, garantimos o cumprimento e o avanço de todos esses direitos”, afirmou Gilmore. “A proteção dos direitos humanos está acima de qualquer política, são fundamentais e invioláveis, um projeto de mente e coração. Se após essa semana seus olhos continuam secos e seu coração endurecido, algo deu errado. Direitos humanos e dignidade são para todos”, concluiu.

A comitiva brasileira foi liderada pela secretária nacional da Pessoa com Deficiência, Rosinha do Adefal, que falou sobre o papel dos Jogos Paralímpicos na quebra de estereótipos. Também participou o ministro da Cultura, Marcelo Calero, que destacou os investimentos em acessibilidade nas bibliotecas e em obras literárias. E a jornalista Beatriz Azeredo, da TV Globo, discursou sobre o papel da mídia na representação social da pessoa com deficiência.

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