Pandemia dificulta denúncias de violência contra pessoas com deficiência

Pandemia dificulta denúncias de violência contra pessoas com deficiência

Delegacia da Pessoa com Deficiência reforça atendimento por telefone, email e Whatsapp, inclusive para surdos que se comunicam em Libras. Instituto Jô Clemente e Secretaria da Pessoa com Deficiência lançam cartilha.

Luiz Alexandre Souza Ventura

03 de março de 2021 | 18h36

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Entrada da Delegacia de Polícia da Pessoa com Deficiência de São Paulo, que fica na Rua Brigadeiro Tobias, n° 527, no centro histórico da capital paulista. Crédito: blog Vencer Limites.

Descrição da imagem #pracegover: Entrada da Delegacia de Polícia da Pessoa com Deficiência de São Paulo, que fica na Rua Brigadeiro Tobias, n° 527, no centro histórico da capital paulista. Crédito: blog Vencer Limites.


A pandemia de covid-19 provocou uma redução na quantidade de denúncias apresentadas em 2020 na 1ª Delegacia de Polícia da Pessoa com Deficiência, em São Paulo.

Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira, 3, pelo Instituto Jô Clemente (IJC) e pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD), 1.469 pessoas receberam atendimento e 315 boletins de ocorrência foram registrados no ano passado pela delegacia. Em 2019, a unidade fez 2.039 atendimentos e lavrou 500 boletins.

“Percebemos uma subnotificação de casos. Com o isolamento social, muitas pessoas com deficiência ficaram em casa e deixaram de nos procurar para denunciar casos de violência”, diz Cleyton Borges, supervisor do Centro de Apoio Técnico (CAT), coordenado pelo IJC dentro da delegacia.

“A suspensão das atividades escolares e dos serviços presenciais tornou mais difícil para amigos, colegas de trabaho e profissionais da educação identificarem eventuais sinais de agressão”, esclarece Borges. “O cidadão pode e deve denunciar qualquer situação de violência à pessoa com deficiência”, reforça o supervisor.

O instituto também faz acompanhamento jurídico e social, apoia a pessoa com deficiência e sua família quando há violência ou vulnerabilidade.

“A violência pode ser física, sexual, moral, psicológia ou patrimonial. Entre os sinais estão marcas no corpo, dores, mudanças de comportamento e quadros depressivos”, explica Luciana Stocco, supervisora do serviço.

“Muitas vezes, a violência ocorre dentro da família da pessoa com deficiência. Para identificarmos, precisamos de uma abordagem com psicólogos e assistentes sociais, que avaliam a situação no âmbito psicossocial e fazem os encaminhamentos necessários para cada caso”, diz Luciana.

A DPPD fica na Rua Brigadeiro Tobias, n° 527, no centro histórico da capital paulista. Uma das medidas para ampliar o acesso à delegacia foi a implementação de atendimento à distância.

O serviço tem WhatsApp (+55 11 99918-8167) e WhatsApp exclusivo para pessoas surdas que se comunicam em Libras (+55 11 94528-9710), além de telefone fixo (11) 3311-3380, do email dppd.decap@policiacivil.sp.gov.br e também da página da delegacia eletrônica.

A cartilha acessível ‘Violência contra Pessoas com Deficiência: Você sabe como evitar, identificar e denunciar?’ também lançada foi hoje – pelo CAT/IJC e a SEDPcD – com colaboração do Laboratório de Prevenção da Violência (Laprev) e do Grupo de Pesquisa Identidades, Deficiências, Educação e Acessibilidade (GP-IDEA) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).


REPORTAGEM COMPLETA EM LIBRAS (EM GRAVAÇÃO)
Vídeo produzido por Helpvox com a versão da reportagem na Língua Brasileira de Sinais pela tradutora e intérprete Milena Silva.


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