‘Personal Organizer’ para dar autonomia a pessoas com deficiência

‘Personal Organizer’ para dar autonomia a pessoas com deficiência

"A falta de acesso aos serviços e dentro das corporações impede a participação da pessoa com deficiência, que tem direitos, desejos e poder de compra", diz empresária. Especialistas criaram conceito inclusivo que amplia a acessibilidade dos espaços em residências, escolas, escritórios e lojas. Consultoras também ensinam quem tem interesse em técnicas de organização. Baixe um arquivo exclusivo com dicas para pessoas com nanismo ou baixa estatura.

Luiz Alexandre Souza Ventura

11 de fevereiro de 2020 | 17h16


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Descrição da imagem #pracegover: Fotos com três mulheres na área ao ar livre de uma casa. Mais à frente, Lívia Moreira, que tem cabelos curtos, enrolado e pretos, pele morena e veste uma camisa preta. Atrás dela, Luciane Gaspar, que tem cabelos lisos, pretos e compridos, pele morena e veste calça e camisa pretas. As duas são sócias na empresa Conceito Organizer. Ao lado delas, sentada em uma cadeira de rodas, está Camila Fuchs, professora de educação física, surfista e palestrante. Ela tem cabelos castanhos lisos, bem compridos e veste uma blusa azul de mangas compridas. Ao fundo, uma piscina. Crédito: Divulgação.


A organização dos espaços em nossa casa ou no local de trabalho é fundamental para melhorar o acesso a tudo que precisamos usar no dia a dia. Muitas vezes, a pressa diária, o excesso de compromissos e a grande carga de tarefas profissionais nos impedem de manter tudo que está ao redor bem arrumado.

Em qualquer ambiente, conviver no meio da bagunça não é saudável, além de ser prejudicial para o desempenho profissional e para a rotina pessoal.

Vale destacar que não estamos falando de pessoas que têm Transtorno de Personalidade Obsessivo-Compulsiva (TPOC), porque essa condição, caracterizada pela preocupação generalizada com organização, perfeccionismo e controle (sem flexibilidade), exige critérios clínicos e tratamento com psicoterapia psicodinâmica, terapia cognitivo-comportamental e ISRSs (inibidores seletivos de recaptação de serotonina).

Especialistas – No mundo moderno e suas maravilhas, é cada vez mais comum a contratação dos ‘personal organizers’, especialidade que começou a ganhar adeptos no final do século XX e, atualmente, está consolidada. São profissionais que tornam os ambientes mais práticos e funcionais.

No Rio de Janeiro, as empresárias Luciane Gaspar e Lívia Moreira, da Conceito Organizer, foram além e desenvolveram uma proposta inclusiva para as práticas de organização pessoal.

Tudo começou em 2015, quando Lívia desceu de um ônibus no ponto errado e acabou em frente a uma placa com informações sobre o Centro de Apoio do Deficiente Visual de São Gonçalo (CADEVISG). Ela foi até a instituição, se apresentou, explicou o trabalho que fazia e perguntou de que maneira poderia colaborar. O Cadevisg propôs a organização dos ambientes para as pessoas atendidas no local, todos cegos ou com baixa visão.

A partir dessa experiência e interessadas em aprofundar o conhecimento sobre esse universo, as empresárias visitaram a exposição ‘Diálogo no Escuro’, que tem guias com deficiência visual e apresenta, em salas totalmente escuras e especialmente construídas, as características de ambientes cotidianos como parques, ruas, comércios e praias, com cheiros, sons, ventos, temperaturas e texturas.

“A experiência na exposição foi muito forte. Passamos a avaliar de que maneira as pessoas fazem adaptações sem os recursos necessários”, conta Luciane Gaspar. “O trabalho voluntário voltado especificamente para quem tem deficiência visual nos apresentou as outras deficiências e, principalmente, as múltiplas deficiências na mesma pessoa. Então, fomos em busca de soluções para esse público”, diz.

“Passamos a conversar com as pessoas com deficiência, visitar cadeirantes, pessoas com nanismo, perguntamos sobre autonomia e pesquisamos sobre possibilidades”, relembra a empresária. “Em determinado momento, percebemos a necessidade de espalhar esse conceito entre os colegas de profissão e também entre as próprias pessoas com deficiência, que ainda não sabem como seu dia pode ser mais fácil a partir dessa organização”, afirma Luciane.

Além de visitar eventos como a Reatech (Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade) e a Cidade da Inclusão, as empresárias também fortaleceram parcerias profissionais como, por exemplo, com a arquiteta Gabriela Zubelli, criadora da Casa Conceito.

“Existe uma demanda para esse trabalho e nós sabemos que podemos fazer a diferença na vida das pessoas com deficiência, mas ainda encontramos barreiras para chegar nessas pessoas e, principalmente, estabelecer em qual momento estamos fazendo um trabalho solidário e quando é uma atividade profissional que tem de ser remunerada”, diz a especialista.

Passo a passo – A primeira fase do trabalho é uma visita técnica para conhecer o ambiente que precisa de organização. Um orçamento personalizado é apresentado, com valores correspondentes à quantidade de objetos e à complexidade da atividade.

Entre os detalhes a serem observados está a redução dos riscos de acidentes, com mudanças no layout do ambiente, verificando obstáculos, para garantir segurança na movimentação. Essa parte, que pode ser incluída nos recursos de acessibilidade arquitetônica, também considera a presença de rampas, elevadores, indicadores para pessoas com deficiência visual e banheiros adaptados.

Outro ponto é a organização de documentos, roupas, objetos, materiais e espaços do cotidiano, inclusive texturas e a comunicação em braille ou Libras (Língua Brasileira de Sinais), para acesso rápido e confortável, em acordo com as necessidades específicas da pessoa com deficiência.

O serviço é feito em cada cômodo ou por tema, na cozinha, despensa, closet, nos brinquedos, fotos e até nas rotinas.

Faça você mesmo – Luciane Gaspar e Lívia Moreira também prestam consultoria e ensinam quem pretende arrumar tudo sozinho. As especialistas dão dicas e lições técnicas, de maneira personalizada, considerando rotina e objetivos individuais. São especificações para cada ambiente, dobras adequadas ao espaço, sugestão de produtos (onde comprar e como usar), detalhes para manutenção da organização, além de sugerirem adaptações que tornem o ambiente mais acessível.



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