Pesquisa chama atenção para a exclusão racial de jornalistas nas redações

Pesquisa chama atenção para a exclusão racial de jornalistas nas redações

'Perfil Racial da Imprensa Brasileira' destaca discriminação de profissionais negros, racismo e machismo. Trabalho mostra que 77% dos jornalistas brasileiros em veículos de comunicação são brancos, 20% são negros, 2% têm descendência asiática e 0,2% são indígenas.

Luiz Alexandre Souza Ventura

25 de novembro de 2021 | 12h09

Foto de uma redação de jornal vazia.

Racismo está presente na vida de todos os profissionais negros durante seu percurso profissional, diz estudo. Foto: Reprodução.


Jornalistas negros, amarelos e indígenas que trabalham em veículos de comunicação – jornais, emissoras de rádio e TV, revistas e portais de notícias – são discriminados e excluídos, diz a pesquisa Perfil Racial da Imprensa Brasileira, produzida por Jornalistas e Cia, Portal dos Jornalistas, Instituto Corda (Rede de Projetos e Pesquisas) e I’Max.

Os pesquisadores enviaram um questionário online para aproximadamente 61 mil jornalistas de todo o País, em atividade nas redações, entre 16 de setembro e 31 de outubro. Também fizeram entrevistas por telefone com 1.000 pessoas de diversas etnias, além de 202 entrevistas, também por telefone, com jornalistas negros. No total, o grupo recebeu 1.952 respostas completas.

“As redações jornalísticas brasileiras são brancas e masculinas. E o racismo está presente na vida de praticamente todos os negros durante seu percurso profissional. A dificuldade dos negros para a ascensão é bastante marcada, 57% identificam discriminação e 98% dizem enfrentar barreiras na carreira”, afirmam os pesquisadores.

Entre as ações racistas mais relatadas pelos entrevistados estão aspectos relacionados a preconceito racial em geral, discriminação pela aparência e no tratamento profissional, além de assédio racial. Para o desenvolvimento da carreira, a cultura geral da empresa, com privilégios para brancos e a chefia sempre branca são apontados como obstáculos permanentes.

Mulheres – De acordo com a pesquisa, 85% jornalistas negras entrevistadas afirmaram que enfrentam uma “combinação perversa” de racismo e machismo em suas trajetórias profissionais, com episódios constantes de misoginia e racismo, assédio, identificação da mulher como incapaz ou inapta e discriminação no tratamento profissional.

Outro ponto destacado pelos pesquisadores é a definição de pautas e fontes para a publicação de notícias. “São enviesadas pela recusa de temas ligados a questões raciais e pela preferência por fontes brancas”, dizem os organizadores do estudo.

Antirracismo – Entre os entrevistados, 37% não consideram o veículo onde trabalham antirracista. “Como o antirracismo exige protagonismo, há nesse resultado a indicação de um longo caminho ainda a ser percorrido pela imprensa no País”, completam os pesquisadores.

A pesquisa teve apoio da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Associação de Jornalismo Digital (Ajor), Associação Nacional de Jornais (ANJ), Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER), Associação Profissão Jornalista (APJor), Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e sua Comissão Nacional dos Jornalistas pela Igualdade Racial (Conajira), Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca) e Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo (Projor), além das universidades Metodista e Zumbi dos Palmares.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.