Pesquisa destaca barreiras da assistência social para idosos com deficiência

Pesquisa destaca barreiras da assistência social para idosos com deficiência

Estudo foi organizado pela Mais Diferenças em 43 cidades de SP. Maioria dos servidores entrevistados nunca recebeu treinamento sobre o assunto e menos de 15% dos equipamentos avaliados têm acessibilidade. "Serviços de prevenção ao isolamento e à exclusão das pessoas idosas com deficiência precisam ser ampliados", diz coordenadora.

Luiz Alexandre Souza Ventura

10 de setembro de 2021 | 11h27

Foto de uma pessoa idosa, sentada em uma cadeira de rodas, de costas para a câmera. A imagem foi registrada de baixo para cima e te, ao fundo, o céu azul, com nuvens.

Envelhecimento das pessoas com deficiência é assunto com pouco espaço. Crédito: Divulgação.


Pessoas idosas com deficiência ainda enfrentam muitas barreiras para acessar serviços públicos de assistência social, segundo o estudo ‘Envelhecimento e Deficiência: Direitos e Políticas Públicas’, feito pela organização Mais Diferenças.

A pesquisa percorreu 43 municípios da Diretoria Regional de Assistência e Desenvolvimento Social (Drads) de Campinas, no interior de SP, onde residem 260 mil pessoas com mais de 60 anos e existem 133 equipamentos de cultura, além de dezenas de Centros de Referência Especializada de Assistência Social (CREAS) e Centros de Referência de Assistência Social (CRAS).

Somete 31 equipamentos culturais têm algum recurso de acessibilidade, 10% dos CREAS e 15% dos CRAS são acessíveis.

Outro problema é a falta de capacitação entre os funcionários. No estudo, 75% dos servidores entrevistados afirmaram que nunca receberam formação sobre o tema e 90% disseram que há necessidade desse tipo de treinamento em seu ambiente de trabalho.

A pesquisa também revelou que o envelhecimento das pessoas com deficiência é assunto com pouco espaço no Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF). E apenas 19% dos municípios têm Proteção Social Básica no Domicílio para pessoas idosas com deficiência.

“É um serviço muito importante na prevenção ao isolamento e à exclusão, em ações com famílias e cuidadores, que precisa ser ampliado”, diz Thaís Martins, coordenadora de pesquisa e advocacy da Mais Diferenças. “O objetivo do estudo é subsidiar políticas públicas para a promoção e a garantia de direitos fundamentais dessa população. Buscamos as ofertas de serviços e políticas em diferentes temas como saúde, educação, esporte e lazer. Os dados mostram que o planejamento de políticas para essa população fica, muitas vezes, restritos às áreas de saúde e assistência social, que são fundamentais, mas acreditamos que todas as áreas das políticas públicas deveriam contemplar essa população”, explicou completou a coordenadora.

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