Pesquisa destaca importância do acesso à tecnologia para a educação inclusiva

Pesquisa destaca importância do acesso à tecnologia para a educação inclusiva

Estudo do Instituto Rodrigo Mendes com o Instituto Unibanco chama a atenção para a necessidade de políticas públicas e do investimento na formação de professores, além do risco de aprofundamento das desigualdades sociais e da exclusão.

Luiz Alexandre Souza Ventura

29 de novembro de 2021 | 11h47

Foto de uma professora rodeada por diversas crianças com e sem deficiência e de várias etnias. Todos estão de frente para um computador.

“São pulsantes a necessidade e a urgência de reflexões direcionadas à construção de experiências inclusivas”, afirmam pesquisadores.


“Queremos incentivar gestores públicos e educadores a conhecerem mais sobre as soluções disponíveis, estimular uma cultura tecnológica mais inclusiva e impactar as salas de aula no sentido de promover a aprendizagem de todos”, diz o educador Rodrigo Hübner Mendes, fundador e superintendente do Instituto Rodrigo Mendes (IRM), que apresenta nesta segunda-feira, 29, os resultados do estudo Tecnologias Digitais Aplicadas à Educação Inclusiva.

“A pesquisa apresenta um mapeamento do cenário atual de tecnologias digitais que favorecem a inclusão de estudantes com deficiência”, comenta Mendes. “Promover atividades a partir das ferramentas identificadas no estudo é um passo fundamental na promoção da igualdade de aprendizagem e na valorização da diversidade na educação”, acrescenta o superintendente-executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, parceiro do IRM na pesquisa.

De acordo com o IRM, o uso de recursos digitais nas escolas se tornou parte da realidade educacional. E como a pandemia exigiu adoção do ensino remoto ou híbrido, “são pulsantes a necessidade e a urgência de reflexões direcionadas à construção de experiências inclusivas”.

“Apesar dos esforços empreendidos pelo poder público, por organizações intergovernamentais, empresas, redes de ensino, estudantes e educadores, ainda há muitos desafios”, afirma o IRM.

“O uso de tecnologias pode trazer oportunidades inéditas de desenvolvimento à nossa sociedade, mas também há o risco de aprofundar desigualdades sociais e formas de exclusão já existentes. Ainda mais quando se trata do Brasil, que carece de um plano específico para o setor de tecnologias educacionais”, ressalta o IRM.


Foto de um menino negro usando um computador.

“Apesar dos esforços empreendidos pelo poder público, por organizações intergovernamentais, empresas, redes de ensino, estudantes e educadores, ainda há muitos desafios”, afirma o IRM.


Conclusões – Os pesquisadores destacam oito pontos fundamentais no cenário atual.

1 – A adoção de tecnologias educacionais deixou de ser um assunto transversal, tornando-se cada vez mais algo estratégico e central.

2 – Conforme destacou recentemente a OCDE, em dias atuais as desigualdades multidimensionais persistem no Brasil, a despeito do aumento da participação na educação. As tecnologias não devem acentuar essas desigualdades.

3 – As fronteiras da educação digital trazem oportunidades e desafios. Nesse contexto, há uma necessidade atual de se consolidar formatos de aprendizagem inclusivos, que contemplem a diversidade humana, com auxílio de novas tecnologias.

4 – As tecnologias digitais são uma importante ferramenta de apoio às estratégias educacionais inclusivas, que necessitam ser pensadas para todos os estudantes. É um momento para se pensar na transição de soluções digitais nativas (born digital) para soluções acessíveis nativas (born accessible).

5 – Nos dias atuais, especialmente diante dos recentes desafios apresentados pela pandemia da covid-19, torna-se necessário reconstruir de maneira mais inovadora os sistemas de ensino. Isso significa não apenas testar a sua resiliência no cotidiano, mas também promover uma profunda mudança cultural, que utilize as tecnologias como ferramentas de ensino voltadas à valorização da diversidade.

6 – Existe uma ampla gama de soluções tecnológicas que podem ser utilizadas em sala de aula. O mercado de tecnologias educacionais está em crescimento constante. As entrevistas com as gigantes globais Google, Microsoft e Facebook revelaram uma crescente preocupação com acessibilidade, diversidade e inclusão. Porém, no cenário geral, muitas soluções ainda são concebidas sem a garantia de acessibilidade comunicacional, enquanto uma pequena parcela é direcionada exclusivamente para o público-alvo de estudantes com deficiência. Em outras palavras, identificou-se uma escassez de soluções que sejam, em um só tempo, nativas acessíveis e concebidas para atender todos os estudantes, sem exceção. Portanto, há ainda grande espaço para o desenvolvimento de tecnologias pensadas sem barreiras de uso e de acesso.

7 – Com base nos estudos de caso considerados, é possível afirmar que o uso efetivo de tecnologias educacionais nas escolas ainda depende, predominantemente, da atuação e da vontade dos educadores regentes da sala comum e do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Nas escolas, as práticas pedagógicas mediadas por tecnologias trazem ganhos reais, mas em geral são incipientes e podem ser amplificadas. Para que isso ocorra, é necessário haver uma forte sintonia entre as políticas públicas, as condições institucionais e o conteúdo da formação de educadores.

8 – Estratégias pedagógicas bem formuladas e apoiadas em tecnologias têm grandes chances de obter sucesso quando consideram as singularidades individuais.

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