“Pessoas com deficiência ajudam o País a crescer e não podemos tolerar discriminação”

“Pessoas com deficiência ajudam o País a crescer e não podemos tolerar discriminação”

O #blogVencerLimites publica até o dia 31 de dezembro uma série de artigos exclusivos, escritos por convidados, sobre as expectativas para o ano de 2021. Leia o texto de Célia Leão, secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo.

Luiz Alexandre Souza Ventura

28 de dezembro de 2020 | 11h00

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Foto de Célia Leão, mulher branca com cabelos pretos, lisos e compridos. Está sorrindo e olhando para a câmera. Veste um casaco de cor creme sobre uma camisa branca, tem um colar de pérolas e duas correntes finas e douradas penduradas no pescoço. Ao fundo, uma persiana fechada. Crédito: Divulgação.

Descrição da imagem #pracegover: Foto de Célia Leão, mulher branca com cabelos pretos, lisos e compridos. Está sorrindo e olhando para a câmera. Veste um casaco de cor creme sobre uma camisa branca, tem um colar de pérolas e duas correntes finas e douradas penduradas no pescoço. Ao fundo, uma persiana fechada. Crédito: Divulgação.


Artigo de Célia Leão*

Para quem tem fé, e eu tenho, o homem foi feito à semelhança de Deus, na sua perfeição e na perfeição da alma, onde Deus, em sua infinita bondade, ainda deu ao homem o livre arbítrio para lapidá-la e também buscar a perfeição de corpo e alma.

São quase 8 bilhões de habitantes no planeta, todos absolutamente iguais na essência e nos direitos, mas inversamente proporcional, todos são absolutamente diferentes no modo de ser, de agir, de pensar, na estatura, peso, cor de pele, tipo de cabelo, cheiro, modo de olhar, expressão facial e tantas outras características que fazem de cada ser humano um universo único numa mistura de milagre da vida com capacidade e inteligência.

E são nessas diferenças, que toda sociedade deve aprender, colocar esse aprendizado em prática, respeitar as diferenças e crescer com elas. Hoje, no mundo, devemos ter aproximadamente 1 bilhão de pessoas com algum tipo de deficiência. Mesmo que fosse um número reduzido, elas são pessoas com deficiência. Nesse inteligente binômio, a primeira palavra é a mais importante, e se são pessoas, são sujeitos de direito, todos os direitos, e o primeiro deles é a vida com dignidade.

Podemos afirmar com verdade, que ter uma deficiência não é nem opção e nem a melhor coisa da vida, mas temos que ter clareza o suficiente para entender também que a deficiência não é o todo da pessoa, é uma parte dela, o que eu particularmente chamo de característica. 

No mundo de hoje não existe mais espaço para preconceito e discriminação. Não só em função de uma legislação mais rígida, forte e conhecida, mas sobretudo porque a comunicação é imediata e a tecnologia nos assegura essa velocidade e informação. A sociedade de hoje se nega a aceitar qualquer comportamento que não seja de respeito ao próximo, levando em conta as suas especificidades.

Ao longo das últimas três décadas, tivemos avanços importantes como a Constituição Federal (1988), Constituições Estaduais (1989), Constituições Municipais – as Lei Orgânicas de cada município do País (1990) – e ainda Leis Ordinárias, o Estatuto da Pessoa com Deficiência, a Convenção da ONU e culminando com a LBI (Lei Brasileira de Inclusão) que assegura com detalhes os direitos das milhares de pessoas que têm algum tipo de deficiência. 

Só no Estado de São Paulo, são mais de 3 milhões de pessoas. 

Como cidadã e pessoa com deficiência (paraplégica), posso afirmar que muita coisa mudou nas últimas três décadas: educação, transporte, reabilitação, esporte, cultura, lazer e empregabilidade são alguns direitos que, em quatro décadas passadas, poucos existiam ou nem existiam. Hoje, a pessoa com deficiência também virou cidadão. Essas pessoas não podem mais ser vistas como ônus dentro de uma sociedade, mas sim como bônus na colaboração e ajuda no crescimento do País.

Para que isso ocorresse, certamente, a legislação foi fundamental, mas um novo olhar da sociedade sacramentou de vez, que essas diferenças não podem ser barreiras, em nenhuma hipótese, para o crescimento e desenvolvimento de um ser humano, seja ele branco ou negro, loiro ou pardo, alto ou baixo, magro ou gordo, com ‘normalidade’ (as chamadas pessoas normais) ou com deficiência (as chamadas pessoas com deficiência).

O planeta é um só. E nele tem que caber todos, de forma indistinta.

Como secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, posso assegurar que hoje existem políticas públicas, e não são poucas, para garantir que esse segmento tenha vez e voz, oportunidades iguais e uma vida ativa, dentro de sua limitação.

2021 está chegando, falta muito pouco e, na verdade, que bom que 2020 está terminando. 
Um ano duro, recheado de medo, incertezas, preocupações, ansiedades e uma luta imensa para não se perder as esperanças. 

2021 chega com a vacina, seja ela qual for, com a esperança de que todos voltaremos a, literalmente, respirar com liberdade, agir com naturalidade, onde cada um possa decidir o seu dia seguinte.

Músicas e poemas sempre dizem que a esperança é a última que morre. Junto com ela temos que colocar nossa força e coragem, e isso todos têm, é só uma questão de encontrar e, junto com a esperança, colocar a vida de volta como algo que tem que ser bem cuidado e defendido sempre.

Este é o meu 2021.

É bom lembrar que somos iguais perante a lei e perante Deus.

*Célia Leão, advogada, paraplégica desde os 19 anos, secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, foi vereadora em Campinas e deputada estadual em SP por sete mandatos consecutivos, é casada e tem três filhos.


REPORTAGEM COMPLETA EM LIBRAS (EM GRAVAÇÃO)
Vídeo produzido pela Helpvox com a versão da reportagem na Língua Brasileira de Sinais.


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