Pessoas com deficiência estão em 1% da publicidade nas redes sociais

Pessoas com deficiência estão em 1% da publicidade nas redes sociais

Estudo avaliou 2 mil publicações de 50 marcas feitas pelos 20 principais anunciantes brasileiros durante 12 meses. Pesquisa organizada pela Elife e a agência SA365 destaca o potencial da população com deficiência na comunicação digital e a disparidade entre o tamanho desse grupo e a sua representação nos anúncios.

Luiz Alexandre Souza Ventura

11 de setembro de 2021 | 11h16

Capa do estudo 'Diversidade na Comunicação de Marcas em Redes Sociais', que tem um retângulo azul marinho, com o nome da pesquisa em letras brancas e um mosaico com vários rostos.

Estudo avaliou postagens com mulheres, homens, pessoas pretas, idosas, gordas, amarelas, indígenas, LGBTQIA+ e com deficiência. Crédito: Reprodução.


Pessoas com deficiência estão presentes em somente 1% dos anúncios publicitários divulgados em perfis brasileiros no Instagram e no Facebook, diz a terceira edição da pesquisa ‘Diversidade na Comunicação de Marcas em Redes Sociais’, organizada pela Elife e a agência SA365. O estudo analisou 1.902 posts de 50 marcas feitos pelos 20 principais anunciantes do País entre janeiro e dezembro de 2020.

“As publicações foram analisadas considerando pessoas presentes na foto ou vídeo. Cada publicação pode retratar mais de um grupo e a presença percentual em cada grupo foi calculada com base no volume total de publicações analisadas’, explicam os organizadores.

O estudo avaliou postagens com mulheres, homens, pessoas pretas, idosas, gordas, amarelas, indígenas, LGBTQIA+ e com deficiência.

“Pessoas gordas e pessoas com deficiência são os grupos com maior disparidade entre a representação na comunicação digital e a presença média da população”, destaca o estudo, que usou dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e do Ministério da Saúde, entre outras fontes oficiais.

Segundo os números da pesquisa, pessoas com deficiência são 23% da população, mas aparecem em somente 1% dos anúncios analisados. E pessoas gordas são 56% dos cidadãos, mas surgem em 3% apenas das publicidades.

Apenas quatros setores tiveram pessoas com deficiência representados na comunicação em mídias sociais: Financeiro, Higiene Pessoal / Beleza, Automotivo e Alimentos.

“Todos os segmentos de mercado podem representar pessoas com deficiência na comunicação digital, no entanto, mesmo segmentos que já costumam fazer isso em canais especializados, como revistas sobre automóveis e suas adaptações, não utilizam desse potencial nas mídias sociais”, comentam os organizadores.

“Pretos também estão sub-representados. Mesmo sendo 56% da população, aparecem em 38% das comunicações”, ressalta a pesquisa. “Comparado ao estudo do ano anterior, brancos se mantêm no topo dos mais frequentemente representados, mulheres tiveram queda de 10 pontos percentuais e a representação negra foi a única que cresceu (4%) de um ano para o outro”, esclarecem os pesquisadores.

“A população negra tem um grande potencial econômico e movimenta mais de R$ 1 trilhão ao ano, consumindo e empreendendo, mas ainda é um grupo sub representado na comunicação, mesmo nas categorias de destaque”, alerta o estudo.

A pesquisa ressalta ainda que marcas de varejo, cervejas e beleza têm predominância do padrão magro, sem considerar a diversidade dos tipos de corpos.

“De acordo com a ABRAVEST (Associação Brasileira do Vestuário), o mercado plus size movimentou R$ 6 bilhões no Brasil em 2016, o que corrobora o número de pessoas com corpos gordos e um grande mercado a ser trabalhado. Esse é um exemplo de necessidade de oferta e potencial de compra desse público, que deve ser considerado como oportunidade de diversificar e oferecer produtos desta linha”, afirmam os pesquisadores.

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