“A ludopedagogia é fundamental na educação da criança com deficiência”

“A ludopedagogia é fundamental na educação da criança com deficiência”

Professora da rede pública de Fraiburgo, em Santa Catarina, conta como o uso da tecnologia tem contribuído para desenvolver o potencial de estudantes com deficiência.

Luiz Alexandre Souza Ventura

30 Setembro 2015 | 12h51

“Não há mais como uma criança não conviver com esses aparelhos”, diz a professora Edna Padilha. Foto: Divulgação

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Aplicar a tecnologia para favorecer o desenvolvimento humano é uma realidade. Educadores e psicólogos afirmam que o uso de computadores, tablets e smartphones pode isolar as pessoas, defendendo o equilíbrio no nosso convívio com as máquinas. “Não há mais como uma criança não conviver com esses aparelhos”, diz a professora Edna Aparecida Vieira Padilha. Atuando há 18 anos com estudantes com deficiência, especialista em educação para pessoas com deficiência visual, ela é uma das docentes de recursos multifuncionais da Escola de Ensino Fundamental Bairro das Nações, em Fraiburgo (SC).

No final do ano passado, a escola adquiriu duas mesas digitais com jogos educativos, chamadas de Playtable, que estão na sala da professora Edna. “A ludopedagogia é fundamental na educação da criança com deficiência porque ajuda a desenvolver o potencial de cada aluno”. A classe reúne estudantes com idade entre 5 e 17 anos, no período da tarde, duas vezes por semana, e funciona como um reforço ao ensino regular. “A mesa ajuda muito aos alunos com deficiência intelectual, especialmente para melhorar o raciocínio lógico e aprimorar o conhecimento sobre matemática”.

Playtable é uma mesa digital com jogos educativos, Imagem: Reprodução

Playtable é uma mesa digital com jogos educativos. Imagem: Reprodução

Ela explica que, sem a tecnologia, teria de construir sozinha materiais, equipamentos e outros dispositivos lúdicos para utilizar nas aulas com seus 20 alunos da sala de recursos multifuncionais. “A mesa é usada para ajudar a cumprir o conteúdo do professor. Como ela tem uma divisão em categorias, conseguimos trabalhar coordenação motora, leitura e raciocínio lógico. Dentro do nosso conjunto de atividades, que também envolve o uso de caderno e lápis, a mesa corresponde a 15% do tempo investido no aluno”, diz a professora.

No total, a Secretaria de Educação Municipal de Fraiburgo comprou 15 Playtables e distribuiu os equipamentos também nas escolas Santo Antônio, Padre Biagio, São Sebastião, São Miguel, Antônio Porto Burda, Faxinal dos Carvalhos, Carlos Gomes e São Cristóvão, Juviliano Manoel Pedroso e José de Anchieta.

Ludopedagogia para garantir acessibilidade

A meta do município é auxiliar os professores a explorarem habilidades de raciocínio, concentração, memória, compreensão e coordenação motora fina das crianças. A mesa também serve como estímulo cognitivo e motivacional. “Os jogos são adequados para ajudar a superar as dificuldades de aprendizagem. Podemos avançar em várias frentes”, diz Claudete Gheller Mathias, secretária de Educação de Fraiburgo.

O planejamento de ações de inclusão no ambiente escolar, com o uso da PlayTable, depende basicamente do mapeamento das necessidades de adaptação dos estudantes, da infraestrutura escolar, de um modelo pedagógico e de um plano de ensino que sejam de fato inclusivos. “A ludicidade tem papel importante na educação e na socialização de crianças com deficiência, mas incluir essas pessoas na dinâmica da sala de aula ainda é um desafio. Entre os caminhos possíveis, estão os jogos e brincadeiras que permitem a interação entre todas as crianças e outras adaptações metodológicas”, explica Cristiano Sieves, especialista em ludopedagogia da Playmove, empresa de de Blumenau (SC) que criou e fabrica a mesa.

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