“Precisamos da internet cada vez mais aberta e inclusiva”

“Precisamos da internet cada vez mais aberta e inclusiva”

O #blogVencerLimites publica até o dia 31 de dezembro uma série de artigos exclusivos, escritos por convidados, sobre as expectativas para o ano de 2021. Leia o texto de Alexandre Ohkawa, da Hand Talk.

Luiz Alexandre Souza Ventura

24 de dezembro de 2020 | 11h00

Use 26 recursos de acessibilidade digital com a solução da EqualWeb clicando no ícone redondo e flutuante à direita, ouça o texto completo com Audima no player acima, acione a tradução em Libras com Hand Talk no botão azul à esquerda ou acompanhe o vídeo no final da matéria produzido pela Helpvox com a interpretação na Língua Brasileira de Sinais.


Foto de Alexandre Ohkawa, homem branco, com traços orientais, cabelos pretos e barba preta, com fios grisalhos. Veste camisa preta de mangas compridas. Usa óculos de aros arredondados e escuros, sorri e olha para a câmera, piscando com o olho direito. Diz 'i love you' com a mão direita na língua de sinais. Ao fundo, uma parede branca. Crédito: Divulgação.

Descrição da imagem #pracegover: Foto de Alexandre Ohkawa, homem branco, com traços orientais, cabelos pretos e barba preta, com fios grisalhos. Veste camisa preta de mangas compridas. Usa óculos de aros arredondados e escuros, sorri e olha para a câmera, piscando com o olho direito. Diz ‘i love you’ com a mão direita na língua de sinais. Ao fundo, uma parede branca. Crédito: Divulgação.


Artigo de Alexandre Ohkawa*

A pandemia provocou uma carga emocional muito forte nas pessoas com deficiência, pois muitos de nós dependíamos de contato físico para uma boa comunicação. Os fornecedores de plataformas digitais tiveram que se reinventar para tornar a informação acessível. Ainda não estamos no cenário ideal, mas aos poucos as coisas vão acontecendo. 

O avanço da cultura online foi importante para garantir o ânimo às pessoas durante o isolamento social e, por ironia do destino, deu às pessoas com deficiência muito acesso à comunicação, já que este grupo estava completamente isolado dos espaços físicos que, geralmente, têm estruturas precárias no quesito acessibilidade. Dessa forma, na transição do real para o digital, foi necessário repensar conceitos e formatos, apesar da conexão à internet no Brasil ainda precisar de muita melhoria.

Minha atuação profissional exigiu fortemente a presença online, em vídeos e lives, reuniões virtuais e videoconferências. Foi difícil acompanhar os colegas ouvintes nesses momentos, pois sou surdo, oralizado, sinalizado e usuário de implante coclear, e ainda assim percebo que a leitura labial nas reuniões pelo computador é bastante complicada.

No meu caso específico, felizmente, há intérpretes de Libras nessas situações, e muitas vezes uso chat online ou comunicação por Libras com alguns colegas. Se todas as plataformas digitais oferecessem legendas simultâneas, ajudaria muito. As lives, na maioria das redes sociais, não estão acessíveis também a outros grupos como os surdocegos e pessoas com baixa visão.

No contexto da pessoa surda nos serviços essenciais, encontro muitas barreiras de comunicação devido ao uso da máscara pelos profissionais, seja no supermercado, padaria, farmácia ou consultório médico. O maior problema é o fato dela ser fechada na boca, o que impossibilita a leitura labial. Uma solução simples seria, em primeiro lugar, o uso da  Libras, escrever no papel, se comunicar por mensagem de texto ou ainda usar máscaras transparentes, mas existe pouca conscientização.

As informações relacionadas à pandemia e, agora, sobre a vacinação para o ano de 2021 contra a covid-19 ainda são deficitárias, principalmente no contexto da pessoa com deficiência. Se elas chegam de forma desencontrada para a população em geral, imagina para uma pessoa que necessita de um recurso de acessibilidade ou da tradução por parte de terceiros?

Hoje, já existem tecnologias de tradução de sites em Libras, entre outras soluções que ajudam a formatar sites acessíveis e seria muito importante que as empresas e órgãos públicos pensassem em adotá-los. Afinal, o acesso à informação é um direito de todos. 

Eu acredito que a partir de 2021 teremos uma melhora gradativa nos mundos digital e presencial, pois 2020 foi um ano de muito aprendizado.

Um bom exemplo está relacionado à produtividade do meu trabalho, agora à distância. Melhorou muito e achei o modelo sustentável e economicamente viável, mesmo diante dos desafios em multiplataformas que ainda não estão 100% preparadas. O formato home office estará ainda mais presente e, por isso, acredito ser importante que a web esteja cada vez mais aberta e inclusiva.

Que todos possam sair da zona de conforto para se reinventar e melhorar a qualidade dos serviços que oferecem, seja no digital ou no presencial, acolhendo e envolvendo os mais variados grupos e suas necessidades.  

Minha esperança é que no pós-covid-19 as pessoas estejam mais conscientizadas, que cada um enxergue o valor da diversidade, respeitando o lugar de fala e suas representatividades na sociedade. Menos preconceito, menos capacitismo e mais mão amiga, acolhimento e empatia. Que a sociedade entenda a importância da união de todos e que cada ser é único.

Alexandre Ohkawa é Community Manager da Hand Talk, startup de soluções com inteligência artificial para tradução automática de conteúdos em texto e àudio, em português e inglês, para a língua de sinais.


REPORTAGEM COMPLETA EM LIBRAS (EM GRAVAÇÃO)
Vídeo produzido pela Helpvox com a versão da reportagem na Língua Brasileira de Sinais.


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