Prezada juíza, não se mate, a senhora ainda tem muito para aprender

Prezada juíza, não se mate, a senhora ainda tem muito para aprender

Esta quarta-feira, 21 de março, quando celebramos o Dia Internacional da Síndrome de Down, convida à reflexão sobre o desconhecimento, ainda enorme, a respeito do universo das pessoas com deficiência. Diversas histórias servem de cenário para mostrar a importância da diversidade para a evolução da sociedade. Entre tantas manifestações, pensar na carga discriminatória das palavras publicadas pela desembargadora Marília de Castro Neves Vieira é um exercício fundamental. Nos cursos de Direito, a lição seria sobre a Lei Brasileira de Inclusão (nº 13.146/2015).

Luiz Alexandre Souza Ventura

21 Março 2018 | 08h26

IMAGEM 01: Esta quarta-feira, 21 de março, quando celebramos o Dia Internacional da Síndrome de Down, convida à reflexão sobre o desconhecimento, ainda enorme, a respeito do universo das pessoas com deficiência. Diversas histórias servem de cenário para mostrar a importância da diversidade para a evolução da sociedade. Entre tantas manifestações, pensar na carga discriminatória das palavras publicadas pela desembargadora Marília de Castro Neves Vieira é um exercício fundamental. LEGENDA PARA CEGO VER: Imagem dupla. No lado esquerdo, cópia da publicação escrita pela juíza no Facebook. No lado direito, parte do símbolo do World Down Syndrome Day, que tem o número 21, com desenho do número 2 completando um coração com o mapa do mundo dentro. Crédito da foto: Reprodução

IMAGEM 01: Esta quarta-feira, 21 de março, quando celebramos o Dia Internacional da Síndrome de Down, convida à reflexão sobre o desconhecimento, ainda enorme, a respeito do universo das pessoas com deficiência. Diversas histórias servem de cenário para mostrar a importância da diversidade para a evolução da sociedade. Entre tantas manifestações, pensar na carga discriminatória das palavras publicadas pela desembargadora Marília de Castro Neves Vieira é um exercício fundamental. LEGENDA PARA CEGO VER: Imagem dupla. No lado esquerdo, cópia da publicação escrita pela juíza no Facebook. No lado direito, parte do símbolo do World Down Syndrome Day, que tem o número 21, com desenho do número 2 completando um coração com o mapa do mundo dentro. Crédito da foto: Reprodução


Muito difícil tentar compreender a infeliz manifestação da desembargadora Marília de Castro Neves Vieira, da 20ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, sobre a professora Debora Seabra de Moura, que tem síndrome de Down e leciona há mais de 10 anos em Natal/RN.

“…o que será que essa professora ensina a quem?”, pergunta a magistrada.

Tentar conscientizar Marília de Castro Neves Vieira demandaria um gasto tão gigantesco de energia que é realmente inviável. A juíza está soterrada em toneladas de preconceito, sepultada em suas verdades absolutas, não pode ser resgatada.

Dessa forma, a única reação possível seria a indiferença diante de tamanho desconhecimento.

Vamos seguir com o trabalho e produzir informações de qualidade para promover o debate abrangente e profundo que aproxime quem realmente pode ser conduzido à evolução e transformado.

Reagir com ofensas semelhantes seria tão inútil quanto buscar na desembargadora uma abertura ao aprendizado sobre a importância da diversidade para a evolução da sociedade

Ainda assim, prevalece a função de dar voz às pessoas com deficiência e responder de maneira concreta ao que expressa a ministra.

Nos cursos de Direito, a lição seria sobre a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (nº 13.146/2015).

Nada disso é necessário, porque a própria professora Debora Seabra de Moura respondeu com equilíbrio e educação. E encerrou sua participação na história.


O meu recado para a juíza Marília

Publicado por Debora Seabra de Moura em Segunda, 19 de março de 2018


“Recado para a juiza Marília.

Não quero bater boca com você! Só quero dizer que tenho síndrome de Down e sou professora auxiliar de crianças em uma escola de Natal (RN). Trabalho à tarde todos os dias com minha equipe, que tem uma professora titular e outra auxiliar. Eu ensino muitas coisas para as crianças. A principal é que elas sejam educadas, tenham respeito pelas outras, aceitem as diferenças de cada uma, ajudem a quem precisa mais.

Eu estudo o planejamento, eu participo das reuniões, eu dou opiniões, eu conto histórias para as crianças, eu ajudo nas atividades, eu vou para o parque com elas, acompanho as crianças nas aulas de inglês, música e educação física e mais um monte de coisas.

O que eu acho mais importante de tudo isso é ensinar a incluir as crianças e todo mundo pra acabar com o preconceito, que é crime”, escreveu a professora Debora.


Ninguém está acima da LeiSinto-me indignada com as recentes falas de uma polêmica desembargadora que resolveu agora…

Publicado por Mara Gabrilli em Terça-feira, 20 de março de 2018


Em sua publicação, a magistrada finaliza com uma ironia. “Esperem um momento que eu fui ali me matar e já volto, tá?”.

Por favor, prezada juíza, não se mate, porque a senhora ainda tem muito para aprender neste mundo.

Outras publicações da mesma togada merecem respostas, inclusive na Justiça, principalmente aquelas contra Marielle Franco, assassinada no último dia 14 de março. A vereadora do PSOL não tem mais a possibilidade de reagir neste mundo e cabe à sociedade mostrar para Marília de Castro Neves Vieira seu verdadeiro lugar nesse latifúndio.


IMAGEM 02: Dia Internacional da Síndrome de Down foi proposto em 21/3 pela Down Syndrome International em alusão à trissomia do 21. LEGENDA PARA CEGO VER: Logomarca do Dia Internacional da Síndrome de Down nas cores vermelho e azul. O símbolo tem o número 21 e as palavras World Down Syndrome Day. O desenho do número 2 completa um coração que tem o mapa do mundo dentro. Abaixo está o endereço www.WorldDownSyndromeDay.org. Clique na imagem para acessar a página do movimento. Crédito da foto: Reprodução

IMAGEM 03: Dia Internacional da Síndrome de Down foi proposto em 21/3 pela Down Syndrome International em alusão à trissomia do 21. LEGENDA PARA CEGO VER: Logomarca do Dia Internacional da Síndrome de Down nas cores vermelho e azul. O símbolo tem o número 21 e as palavras World Down Syndrome Day. O desenho do número 2 completa um coração que tem o mapa do mundo dentro. Abaixo está o endereço WorldDownSyndromeDay.org. Clique na imagem para acessar a página do movimento. Crédito da foto: Reprodução


SAIBA MAIS – A síndrome de Down não é uma doença. Trata-se de uma condição causada pela trissomia do cromossomo 21. É a ocorrência genética mais comum no mundo, registrada uma vez para cada 700 nascimentos. Não há nenhuma relação com etnia, país, religião ou condição econômica.

CROMOSSOMOS – Um cromossomo (ou cromossoma) é uma longa sequência de DNA com genes que determinam nossas características.

Quando não há trissomia, o ser humano têm 23 pares de cromossomos (total de 46) em cada uma das células de seu organismo. Metade estava no espermatozoide do pai e a outra metade foi carregada no óvulo da mãe. Todos reunidos no momento da fecundação, na formação da primeira célula (ovo ou zigoto), que se dividiu para gerar o novo organismo.

O último par, com os cromossomos 45 e 46, define especificamente o sexo (XX é feminino e XY é masculino). Os outros 44 cromossomos, chamados de REGULARES (ou autossomos homólogos), estão em 22 pares e definem todas as nossas outras características.

TRISSOMIA – Quando um óvulo ou espermatozoide com 24 cromossomos é unido a outro óvulo ou espermatozoide com 23, ocorre a trissomia, que aparece especificamente no cromossomo 21. Essa diferença causa a condição chamada de síndrome de Down.

HISTÓRIA – O nome é uma referência ao médico inglês John Langdon Haydon Down, o primeiro a relatar, entre os anos entre 1864 e 1866, características da ocorrência genética. Não há registros anteriores ao século 19.

John Down trabalhava na cidade de Surrey (Inglaterra), em uma clínica para crianças com atraso neuropsicomotor, e listou características físicas similares em filhos de mães acima de 35 anos, descrevendo as crianças como ‘amáveis e amistosas’.

Influenciado pela Teoria da Evolução de Charles Darwin, explicou a síndrome e estabeleceu uma teoria étnica, com sugestão para um ‘estado regressivo da evolução’. Inicialmente, as causas foram atribuídas a tuberculose, sífilis e hipotireoidismo, classificando as crianças como ‘inacabadas’.

No período anterior à identificação da alteração cromossômica, muitos pacientes foram rejeitados e aprisionados em hospitais, época marcada por grande intolerância religiosa e cultural.

Somente em 1959, os cientistas Jerome LeJeune e Patricia Jacobs determinaram a trissomia do cromossomo 21 como causa da condição, a primeira alteração cromossômica verificada na espécie humana, já chamada de ‘mongolismo’, renomeada para Síndrome de Down aproximadamente uma década depois.

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