Programa global para cuidadores não profissionais chega ao Brasil

Programa global para cuidadores não profissionais chega ao Brasil

Projeto 'Embracing Carers', lançado no País pela Merck, busca melhorar a saúde e o bem-estar das pessoas que prestam atendimento a parentes, mas não recebem nenhum suporte. Pesquisa organizada pelo programa mostra que esses indivíduos estão sempre cansados, não cuidam da própria saúde e precisam de atenção especial com a estabilidade mental.

Luiz Alexandre Souza Ventura

28 Setembro 2018 | 17h13

IMAGEM 01: Projeto 'Embracing Carers', lançado País pela Merck, busca melhorar a saúde e o bem-estar das pessoas que prestam atendimento a parentes, mas não recebem nenhum suporte. Pesquisa organizada pelo programa mostra que esses indivíduos estão sempre cansados, não cuidam da própria saúde e precisam de atenção especial com a estabilidade mental. Descrição #pracegover: Foto centralizada nos rostos da aposentada Maria de Lourdes Damico, de 73 anos, e de sua filha, Lucia Damico, de 48 anos. A idosa tem pele branca, olhos e cabelos castanhos e lisos. Sua filha tem cabelos loiros e lisos, pele clara e está com a cabeça encostada no ombro da mãe. As duas estão sorrindo. Crédito: Arquivo Pessoal / Lucia Damico.

IMAGEM 01: Projeto ‘Embracing Carers’, lançado País pela Merck, busca melhorar a saúde e o bem-estar das pessoas que prestam atendimento a parentes, mas não recebem nenhum suporte. Pesquisa organizada pelo programa mostra que esses indivíduos estão sempre cansados, não cuidam da própria saúde e precisam de atenção especial com a estabilidade mental. Descrição #pracegover: Foto centralizada nos rostos da aposentada Maria de Lourdes Damico, de 73 anos, e de sua filha, Lucia Damico, de 48 anos. A idosa tem pele branca, olhos e cabelos castanhos e lisos. Sua filha tem cabelos loiros e lisos, pele clara e está com a cabeça encostada no ombro da mãe. As duas estão sorrindo. Crédito: Arquivo Pessoal / Lucia Damico.


A jornalista Lucia Damico, de 48 anos, tentou conciliar as oportunidades de trabalho com os cuidados que sua mãe, a aposentada Maria de Lourdes Damico, de 73 anos, precisa receber todo dia. Mesmo em casa, não foi possível.

Desde 2014, Lucia abandonou todas as suas atividades profissionais e passou a recusar propostas porque os salários oferecidos não bancariam os gastos com cuidadores profissionais. E a preocupação constante com a qualidade desse atendimento iria desviar a atenção e prejudicar seu desempenho.

“Minha mãe sofreu dois AVCs (Acidente Vascular Cerebral) porque descuidou dos remédios para diabetes e pressão, além da alimentação. O segundo AVC, em 2014, prejudicou muito a mobilidade, principalmente no lado esquerdo”, conta a jornalista.

“Hoje, ela também tem hidrocefalia, não consegue mais andar, não faz mais nada sozinha. Eu que tiro da cama, troco a roupa, faço a comida, cuido dos remédios, do dinheiro, dou banho e limpo a casa. Não posso ficar muito tempo na rua, nem viajar ou me ausentar por mais do que algumas horas”, explica Lucia.

“Meu pai faleceu em 2016 e meu marido trabalha em casa. Então, dividimos as tarefas”, comenta.

Em outro caso semelhante, o representante comercial Jadyr Galera cuida da esposa Elfriede, que tem câncer de mama. “Essa atenção é fundamental no processo do tratamento. A dedicação tem de ser 100%”, comenta. “Tenho horário flexível, o que me ajudou a estar presente em todos os momentos, mas quando há compromisso agendado e ela precisa de apoio, eu desmarco sem hesitar”, completa.


IMAGEM 02: Pesquisa no Brasil foi feita em julho de 2018. Descrição #pacegover: Imagem com desenho de uma ampulheta com um coração dentro e, abaixo, as informações: '46% dos cuidadores não profissionais muitas vezes não têm tempo para agendar ou comparecer às suas próprias consultas médicas'. Crédito: Divulgação.

IMAGEM 02: Pesquisa no Brasil foi feita em julho de 2018. Descrição #pacegover: Desenho de uma ampulheta com um coração dentro e, abaixo, as informações: ‘46% dos cuidadores não profissionais muitas vezes não têm tempo para agendar ou comparecer às suas próprias consultas médicas’. Crédito: Divulgação.


A realidade dos cuidadores não profissionais ganhou maior visibilidade com a apresentação de uma pesquisa organizada pela Merck Brasil, empresa farmacêutica que lançou no País nesta sexta-feira, 28, o programa ‘Embracing Carers’.

A iniciativa global foi iniciada em 2017 para colaborar com as principais organizações mundiais de cuidadores não profissionais, conscientizar, debater e promover ações que atendam às necessidades dessas pessoas. A meta é implementar soluções práticas para dar o apoio e a atenção que precisam.

O estudo foi realizado em julho de 2018 pela Censuswide com 578 entrevistados, com idade entre 18 e 75 anos, sendo que 300 tinham entre 35 e 55 anos. Também foram feitas 67 entrevistas com ajuda de organizações como Femama, Grupar-EncontrAR, Instituto Oncoguia, Blogueiros da Saúde e a associação Amigos Múltiplos pela Esclerose (AME).

EXAUSTOS – A pesquisa comprovou que a situação dessa população, no Brasil, precisa receber mais atenção. Um destaque fundamental é que 53% dos entrevistados relatam estarem cansados ​​a maior parte do tempo e 61% afirmam precisar de cuidados médicos com a saúde mental.

Entre os entrevistados, 68% afirmaram que cuidar de uma pessoa amada ajuda a apreciar mais a vida e 57% consideram essa rotina desafiadora, mas recompensadora.

No que diz respeito a cuidados com a própria saúde, 46% disseram não ter tempo para agendar ou comparecer a consultas médicas. Além disso, 44% priorizam a saúde da pessoa cuidada.


IMAGEM 03: Iniciativa global foi iniciada em 2017. Descrição #pracegover: Desenho de um guarda-chuva com as informações abaixo: '61% dos cuidadores afirmam precisar de cuidados médicos por conta de sua saúde mental'. Crédito: Divulgação.

IMAGEM 03: Iniciativa global foi iniciada em 2017. Descrição #pracegover: Desenho de um guarda-chuva com as informações abaixo: ‘61% dos cuidadores afirmam precisar de cuidados médicos por conta de sua saúde mental’. Crédito: Divulgação.


Para Luciana Holtz, do Instituto Oncoguia, o estudo comprova os desafios do cuidador. Por isso, a instituição participa do programa. “Queremos mostrar que essas pessoas não estão sozinhas. Esse familiar abdica dos seus próprios compromissos e até da própria saúde, mas ele é um alicerce fundamental e não pode ser ignorado na jornada do tratamento”, resume a executiva.

SAIBA MAIS – A iniciativa Embracing Carers recebe assessoria e apoio das principais organizações de cuidadores não profissionais do mundo. Em 2017, o programa realizou uma pesquisa em países como Austrália, Reino Unido, Itália, França, Espanha, Alemanha e Estados Unidos. Os resultados foram compartilhados com mais de 200 organizações de doenças específicas no mundo.

O projeto tem apoio de Caregiver Action Network, Carers Australia, Carers Canada, Carers UK, Carers Worldwide, Eurocarers, National Alliance for Caregiving, International Alliance of Carer Organizations (IACO) e Shanghai Roots & Shoots (China).

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