Projeto faz iniciação esportiva de crianças com síndrome de Down

Projeto faz iniciação esportiva de crianças com síndrome de Down

Programa gratuito do Instituto Serendipidade com o Centro Israelita de Apoio Multidisciplinar recebe inscrições. Atividades ajudam no desenvolvimento neuromotor, social, comportamental e intelectual. Crianças com síndrome de Down costumam ter musculatura mais frágil e frouxidão ligamentar.

Luiz Alexandre Souza Ventura

09 de setembro de 2021 | 11h32

Foto de dois professores de educação física orientando duas crianças em uma atividade.

Crianças com síndrome de Down precisam de estimulação desde muito pequenos para aprender a manter a postura e até para andar. Crédito: Divulgação.


O Programa de Iniciação Esportiva para crianças com síndrome de Down, entre 3 e 9 anos, criado pelo Instituto Serendipidade com o Centro Israelita de Apoio Multidisciplinar (CIAM), recebe inscrições pelo email serendipidade@serendipidade.org para 32 vagas. As atividades são gratuitas e começam neste mês.

“Crianças com síndrome de Down podem ter maior tendência para ganhar peso. Deixar para iniciar atividades esportivas com apenas 8 ou 9 anos pode criar mais barreiras para a inclusão esportiva, já que, nesta idade, as crianças sem deficiência já estão se exercitando”, diz Henri Zyberstajn, fundador do Instituto Serendipidade.

“Levar um menino com síndrome de Down com 9 anos de idade para uma aula de futebol, por exemplo, com outras dezenas de meninos ou meninas sem deficiência que já praticam o esporte há anos, pode gerar exclusão e bullying ao invés de inclusão”, alerta o empreendedor social.

“A ideia do projeto de iniciação esportiva é que não haja mais esse hiato entre a alta da fisioterapia e o início do esporte, oferecendo às crianças todos os ganhos que o esporte proporciona desde muito cedo”, ressalta Zyberstajn.

São duas aulas por semana, às segundas e quartas-feiras, das 13h às 17h, na sede do CIAM, que fica na Rua Irmã Pia, nº 78, no bairro do Jaguaré, em São Paulo.

Os alunos percorrem um circuito com equipamentos especializados e passam por vários tipos de estímulo. Uma equipe multidisciplinar apoia o trabalho, que ajuda no desenvolvimento neuromotor, social, comportamental e intelectual.

Crianças com síndrome de Down costumam ter musculatura mais frágil e frouxidão ligamentar, precisam de estimulação desde muito pequenos, de habilitação e fisioterapia, para aprender a manter postura e até para andar. Em muitos casos, após o fim da fisioterapia, esse aprendizado é interrompido.

“Desenvolvemos a mobilidade para que a criança tenha base e aproveite melhor o esporte de interesse, brinque com mais facilidade e se movimente com independência”, explica Rodrigo Gorgen, do Instituto Serendipidade, coordenador da equipe de educadores físicos.

“É uma porta que se abre para um futuro com mais inclusão e participação”, destaca Marcelo Muriel, presidente do CIAM, entidade que atende 300 bebês, crianças e jovens com deficiência intelectual.

O lançamento do projeto coincide com a celebração do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência (21/9) e do Dia Nacional do Atleta Paralímpico (22/9).

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